Planetóide X

Ladrão é pego com a mão na massa. UM deles, pelo menos.

segunda-feira, agosto 24, 2009 José Guilherme Wasner Machado 2 Comentários Categoria:

Sou totalmente contra a pirataria, como já deixei claro em vários outros posts nesse blog. Acho que a pirataria é danosa a todo mundo. Inclusive a nós, jogadores. E, de um ponto de vista ético, penso que a pirataria é sinônimo de roubo. Nem mais, nem menos. Talvez as pessoas não se dêem conta dessa verdade, já que o processo de roubar um software não envolve usar uma máscara e enfiar uma arma na cara de ninguém. Nem arrombar uma loja na calada da noite e depois fugir da polícia. Muito pelo contrário, todo o processo costuma ocorrer na santíssima tranquilidade do lar, enquanto a pessoa, de pijamão, vai devorando um pacote de Doritos e colocando fotos da família no Orkut. Não importa, é roubo do mesmo jeito. Ainda que o modo de se apossar ilegalmente do bem alheio seja mais seguro, mais asséptico e - talvez por isso mesmo - mais socialmente aceito.

Agora leiam a seguinte notícia, que saiu ontem no Correio Braziliense: Segurança flagra homem tentando furtar R$1,5 mil em CDs na Fnac.

Vejamos... o PS3 (ainda) não permite pirataria. Portanto, não dá para comprar uma cópia pirata por 5% do preço no camelô, ou baixar o jogo diretamente da Internet, na segurança do escritório doméstico. Assim, a única maneira de roubar um jogo é... bem, metendo as caras e roubando mesmo! Foi o que aconteceu com o sujeito em questão. Ele foi flagrado surrupiando, subtraindo, passando a mão, em oito blu-rays (ou, como diz o Correio Braziliense, "CDs") contendo jogos de PS3, num valor total de aproximadamente 1500 reais.

Certamente que não estamos falando aqui de algum mendigo maltrapilho roubando para alimentar a família. Ou sequer de um favelado que rouba para ter um tênis de marca. Não. O caso aqui é de alguém de classe média. Afinal, um PS3 não sai barato. É o console mais caro de todos. E no Brasil nem se fala, com os impostos estratosféricos que imperam sobre os aparelhos de videogame. Grana, portanto, o sujeito (ou a família dele) parece ter de sobra. E, para não deixar dúvidas sobre o mau-caratismo do elemento, ele tratou de roubar uma porrada de jogos de uma só tacada. Para ter tempo de jogar esses oito títulos, nosso prezado jogador não deve fazer porra nenhuma o dia inteiro. Se ele estudasse ou, quem sabe, arrumasse um emprego, talvez não tivesse tempo para tantos jogos. Ou, pelo menos, ele teria dinheiro para não precisar roubá-los.

Imagino que muitos dos leitores (gamers) do Correio Braziliense balançaram a cabeça em desaprovação, ao ler a notícia. "Que pilantrinha!", "Bem feito!", "Se fosse meu filho, cobria de porrada", "Ladrão!", "Isso é falta de uma boa educação, de valores!"... Esses devem ser alguns dos pensamentos que passam pela cabeça da maioria deles nessa hora. Enquanto, claro, seus uTorrents funcionam à toda, baixando a última versão de The Sims ou Street Fighter. Afinal, esse não é o caso de ser "ladrão". E sim de "levar vantagem". Notaram a diferença?

PS: alguém avise aí ao desinformado delegado de que os jogos em questão são para "consumo próprio" ou, na melhor das hipóteses, revenda para terceiros. Ainda não "destravaram" o PS3.

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2 comentários

  1. Totalmente de acordo. O único favor que as pessoas fazem ao baixar os jogos de dentro de suas casas ao invés de comprar aqueles que custam 5% do preço em bancas obscuras, é o favor de não estar muito possivelmente alimentando uma indústria criminosa de desdobramentos inimagináveis por trás - no entanto, o roubo da propriedade intelectual continua presente.

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  2. Realmente enquanto não abaixarem o preço dos jogos, será impossível de extinguir com a pirataria. Veja se ouvimos falar de pirataria la fora onde os jogos tem preço justo. Fora que acho que as pessoas ganhariam mais ou menos a mesma coisa (ou talvéz até mais) se vendessem com lucro menor e em maior quantidade.
    Realmente esse é um assunto complicado.

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