Planetóide X

Problemas que deveriam ser corrigidos em Elder Scrolls V (UPDATE: Skyrim)

quinta-feira, junho 25, 2009 José Guilherme Wasner Machado 0 Comentários Categoria: ,

Vejam esse interessante artigo da PC World. Nele o autor lista cinco coisas que a Bethesda deveria mudar no próximo título da série Elder Scrolls, para não repetir os mesmos erros cometidos em Oblivion. Vou comentar a respeito dos pontos levantados no artigo, e depois acrescentar as minhas próprias sugestões. Quem se animar a ler poderá até pensar que eu achei Oblivion uma grande porcaria, mas isso está longe de ser verdade. Passei umas boas 300 horas nesse jogo, e tenho excelentes recordações, ainda que prefira Morrowind, o título anterior da mesma franquia. Apesar de possuir muitas qualidades, os problemas de Oblivion são inegáveis e devem ser atacados pela desenvolvedora, para que possamos ter uma sequência ainda melhor. Bem, vamos a eles.

- Fim da reciclagem de vozes: melhor que um texto com voz reciclada, é um texto sem voz, e que deixa espaço para a imaginação do jogador. Eu concordo, mas acho que jogos sem vozes são coisas do passado, pois não possuem o mesmo apelo mercadológico para as massas. Além disso, a voz aumenta o fator de imersão e dá mais personalidade, isso é inegável. Todavia, o problema persiste e precisa ser resolvido. Uma possível solução é a sintetização realista de vozes, em tempo real. Ou seja, com base em alguns parâmetros, o programa gera o diálogo falado na hora (a partir, claro, do texto escrito), com timbres e tonalidades específicas para cada um dos milhares de personagens. Já existem algumas tecnologias para isso. Resta saber se elas são avançadas o suficiente para um jogo.

- O mapa deve ocupar toda a tela, e não somente um terço dela. Parece algo óbvio de se fazer, mas o problema é que isso deriva de uma interface voltada para consoles. Realmente é um saco ficar rolando mapa, mas penso que é um problema de menor importância.

- A engine de combate deve ser modificada para terceira pessoa, e de uma maneira que aumente o fator tático das lutas. Concordo com o cara. O combate em Oblivion é banal e repetitivo, e precisa ser repensado com urgência. Ele precisa de mais profundidade e menos clickfest. Que tal pegar o exemplo de The Witcher e levá-lo alguns passos adiante? Talvez valha mesmo a pena abrir mão da visão em primeira pessoa. Ou haver um acionamento automático da visão em terceira pessoa quando o jogador entrasse em modo de combate.

- Chega de NPCs em cavernas randomizadas, com inimigos criados de acordo com o nível do jogador. É um ponto importante. Não vejo tanto problema em cavernas e masmorras randômicas (Diablo fez seu ganha-pão em cima disso) desde que haja uma variedade suficiente delas. O que não dá é visitar uma caverna e, basicamente, ter a mesma experiência nas outras duzentas e cinquenta. Só que é difícil contornar o problema da repetição em um título sandbox, onde o jogador pode vagar livremente por centenas de horas - literalmente. Se houvesse possibilidade de gerar texturas on the fly, isso resolveria a questão da repetição visual. Mas se há alguma tecnologia para isso, com certeza ainda está engatinhando. Outra coisa que ajudaria seria evitar quests em locais randomizados. O ideal é que pelo menos esses locais sejam customizados na mão, para garantir unicidade e interesse. Por fim, penso que vale ainda a pena manter aleatórias as cavernas e masmorras menos importantes, aquelas que não tenham maior participação em quests. Elas são necessárias para dar estofo ao mundo do jogo. Mas que não sejam nivelados os personagens e as recompensas que lá existam. Afinal, isso é o que mantém interesse e o suspense do jogador... a possibilidade de que, no final do caminho, exista um tesouro valioso o suficiente que compense o risco de se encontrar um inimigo muito superior - e que faria picadinho de você. Se é meramente para matar inimigos que certamente estarão seu nível, e achar recompensas banais e previsíveis, não vale a pena perder tempo entrando lá.

- Nos diálogos, tirem o foco da câmera do rosto dos personagens. Confesso que esse problema não me incomodou muito. Mas reconheço que um modo livre de diálogo seria mais interessante, realista e imersivo. Onde você não fique preso e possa olhar para os lados, ou mesmo se afastar, interrompendo a conversa. Como meio termo, vale citar o diálogo cinematográfico de Mass Effect (e que também será adotado em Dragon Age: Origins) - se é para ter um modo "preso" de diálogo, que pelo menos ele seja dramático e visualmente dinâmico.


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Há outros fatores que acho importantes e que não foram abordados, pelo menos nesse primeiro artigo. Seguem as minhas idéias do que a Bethesda deveria fazer (e que ela jamais lerá, claro...):

- Por tudo que há de mais sagrado, não façam nivelamento automático dos inimigos. Isso acaba com toda a emoção do jogo. Como, por exemplo, o suspense ao entrarmos em uma área desconhecida, sem saber se lá existem criaturas muito mais poderosas do que nós. Ou a satisfação de voltarmos mais tarde a uma área previamente visitada, e massacrarmos todos aqueles monstros que antes achavámos imbatíveis. Enfim, a ótima sensação de progresso e de evolução pessoal que é a alma de todo bom sistema de RPG.

- Garantam que sempre haverão inimigos e criaturas muito superiores ao nosso personagem, mesmo joguemos por 500 horas. Ou seja, que existam personagens e monstros míticos/únicos, capazes de gelar a alma do jogador, independente do quão elevado é o seu nível. Ao mesmo tempo, que sempre exista uma maneira de derrotar tais criaturas, ainda que isso seja praticamente impossível, exigindo horas e horas de preparação, minucioso planejamento tático e um bocado de sorte (sim, sorte!). Por fim, que as recompensas por conseguir tal vitória histórica sejam igualmente épicas.

- Façam com que os efeitos dos atos e decisões do jogador tenham real repercussão no mundo do jogo. É lamentável salvar o universo, receber a carteirinha da ordem dos fodões-mor do Império, e depois ter que escutar um guardinha meia-boca falando para você coisas como "circulando, cidadão". Restando-lhe como único consolo a possibilidade de descer o machado nas fuças do infeliz.

- Que as quests principais tenham múltiplos caminhos, múltiplas soluções e múltiplos finais. E que isso não seja algo meramente decorativo. Fallout 3 indicou um bom caminho nesse sentido, mas
ainda falta muito a evoluir.

- A exemplo dos RPGs da Bioware, acho interessante incluir uma ou mais quests de romance. Elas são bem populares e sempre agregam contexto e personalidade à história do jogo. Mas que não seja algo que pareça ter sido escrito por um nerd virgem.

- Seria interessante manter certas áreas fechadas, com o acesso condicionado a certos estágios nas quests principais. Apesar disso linearizar um pouco o jogo (algo que detesto), pode ser um bom compromisso entre o fortalecimento da narrativa e liberdade de ir e vir do jogador. Baldur's Gate II é um ótimo exemplo de como fazê-lo bem.

- Melhorem o sistema de magias. MESMO. O atual é raso, genérico, banal e... fraco, mesmo considerando as magias mais poderosas. Simplesmente não empolga, seja do ponto de vista estratégico, seja de ação.

- Melhorem o sistema de armas de longa distância (arco e flecha, primordialmente). Em Oblivion, essas armas são quase que inúteis. Você tem que transformar o seu adversário em praticamente um porco-espinho, antes de conseguir matá-lo. E é claro que ele não vai ficar parado esperando isso acontecer.

- Modifiquem o sistema de skills para evitar exploits. Apesar do sistema de habilidades de Elder Scrolls ser bem inteligente e intuitivo, ele permite que o jogador trapaceie de forma "legal". Como os skills sobem com a sua prática, basta um jogador ficar parado repetindo indefinidamente determinada ação ou feitiço, para aumentar a respectiva habilidade sem quaisquer limites. Concordo que a idéia desse sistema de skills é favorecer os jogadores que realmente tem interesse em "roleplayzar" os seus papéis. Mas deve haver um meio racional para evitar esses exploits.

- Outra mudança importante no sistema de skills e de levelling é que ele seja planejado de forma a obrigar o jogador a se especializar, em vez de se tornar um "jack-of-all-trades". Na verdade, penso que ele até poderia se tornar um, mas deveria ser, por consequência, medíocre em todas as suas habilidades ("jack-of-all-trades, master of none"). O ideal é que o jogador seja incentivado a especializar-se, adotando "carreiras" (guerreiro, mago, ladrão, etc).

- Consertem a Radiant-AI, que de tão ruim mais parece a "Burrice Artificial" do filme de Spielberg. Que não hajam mais mendigos sendo mortos por roubarem uma maçã (ao ponto de algumas cidades não terem mais nenhum mendigo!). Ou os famosos rompantes de violência coletiva. Não deixa de ser hilário, até o momento em que você precisa encontrar uma certa pessoa, e descobre que ela desapareceu para sempre.

- Melhorem as animações. Isso não é tão difícil assim. Quase todo jogo AAA tem animações excelentes, então porque os da Bethesda tem que ter personagens que mais parecem robozinhos? Fallout 3 demonstrou que nada evoluiu nesse aspecto. Isso tem que mudar.

- Maior variedade de paisagens. Por mais que eu adore as belas florestas de Tamriel, seria legal passear por cenários mais diferenciados.

Há outros pequenos problemas (stealth banal, os mini-games, etc), mas o que considero mais importante está aí. Também adoraria ver um upgrade visual. Não aguento mais a Gamebryo, as texturas borradas... mas com os consoles e o desenvolvimento multiplataforma atuando como âncoras tecnológicas, não vejo grandes saltos ocorrendo nesse aspecto.

Bem, é "só" isso. Aguardo com muita ansiedade o anúncio de um novo título na série, que é uma das minhas favoritas. Correm os boatos de que a Bethesda já estaria trabalhando em um novo jogo, e que ele seria lançado em 2010. O fato da produtora ter passado o desenvolvimento de Fallout: New Vegas para a Obsidian pode ser um indício de que ela está ocupada com outra coisa - o que aumenta a chance de que um novo Elder Scrolls esteja mesmo à caminho. Vamos aguardar.

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