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O (Real) Custo do PC Gaming

quinta-feira, junho 25, 2009 José Guilherme Wasner Machado 0 Comentários Categoria: ,

Existem vários mitos que cercam o PC gaming, e a maior parte deles é não é verdadeiro. Mas eles persistem, alimentados pela ignorância e pela falta de interesse em analisar o tema seriamente. Pretendo abordar alguns desses mitos, e discutir a verdade que há por trás de cada um. Nesse artigo, quero falar sobre o mais arraigado e mais injusto: o de que o PC Gaming é uma opção "cara", se comparado com o custo dos consoles.

À primeira vista, isso parece ser algo óbvio e ululante... afinal, um Wii custa $250. Uma versão mais simples do Xbox 360 pode ser adquirida por $200. E mesmo a versão mais cara do PS3 não sai por mais do que $600. Enquanto isso, um Gaming PC sai "por alguns milhares de dólares". Sim, é bem óbvio. E como muitas coisas óbvias, revelam-se falsas após um exame mais aprofundado.



O PC "obrigatório"


Em primeiro lugar, não é necessário ter um PC high-end de milhares de dólares para se ter uma EXCELENTE performance em jogos. De fato, o valor começa bem abaixo disso, e veremos porquê.


Um computador doméstico, do tipo "average joe", sai hoje nos EUA por algo entre $500 e $600. Esse é o tipo de computador que a grande maioria dos usuários americanos possui, seja para navegar na internet, ler emails, ou usar aplicativos de front-office, como processador de textos, planilha eletrônica, etc. Um exemplo simples? No site americano da Dell, encontrei um PC de apenas $479 dólares, com as seguintes características: processador Core2Duo E7400, 4GB3 DDR2 SDRAM 800MHz de RAM, HD de 640Mb, áudio 7.1 integrado, drive DVD e de lambuja, S.O. Windows Vista 64 bits devidamente legalizado (OEM).


O preço desse micro, apesar de muito barato, não importa para a linha de argumentação aqui. Poderia custar o dobro, que daria no mesmo. O que importa é que ele é representativo da configuração média de um típico micro doméstico ("average joe"), aquele que praticamente toda casa já possuiria de qualquer forma. Ou seja, ele é um gasto que já foi feito por um consumidor, quer ele tenha ou não interesse por jogos eletrônicos. É um item quase que obrigatório em um lar de classe média americana, e que já está disponível, assim como o monitor e outros periféricos. Sendo um gasto que já foi feito (ainda que com outros propósitos), ele não entra no cálculo do "custo do PC gaming". Da mesma maneira que não vou incluir o custo da instalação da rede elétrica, da rede telefônica, da cadeira, da mesa, etc.


Apesar desse micro "típico" ter características acessórias que o tornam um candidato excelente para uma plataforma de jogos (superior em vários aspectos a um console, inclusive), ele tem uma lacuna crítica que o torna praticamente inútil para ese fim: a falta de uma solução gráfica robusta o suficiente. Então chegamos finalmente ao custo efetivo do PC Gaming: o custo da solução gráfica, já que de resto suas demais características (memória, processador, etc) dão de sobra. Mas de quanto estamos falando? De meros 150 a 200 dólares. Com apenas isso, é possível transformar o micro doméstico "obrigatório" em uma máquina de games MUITO superior à qualquer console next-gen.


Observação importante - Dependendo da fonte do micro em questão, é possível que o dono precise trocá-la por uma melhor - placas gráficas costumam ser sorvedouros de potência. Nesse caso, acrescente cinquenta dólares para fontes de 500W (ou mais, se a solução a ser adotada for SLI ou crossfire) de qualidade. Dependendo da fonte e da placa gráfica escolhida, uma fonte de 400W dá e sobra. Mas dispense xinglings. E tenha em mente que no Brasil esse preço é bem mais salgado. Uma boa fonte é um bom investimento, até porque você poderá reutilizá-la em futuros upgrades.


O Custo da Solução Gráfica


Consultando o ótimo site Tom's Hardware, encontrei algumas placas na faixa de valor $150 a $200: a robusta Radeon HD 4850 512 MB, de $160, capaz de executar jogos em até 1080p (isso é real, não é upscaling!) com apenas alguns recursos visuais desligados, a GeForce 9800 GTX+ por um pouco mais, e por fim a poderosa Radeon HD 4870 512 MB, já na faixa de $190, capaz de rodar jogos atuais a 1080p "com tudo ligado".


Radeon HD 4870, excelente relação custo x benefício


Só para efeito de comparação, a solução gráfica de um PS3 é algo equivalente a uma GeForce 7950 otimizada (com 256Mb de vram). Fazendo um comparativo de performance em 1920 x 1200 (só para termos uma métrica em comum), a 7950 mais bem posicionada - a GX2 (que provavelmente é superior à do PS3, inclusive em memória de vídeo) - alcança um somatório de 241,70 fps (frames por segundo). A HD 4870 "padrão", alcança 550.40. Ou seja, 2.3 vezes a potência. Uma 4850, de $160, está com um somatório de 485,40 fps, mais ou menos o dobro da potência gráfica de um PS3 "vitaminado" - por uma fração do preço deste.


Para resultados de outras placas na faixa de $100 a $200, consulte esse gráfico. Só tenha o cuidado de observar que as soluções assinaladas com "SLI" são compostas de DUAS placas idênticas.


E os (inevitáveis) upgrades?


Uma placa gráfica, como essas descritas acima, em condições normais, atenderia bem por um prazo de 2 a 3 anos. A partir daí, dependendo da evolução dos títulos, começará a ter problemas de performance. Para contornar isso, há várias alternativas que o usuário pode tomar (em escala crescente de custo):


- Começar a desligar alguns dos recursos mais pesados dos jogos, a maior parte deles com efeitos insignificantes para o visual, e até mesmo imperceptíveis para alguns jogadores. Outra idéia é diminuir a resolução - até porque a maior parte dos usuários ainda possui monitores com resoluções bem inferiores a 1920 x 1080.


- Upgrade: colocar uma segunda placa idêntica em SLI ou Crossfire, se a sua placa-mãe permitir. Depois de 2 a 3 anos, o preço da sua placa de vídeo deverá ter caído para algo em torno de $50, então a compra de mais uma torna-se uma opção barata de upgrade, com ganhos de performance em torno de 75% a 90%.


- Upgrade: vender a placa de vídeo atual (provavelmente você conseguirá uns $50 nela) e substituí-la por uma placa mais recente, também de $150.


Com alguma dessas idéias, é possível atingir o mesmo patamar de tempo médio de vida de um console, por valores que irão variar entre $150 a $300 dólares - em torno do preço de um Wii, com uma potência gráfica esmagadoramente superior (e atualizada no meio do ciclo de vida). E da mesma maneira que alguns consoles quebram a barreira de cinco a seis anos de vida útil, às custas da "beleza gráfica", você também pode fazer o mesmo com a sua placa de vídeo - seja jogando títulos mais antigos, seja jogando títulos mais novos, mas com uma qualidade visual descrescente. É sua opção, não há obrigação de se fazer um novo upgrade, da mesma maneira que não haveria obrigação de trocar o seu console atual.


Preço dos Jogos


Os lançamentos de PC tem o preço padrão de $50, contra $60 dos jogos de console. Assim, se você compra em média cinco jogos por ano, em cinco anos terá feito uma economia de $250 dólares... ou seja, o custo do PC Gaming, como visto acima, terá praticamente ZERADO. Se o jogador compra menos títulos, a vantagem apenas será menor, mas ainda significativa. Se ele comprar mais títulos, começará a ter LUCRO sobre a opção "console gaming".


Mas não fica só nisso. O preço dos jogos de PC cai mais rápido do que os seus equivalentes de console, e não raro são feitas grandes ofertas por preços ridículos, em portais como o Steam, por exemplo... que tal comprar um jogo recente por menos de 10 dólares? E em portais como o GOG, você encontra clássicos imperdíveis por preços em torno de $6. Sem falar nos abandonwares...


Por fim, não custa lembrar que o chamado "casual gaming" é rotina no PC desde muito antes do advento no Wii, com uma diferença: um grande número de jogos casuais de PC é gratuito, como atestam os incontáveis webgames que existem por aí.


Para fechar, embora isso seja formalmente ilegal, o PC ainda pode ser usado como emulador, tendo acesso gratuito a milhares de clássicos de dezenas de consoles antigos e de plataformas de arcade. Se quiser correr o risco...


E no Brasil?

No Brasil, a situação é ainda mais favorável ao PC. Um XBox 360 oficial está custando R$2400. Um Wii, R$2500. O PS3, supreendentemente, sai em promoção por uns R$1900 (meio louca a situação por aqui, não?). Já uma placa Radeon HD4850 sai por meros R$750. A diferença é tão astronômica que podemos até dispensar o argumento do "micro obrigatório da casa", pois o valor é suficiente para comprar um ótimo micro zerado!


Quando então se fala nos jogos, a coisa é ainda mais acachapante... enquanto você encontra bons lançamentos de PC por valores que vão de R$60,00 (como ocorreu de The Witcher, por exemplo) a R$120,00, os jogos de console têm saído por volta de R$200 a R$300 (!)... ou seja, em alguns casos, uma diferença de 500%. Bastaria a compra de alguns poucos jogos para recuperar o valor da placa e partir pro abraço.


O Brasil ainda tem uma particularidade bem interessante: os jogos de revista. Bons títulos por R$20,00 ou até menos.


Conclusão


Quando se tem em mente de que hoje em dia, em uma casa de classe média, um micro é um equipamento obrigatório (principalmente quando se fala nos EUA, que são o grande mercado de games), e que mesmo um micro mediano tem características que o colocam à frente de um console (exceto na solução gráfica), fica bem claro que o custo do PC Gaming é tão somente o custo de aquisição da placa gráfica - caso o micro em questão já não possua uma. Então o custo do PC Gaming se torna menor do que o do console mais barato, e com uma potência gráfica MUITO superior. Mesmo com os custos de upgrade, o PC Gaming ainda é mais vantajoso. De fato, pode até mesmo sair comparativamente "de graça", dependendo de quantos títulos o jogador compra durante o ciclo de vida do equipamento.


Um último detalhe: com a necessidade de desenvolvimento multiplataforma, os consoles têm atuado como uma espécie de "âncora" para as desenvolvedoras, segurando a evolução gráfica dos jogos de PC e, consequentemente, a demanda de potência sobre a placa de vídeo... Se isso por um lado é ruim, por outro torna mais longo o ciclo de vida útil dessas placas, aumentando ainda mais a sua vantagem econômica.


Não há desculpas, portanto, para evitar o PC como plataforma de games, se o critério for baseado apenas em custo.

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