Planetóide X

Arcania: a Gothic Tale

quinta-feira, junho 25, 2009 José Guilherme Wasner Machado 0 Comentários Categoria: ,

Em outro post, comentei como a Piranha Bytes havia sido escamoteada da série Gothic, e agora se dedicava a criar uma franquia nova em folha, chamada Risen. Mas isso não significa que Gothic irá para o limbo. De fato, um novo jogo já se encontra a caminho. Previsto para o final de 2009 ou início de 2010, o título foi entregue aos cuidados de uma nova desenvolvedora, a Spellbound, também da Alemanha. Ela é responsável pela famosa (e elogiada) franquia "Desperados", de estratégia em tempo real. Espera-se que a experiência e a competência da Spellbound ajude a série a superar o infame histórico de infestação por bugs, que tantas críticas lhe renderam. Infestação que atingiu seu ápice na última expansão, Forsaken Gods. O jogo tinha tantos problemas que a produtora JoWooD teve que vir a público pedir desculpas. Outro fracasso como esse poderá enterrar a franquia de uma vez por todas, como já ocorreu com tantas outras no passado (a Troika que o diga). O que seria uma grande pena.


Rebatizado de "Arcania: a Gothic Tale", o jogo se passa dez anos após os acontecimentos de Gothic 3. O herói sem nome dos títulos anteriores acaba sendo bem-sucedido em expulsar os orcs do reino, e seus feitos o levam ao trono de Myrtana. Totalmente embriagado pelo poder, nosso ex-camarada acaba se tornando um déspota, uma espécie de Hugo Chávez medieval. Assim, um novo herói (é, você aí!) terá que surgir para derrubar o tirano, superando suas origens humildes e adquirindo habilidades até estar apto para a monumental tarefa. Tá, a premissa básica da história é bem lugar-comum, como em tantos outros jogos do gênero. Mas, no final, o que realmente importa é como ela é desenvolvida, e nisso a série Gothic é famosa por seus enredos bem construídos, personagens intrigantes, quests pouco usuais e complexas facções políticas. Então, eu boto fé de que, pelo menos nesse quesito, teremos um bom título. Todavia, esperem por uma "popularização" do jogo, no sentido de torná-lo mais simples e acessível às massas. Por mais que isso desagrade aos fãs hardcore, não dá para uma série que se pretenda "AAA" viver apenas de um nicho. Para conseguir pagar as contas, é preciso alcançar um público maior. BEM maior. É um processo inevitável, pelo qual já passaram os títulos da Bethesda e da Bioware, e não poderia ser diferente aqui.

Até agora, poucas informações surgiram sobre Arcania. Houve apenas uma demonstração tecnológica da engine do jogo, principalmente dos ambientes e efeitos climáticos. Quem viu, se impressionou. Os cenários são muito complexos, com efeitos avançados de luz e sombra. As árvores, em especial, são extremamente realistas e detalhadas. Bem realistas também são os modelos dos personagens do jogo, inspirados, segundo a desenvolvedora, por Crysis. Mas ela própria admite que a versão final não terá necessariamente esse grau de detalhamento. Como o jogo é multiplataforma (será lançado também para PS3 e Xbox 360), é necessário pensar nas limitações de performance impostas pelos consoles. De nada adianta ter um jogo fotorrealista, mas rodando a 5 frames por segundo, exceto em PCs high-end. A culpa não é apenas dos consoles, claro. Interessa à desenvolvedora que o jogo atinja a maior base possível de usuários, e isso inclui aqueles com PCs não tão favorecidos.

Outro recurso da engine que causou ótima impressão foi a chuva. Sim, chuva! Nada mais daquelas gotinhas estilizadas que não fazem efeito algum. Em Arcania, a chuva cria poças pelo chão, corre por valas, desliza pelos telhados, faz cascatas, inunda lagos e rios e, mais importante, afeta a jogabilidade. Por exemplo, tornando mais difíceis certas magias, ou potencializando seus efeitos. Também foi demonstrada uma versão incipiente do combate, que até aquele momento era por demais simplista. Mas a desenvolvedora afirma que muita coisa ainda será modificada e evoluída nesse aspecto. Espero que sim, pois o combate sempre foi considerado o calcanhar de Aquiles da série. Insinuaram algo na linha "cadência e timing". Uma mera evolução do sistema de Gothic 3 (não tão punitivo, espero), ou uma mecânica inspirada por The Witcher? Veremos.

A JoWooD liberou recentemente o site oficial do jogo, que pode ser conferido aqui. Por enquanto ele não tem muita coisa, mas vale dar uma espiada nos belíssimos screenshots - inclusive dos efeitos da chuva sobre o solo. Se o jogo for tão bom quanto aparenta, talvez a franquia finalmente saia do nicho de aficionados onde atualmente se encontra, e possa de fato ser um competidor forte para a série Elder Scrolls. Os fãs de CRPG (principalmente na modalidade sandbox) agradecem.

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