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O Velho Oeste está de volta (Parte 1)

terça-feira, julho 07, 2009 José Guilherme Wasner Machado 0 Comentários Categoria:

Call of Juarez: Bound in Blood

Sempre fui fã de produções ambientadas no velho oeste. Uma época suja, violenta e poeirenta, mas também pontuada de cenários belíssimos, ações heróicas e amplos horizontes. Um solo fértil para aparecimento de personagens lendários e incomuns - seja dentro ou fora da lei. Enfim, uma era de extremos. Não é à tôa que esse é o cenário de produções inesquecíveis como "Três Homens em Conflito", "Rastros de Ódio", "Os Imperdoáveis", entre tantas outras obras-primas do cinema.

Infelizmente, no que diz respeito aos jogos eletrônicos, ainda são raras as produções que façam justiça a esse gênero tão rico em tradição. O velho oeste sempre foi meio esnobado pelas produtoras de games, ainda mais nos últimos anos. Ok, nos arcades (e consoles) cansamos de ver jogos simples de tiro ambientados no oeste, mas não é a esse tipo de jogo genérico que me refiro. A simples substituição de um uniforme militar (ou espacial) por uma roupa de caubói não faz exatamente um faroeste. O que que eu gostaria de ver são produções realmente ambientadas no velho oeste. Títulos que construam uma história, uma atmosfera e personagens tão interessantes e invulgares como os encontrados nos melhores filmes de Sergio Leone ou John Ford. Jogos assim são raros. Mas, para nossa sorte, vêm aí dois pesos-pesados que parecem estar mais para Jesse James do que para Marty McFly. Vamos ver quais são.

Call of Juarez: Bound in Blood

O primeiro dos faroestes que estão chegando às prateleiras é Call of Juarez: Bound in Blood, da Ubisoft. São dele as imagens que ilustram esse post. O primeiro Call of Juarez não foi nenhuma Brastemp, alcançados notas medianas - 72% no Metacritic. Apesar dos problemas de jogabilidade, era um título belíssimo visualmente. Bound of Blood aprimora ainda mais ainda essa qualidade visual, e corrige muitos dos problemas que tanto renderam críticas ao seu antecessor. Agora o enfoque do jogo é na ação pura e simples, sem os elementos de stealth do primeiro CoJ. Pelas reviews que pude conferir, o enredo parece ser um dos pontos fortes da produção. Segundo o Gamespot, a história é muito bem construída, ainda que um tanto previsível, e há boas atuações (vocais) dos atores contratados. Guardadas as devidas proporções, não faz feio perto dos seus equivalentes cinematográficos. Parece promissor.

Em Bound in Blood, você assume a pele de um dos dois violentos irmãos McCall, na incansável busca pelo lendário tesouro de Juarez - e coitado de quem se atrever a cruzar o seu caminho. Os dois irmãos estão sempre juntos, mas o jogador só controla diretamente um deles. Dependendo do personagem selecionado, o estilo de jogabilidade muda consideravelmente, o que aumenta o valor replay do título - algo importante, dada a curta duração da história. Por exemplo, Ray McCall adota um estilo mais "Rambo". É um personagem moldado para quem gosta de ir direto à ação, sem maiores sutilezas, com tiroteiros violentos e generalizados. Já o seu irmão Thomas segue mais uma linha "sniper", com uma jogabilidade mais lenta e mais calculada, onde os inimigos são eliminados à distância e com finesse. Seria a minha opção, com certeza.

Embora os tiroteios sejam mais comuns, também existem duelos climáticos no "mano-a-mano", com adversários que funcionam como "chefes de fase". O truque aqui é ter o timing correto para atirar imediatamente antes do seu adversário, ao mesmo tempo em que o jogador tenta mantê-lo no centro do quadro, enquanto ele se move para a direita ou para a esquerda. O Gamespot destaca o clima tenso e cinematográfico desses confrontos, e ressalta que o jogador provavelmente morrerá várias vezes, antes de conseguir obter sucesso. Apesar disso, ao que parece a dificuldade geral do título é muito baixa, em grande parte devido às deficiências na inteligência artificial dos inimigos. Jogadores veteranos preferirão começar diretamente no nível hardcore.

Apesar das qualidades de Call of Juarez: Bound in Blood, esse é um título que não me anima muito a comprar, por causa de sua curta duração: apenas sete horas (!), segundo o review do Gamespot. Claro, o jogo disponibiliza um modo multiplayer que certamente aumentará a sua vida útil. O problema é que multiplayer nunca me interessou, e isso não mudará agora. Portanto, acho caro pagar uns 100 reais por apenas sete horas de diversão (ou catorze, caso o jogador decida reprisar a história assumindo outro personagem), por mais que a história e o visual sejam deslumbrantes.

Call of Juarez: Bound in Blood foi lançado há pouco tempo nos EUA e não deve demorar para chegar no Brasil. Aqui ele será distribuído pela NC Games, que também distribui GTA IV por essas bandas. O preço sugerido para as versões XBox e PS3 será de 199 reais. Um coice de cavalo. A versão PC, como de costume, deverá sair pela metade. Já estão sendo prometidas três expansões para o jogo - duas para multiplayer e uma para a campanha single-player. Pela curta duração do título, elas deveriam ser gratuitas!

Na segunda parte desse post, Red Dead Redemption da Rockstar e algumas considerações.

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