Planetóide X

O Velho Oeste está de volta (Parte 2)

quarta-feira, julho 08, 2009 José Guilherme Wasner Machado 0 Comentários Categoria: , ,

Se desejar, leia antes a primeira parte desse artigo.

Red Dead Redemption

O outro faroeste que vem por aí é Red Dead Redemption, da Rockstar. Infelizmente, parece que ele só sairá (pelo menos em um primeiro momento) para PS3 e XBox 360. Malditos. O título é uma sequência de Red Dead Revolver, que saiu em 2004 para o PS2 e o Xbox original. O jogo será sandbox, no mesmo estilo consagrado de Grand Theft Auto. Ou seja, você pode ir para onde quiser e fazer o que bem desejar, em um mundo amplo e totalmente aberto à sua exploração. Aliás, a Rockstar promete um mundo mais amplo do que em qualquer outro jogo já lançado por ela - incluindo aí a série GTA.

Não há grande coisa sobre a história nesse momento, exceto que acompanharemos os passos de um ex-bandido chamado John Marston, que de alguma maneira é forçado a colaborar com a lei, executando perigosas missões em terras agrestes e fronteiriças. O jogo utilizará uma combinação da engine gráfica Rage (a mesma da série GTA) e da avançada engine de animação Euphoria, da NaturalMotion. A Euphoria permite dispensar as tradicionais animações pré-definidas dos personagens, simulando os seus movimentos através de avançados cálculos de física, que reproduzem fielmente o movimento natural dos ossos, dos músculos e até mesmo do sistema nervoso motor. Todos os personagens, humanos ou não, utilizarão os serviços dessa engine, garantindo movimentos fluidos e realistas. Vale destacar os cavalos, que terão comportamento bem distinto, mediante sua natureza. Por exemplo, um cavalo roubado em uma cidade, ao ser montado, oferecerá um feedback bem diferente daquele oferecido por um cavalo totalmente selvagem, capturado no campo. Para completar, os poucos previews liberados até agora foram unânimes em elogiar a fantástica qualidade gráfica dos cenários, além da ampla variedade de ambientes.

O jogo deve ser lançado no final de 2009 ou nos meses iniciais de 2010. Espero que, a exemplo de outros jogos da Rockstar, a versão PC acabe saindo. Ainda que atrasada.


Agora só falta um bom RPG...

Uma característica comum às duas franquias acima, e a praticamente todos os títulos ambientados no velho oeste, é que eles são jogos de ação. No caso de Red Dead Redemption temos ainda um componente de exploração ao estilo GTA, mas mesmo assim ele é basicamente um shooter, como todos os demais. São poucos os jogos de faroeste que escapam a essa regra. De cabeça, só lembro da série de estratégia em tempo real Desperados, da Spellbound. Que, por sinal, está desenvolvendo Arcania, o próximo título da série Gothic.

Mas... e um RPG? Quando finalmente veremos um "Faroeste RPG", com uma história sólida, personagens interessantes e boa ambientação? Não entendo o porquê dessa lacuna. Exceto, talvez, por motivos mercadológicos. Certamente não é por limitações técnicas ou de jogabilidade. Fallout 3 está aí para provar que é possível criar um mix viável de RPG sandbox com FPS (jogo de tiro em primeira pessoa). Ainda que o bem sucedido título pós-apocalíptico da Bethesda tenha os seus defeitos (mais sobre isso em uma futura resenha sobre ele), a técnica do "VATS" mostrou-se um bom amálgama de combate em tempo real com combate por turnos, usando armas de longa distância. O que seria ideal para um faroeste.

Fallout 3, da Bethesda

Para quem não sabe o que é o "VATS", segue agora uma explicação. Sendo Fallout 3 um RPG, o sucesso de um jogador em combate não depende apenas das suas habilidades pessoais (como é o caso de um FPS, por exemplo), mas também das habilidades do seu personagem no jogo. É uma diferença sutil, porém vital. Dessa forma, por mais fodástico que um jogador seja em um FPS, se o seu personagem em um RPG é uma mula manca no manejo de armas, este errará a maioria dos tiros, ou produzirá poucos danos. Por melhor que seja a mira e os reflexos do jogador que o conduz. E isso é só o começo. Um bom RPG leva em consideração não apenas as estatísticas do personagem, mas também das armas usadas por ele, das defesas usadas pelo(s) adversário(s), entre vários outros fatores, para determinar a chance de sucesso ou fracasso de um ataque (ou de uma defesa). São essas características que acrescentam uma camada estratégica a um bom RPG. Essa camada pode ser mais complexa (como em Baldur's Gate) ou muito simples (como em Diablo), dependendo da ênfase dada à ação. No caso de Fallout 3, os desenvolvedores tentaram chegar a um meio-termo que agradasse a gregos e troianos. Algo que unisse o atual anseio por jogos dinâmicos e com ação em tempo real, com a tradição dos antigos Fallout, que adotavam combates por turnos, altamente estratégicos. O VATS (Vault-Tec Assisted Targeting System) é o resultado desses esforços.

A tela do V.A.T.S.

O VATS é um método especial de combate, que o jogador pode optar ao se deparar com um inimigo. Nesse modo, o jogador pode determinar com precisão - e sem correrias - cada um dos ataques que irá fazer. O VATS exibirá para ele a probabilidade de sucesso de cada ataque, levando em consideração a parte do corpo do adversário escolhida como alvo, as habilidades do personagem naquele momento, a distância em que encontra-se o inimigo, a precisão e o nível de conservação da arma utilizada, a presença de obstáculos na linha de tiro, entre vários outros fatores. As chances de acerto são exibidas ao jogador, que assim pode planejar seus ataques com calma, pesando o custo e o benefício de cada um deles. Para cada ataque realizado no VATS, segue-se uma sequência cinematográfica com os efeitos alcançados. Assim a coisa prossegue até que o jogador desista de novos ataques, ou os seus "pontos de ação" - que definem a duração da sua iniciativa - se esgotem. Então ele estará de volta ao modo de jogo normal, sob ataque dos adversários sobreviventes - e sem apoio do vantajoso VATS. POr isso é necessário planejar bem.

Como se vê, O VATS é uma técnica totalmente aplicável a um jogo de faroeste, precisando apenas ser contextualizada para a realidade deste cenário (em F3, o VATS é acionado por meio de um dispositivo eletrônico que o personagem carrega junto a si). Vale lembrar que, embora o VATS seja empolgante e divertido, ele está longe de ser perfeito. É certo que ainda há muito espaço para aperfeiçoamentos. Mas é ele é um bom exemplo do que pode ser usado em um "Faroeste RPG", dada a sua capacidade de mesclar elementos de ação e de estratégia, atingindo assim um público maior. O que é essencial para a viabilidade financeira de um projeto dessa ordem.

Desperados, da Spellbound

Adoraria ver a Bethesda aventurar-se por uma nova franquia com essa temática, tão ausente do gênero RPG (exceto, talvez, por algumas produções de menor monta). O próprio Fallout 3, em muitos momentos, assemelha-se bastante a um faroeste. Quem sabe, a própria Spellbound poderia tomar alguma iniciativa nesse sentido. Ela já tem um bom retrospecto com a série Desperados. E agora, com o desenvolvimento de Arcania, está ganhando experiência também com RPGs sandbox. Acho que até mesmo a Bioware poderia fazer algo nesse linha. Afinal, ela é conhecida por ousar novos cenários. Jade Empire e Mass Effect estão aí para demonstrar a capacidade de constante inovação da empresa canadense.

Sei que chances são pequenas, mas não custa sonhar. Enquanto isso, vou me divertindo com alguma reprise de "Por uns dólares a mais". Vai uma pipoca aí?

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