Planetóide X

Project Natal (Update: Kinect) e o problema da captura de movimentos - Parte 2

quinta-feira, junho 25, 2009 José Guilherme Wasner Machado 1 Comentários Categoria: , ,

O Xbox 360 e o sensor do "Project Natal" - Impressionante.

Na primeira parte desse artigo, vimos alguns dos problemas e limitações inerentes à tecnologia de captura de movimentos. Será que é possível contorná-los, a ponto de obtermos a mesma gama de possibilidades oferecidas por um gamepad ou mouse+teclado?

Bem, a Microsoft, com seu novíssimo e ousado "Project Natal" (Update: Kinect), pode ter a resposta. Sua conferência na E3 desse ano repercutiu enormemente na imprensa especializada, e o público participante ficou boquiaberto com o aparelhinho - assim como todo mundo que pode conferir os vídeos a respeito. É uma tecnologia sofisticadíssima, que não é nada improvisada ou uma mera cópia anabolizada do pioneiro wiimote. Usando um sensor capaz de enxergar o ambiente em 3D sob qualquer condição de luz, e um processador independente customizado, o pequeno notável não apenas captura os movimentos dos braços do jogador, mas também do corpo inteiro - cabeça, boca, pescoço, tronco, cintura... deu para entender. E tudo isso sem exigir que o felizardo precise carregar algum dispositivo junto a si, como ocorre com a solução da Nintendo. Basta colocar o sensor na sua frente, próximo à TV, e é isso. Nada mais de TVs destruídas por controles arremessados. O preço? Cerca de 100 dólares, segundo a MS. O preço de uma placa gráfica bem decente. Mas não ligue ainda, não é só isso.

O aparelho (e seu poderoso software, claro) também é capaz de reconhecer expressões faciais, e daí interpretar o humor do jogador, viabilizando dessa forma programas com a capacidade de reagir ao estado emocional do usuário. Para arrematar a lista de maravilhas, o dispositivo também possui reconhecimento de voz e interpretação de linguagem natural. As possibilidades para os jogos são impressionantes. Pronto, acabou. Na verdade não, não acabou. Há muito mais. Mas não vale estender-me muito sobre isso. O vídeo abaixo diz mais do que mil palavras - veja por si mesmo, vale a pena:



Veja também essa impressionante apresentação de "Milo", por seu criador, Peter Molyneux, do Lionhead Studios, responsável pelas famosas franquias Fable e Black & White. Comece lá pelos 25 segundos, caso esteja impaciente:



Bem, focando apenas na questão do controle de movimentos, será que o Project Natal seria a tal solução mágica que finalmente colocaria o gamepad para escanteio? Apesar de impressionado, penso que não. Minha opinião não é diferente da defendida nesse artigo do Games Radar. Eles resumiram a coisa toda muito bem: quanto mais sofisticada é a tecnologia de captura de movimentos, mais saltam aos olhos as suas limitações. Antes nos enganávamos com o wiimote, achando que os seus problemas eram fruto da limitação tecnológica do aparelho (em parte é, convenhamos), mas não da tecnologia em si. Agora, não dá mais para evitar encarar o lado feio da coisa.

Por exemplo, e se o garoto do primeiro vídeo acima precisasse continuar se movendo em direção à TV, para completar a sequência de destruição? Vocês acham que ele ia esborrachar sua preciosa cara na tela? E o jogo de futebol, vai ficar somente nos movimentos que podem ser feitos em um mesmo lugar? Nunca vi jogo só de cobrança de pênalti e de falta! Cadê a correria? Se bem que vendo a seleção do Dunga... fato é, você se imaginaria correndo de verdade, para que isso fosse reproduzido no jogo? E como iria fazer tal coisa na salinha da sua quitinete? Sem falar em movimentos mais complicados, como os exigidos por outros jogos típicos de ação: rolar, se arrastar pelo chão (haja máquina de lavar roupa), etc. Eu não gostaria de ser o vizinho de baixo do apartamento de um fã de jogos de plataforma. Ou mesmo do Tony Hawk, pelo que pude ver no vídeo! Falando nele, ao dar os pulinhos, como ter a precisão necessária? Ainda mais que dificilmente o jogador terá uma visão estável da tela, se estiver pulando! E ele só terá uma visualização em duas dimensões, sem senso de profundidade. Não valem "trilhos", nem ajudinha da inteligência artificial, lembrem-se! Deixo outras limitações para a imaginação de vocês. Elas são muitas.


A conferência da Microsoft na E3 2009

Enfim, uma solução madura, sofisticada e empolgante, mas que não conseguirá resolver os problemas inerentes da tecnologia. Mas... será que queremos mesmo tal coisa? Até acredito que as pessoas estejam dispostas a fazer todo esse movimento por (digamos) uma hora, numa festa. Mas e o jogador hardcore, aquele que entra pela noite em longas sessões de quatro (opa!), cinco, seis horas, ou até mais? Se o povo já reclama hoje da dor que o wiimote dá nos braços depois de uma sessão mais demorada, que dirá do Natal MS? Não, para os jogadores mais sérios, melhor um confortável sofá, um pacote de Doritos, pantufas de coelhinho nos pés e o bom e velho gamepad na mão. Os vizinhos agradecem.

Mas... e as evidentes vantagens dessa nova solução para a saúde, talvez você questione? Olha, se está pensando mesmo em levar um vida mais saudável, levante o traseiro daí e matricule-se numa academia de verdade. Vá pedalar. Faça natação. Corra. Balançar os braços e as pernas feito bobo na frente da TV pode até ajudar um pouco, mas não acabará com sua pança de cerveja, nem evitará que suas artérias se entupam.


O Emotiv: um vislumbre de um futuro longínquo?

No final, a captura de movimentos, por mais sofisticada que seja, sempre esbarrará em dois obstáculos: limitação dos movimentos que podemos (ou desejamos) fazer, e a emulação de comandos mais complexos, que não estão necessariamente atrelados a movimentos. Só vejo duas alternativas capazes de substituir o bom e velho trio gamepad/mouse+teclado - 1) a solução "Holodeck Star Trek", que as pessoas certamente iriam usar para outras atividades mais divertidas do que jogos - se entende do que estou falando - e pela qual teríamos que esperar uns 100 anos, pelo menos. Ou 2) a solução "Matrix Light". Melhor dizendo, algo que capture diretamente o comando no nosso cérebro, e aplique-o ao nosso avatar. Apesar de parecer tão ficção científica quanto a opção (1), essa é bem mais viável. Tão viável que já existem algumas tentativas tímidas nesse sentido - e que funcionam! De maneira limitadíssima (nada de telepatia ainda, claro), mas funcionam. Quando isso for conjugado com algum tipo de visor que envolva todo o nosso campo visual e que possua tridimensionalidade (também já existem soluções embrionárias para isso), talvez consigamos finalmente entrar "dentro do jogo". Mas, até lá - e tenha certeza de que isso vai demorar um bom tempo - nossos velhos e consagrados controles convencionais, sobreviventes de uma longa corrida evolutiva, ainda reinarão supremos. Nem que seja apenas no habitat dos jogadores hardcore. Com um bom sofá, pantufas e um big pacote de Doritos ao lado.

OUTROS POSTS

1 comentários

  1. Brother tenho visto nos videos da internet que estao vindo alguns jogos "ibridos" (jogos para jogadores hadcore usando o kinect)que na verdade em alguma parte do jogo o jogador solta o controle para fazer algum tipo de movimento,mas na minha opiniao acho isso uma estratégia para ir acostumando o jogador hadcore as limitaçoes do kinect,assim quando lancarem um jogo hardcore cheio de limitação de movimento imposto pelo kinect não terem tanta criticas,o que vc acha?

    ResponderExcluir

Por favor, fique à vontade para comentar, criticar ou sugerir. Mas não será permitido trolling, bullying, spam, preconceito e ataques meramente pessoais ou destrutivos.