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Steamworks CEG - O Fim da Pirataria?

quinta-feira, junho 25, 2009 José Guilherme Wasner Machado 0 Comentários Categoria: ,

Há cerca de duas semanas a Valve anunciou um importante update para sua suite Steamworks (um pacote gratuito para desenvolvedores, que dá acesso aos componentes do Steam): O CEG - Custom Executable Generation. Se cumprir o que promete, o CEG tem potencial para dar um tiro de morte na pirataria, e de quebra no DRM (Digital Rights Management). Algo muito bem vindo.


O princípio do CEG é o seguinte: criar uma versão única e exclusiva do jogo para cada comprador. Não sei ainda como a coisa funciona exatamente, mas imagino algo como recompilação total ou parcial do código on the fly, uso de encriptação, embaralhamento, sei lá. O fato é que essa versão exclusiva fica vinculada à conta Steam (o serviço de distribuição digital da Valve) do sujeito - e como tal, não tem jeito de ser compartilhada com mais ninguém. Para o usuário, isso significa a liberdade de execução e instalação à vontade, mesmo em máquinas diferentes, já que a cópia está vinculada à sua conta, não ao hardware. Para os desenvolvedores, é o Santo Graal da proteção de direitos autorais. A restrição, claro, é que os usuários teriam que possuir uma conta no Steam (aliás, a inscrição é gratuita).

Há anos que o PC Gaming vem sofrendo com a pirataria. Em alguns casos, o índice de pirataria chega a 90% (como em World of Goo, por exemplo). Esse é o grande calcanhar de Aquiles da plataforma. Existem outros, claro, mas a pirataria é a maior responsável pela debandada das desenvolvedoras, que estão preferindo direcionar os seus esforços (e dinheiro) primordialmente nos consoles, menos suscetíveis ao problema. Quem pode condená-las?

Muitos piratas defendem a prática (leia-se: aliviam suas consciências) dizendo que o que eles pirateiam fará, no máximo, com que o desenvolvedor fique com uma Ferrari a menos na garagem. Mas a realidade está bem distante disso. O índice de falência de novos desenvolvedores é alto. E isso é uma vergonha, porque muitos deles vão a falência não por incompetência, mas simplesmente porque o seu título, por melhor que seja, não consegue obter vendas suficientes. Por melhor e mais popular que seja. Quantas boas desenvolvedoras/produtoras já perdemos? Black Isle, Interplay (que agora tenta ensaiar um retorno), a lista é longa. Elas são insubstituíveis.

É revoltante... é muito comum vermos um sujeito com uma boa idéia na cabeça, que às duras penas consegue um empréstimo, empenhando a casa, o cachorro e a esposa... daí ele emprega outras dezenas de pessoas (pessoas como eu ou você), que ralam durante três anos, 12 horas de trabalho por dia. Tudo isso para, no final, resultar em falência, desemprego e contas a pagar durante décadas. Porque um "Gérson" da vida decidiu que "tinha que levar vantagem". Deve ser frustrante ver tanto esforço e sacrifício irem pelo ralo do bit-torrent.

Para proteger sua propriedade intelectual, as produtoras vem apelando para o uso do nefando DRM - aquele programinha irritante que não raramente impede você, comprador legítimo, de conseguir executar o jogo, enquanto os piratas se divertem (inclusive às suas custas). Eu mesmo tive vários problemas com o SecuROM, maldito seja ele por toda a eternidade (mas isso é história para outro post). A verdade é que o DRM apenas pune os jogadores legítimos. DRM não consegue evitar a pirataria, já que o tempo para retirá-lo do código é medido em questão de horas. Resultado: os desonestos, que não pagaram um tostão, possuem uma versão do jogo muito superior à de quem pagou. Sem limites de instalação e sem conflitos com outros programas. Por isso é muito bem vinda essa iniciativa do CEG. Tomara que funcione mesmo. Quero mais é ver os SecuROMs e afins irem à falência (esses merecem).

O interessante é que aos poucos o Steam está se tornando uma plataforma de algum modo similar a um console... só que, de forma muito mais inteligente, não baseado em uma plataforma fechada de hardware, nem limitado por ela, mas baseado em serviços voltados para os desenvolvedores e usuários. E é gratuito para o consumidor, coisa que os consoles não são.

Poucos fizeram tanto pelo PC Gaming como a Valve e o seu Steam. Espero que outros sigam o seu bom exemplo - ganhar dinheiro beneficiando clientes e usuários, e levando a tecnologia um passo adiante.


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