Planetóide X

Torchlight (ou seria Diablo 2.5?)

terça-feira, janeiro 12, 2010 José Guilherme Wasner Machado 2 Comentários Categoria: ,

Diablo, como a maioria deve saber, é uma famosa franquia de "RPG de Ação" da Blizzard. A série conquistou uma enorme legião de fãs com sua jogabilidade simples, porém viciante. Em Diablo não há histórias intrincadas, diálogos extensos com NPCs, ou combates táticos e complexos. Tudo é muito simples. Massacre todos os inimigos que conseguir, recolha os despojos, melhore suas armas e armaduras, suba o nível do seu personagem, avance. Não é preciso pensar muito, e nem é esse o objetivo do jogo - é só clicar, clicar, clicar, até dar cãibra no dedo. O que, por incrível que pareça, consegue ser divertido.

Torchlight é um clone competente e fiel de Diablo

Já tendo passado quase 10 anos desde que Diablo 2 foi lançado, é compreensível que os fãs tenham recebido com festa a notícia de que um terceiro título da série estava a caminho. Mas a alegria não durou muito. Logo a Blizzard anunciou que Diablo 3 só seria lançado em 2011, esfriando os ânimos dos jogadores que esperavam ansiosos pela oportunidade de mais uma maratona de clickfest, Diablo style. Para amenizar a tristeza e aproveitar o vácuo provocado pelo atraso, surgiu há pouco tempo um bom substituto para a tão aguardada sequência oficial. Trata-se de Torchlight, o clone (literalmente) mais bem sucedido da franquia, desenvolvido pela Runic. Detalhe importante: a Runic é composta por ex-funcionários da Blizzard, que foram membros da equipe de desenvolvimento de Diablo 1 e 2. É, pedigree Torchlight tem de sobra. Mas estará ele à altura de sua ascendência ilustre?

A resposta é positiva, com algumas restrições. O jogo esbanja charme, e a jogabilidade viciante não fica nada a dever - para bem ou para mal - à franquia que a inspirou. Praticamente tudo que nos acostumamos a ver em Diablo, nós encontramos em Torchlight. Mesmo. Dos familiares town portals ao combate clickfest, passando pelos habitantes da vila que só servem para tarefas básicas, como fornecer quests, encantar itens, transmutar objetos em outros, vender itens, etc. Até mesmo o vendedor de itens não identificados está lá, assim como a impossibilidade de salvar o jogo por conta própria - ele sempre recomeça de onde você parou. Torchlight é tão semelhante que até nos barulhos e efeitos sonoros ele é muito familiar. Experimente abrir uma arca com tesouros, por exemplo - a associação sonora e visual com Diablo será imediata. De fato, se não fosse pela direção de arte extremamente diferente, com um visual mais cartunesco - mas não infantil, ressalte-se - eu seria capaz de jurar que estava diante de um novo exemplar da série, independente do nome que leva.

A direção de arte, aliás, é um dos pontos fortes de Torchlight. Os visuais são simples, porém atraentes e variados, com grande nível de detalhe e de beleza. Apesar disso, o jogo roda bem, mesmo em placas gráficas low-end. Ele possui até mesmo um modo netbook. E se um título desses consegue rodar em um netbook, consegue rodar em qualquer outra coisa. Vale notar que eu estou jogando Torchlight sem problemas em uma humilde GeForce 8400 GS (minha placa titular queimou), em 1280 x 1024, com todos os recursos ativados, e o jogo não exibe travamentos ou lentidões, mesmo com muitos inimigos em cena e efeitos visuais a rodo na tela.

Se por um lado os visuais de Torchlight surpreendem positivamente, por outro a história é banal ao extremo: um fiapo de trama muito tênue, que apenas serve de pretexto para levar o jogador a seguir adiante. Entendo que em um jogo desse tipo a história é a menor das prioridades, mas nesse caso a coisa é tão fraca que, frequentemente, tenho a sensação de que estou jogando alguma versão mais sofisticada de Campo Minado ou de Tetris. Junte a isso uma jogabilidade um tanto repetitiva e chefes de fase não muito originais ou marcantes, e dificilmente o jogador diferenciará o início, meio ou fim do jogo. Todavia, o título inova um pouco ao apresentar um cenário que é uma mistura leve de fantasia medieval e steampunk, mais ou menos nos moldes de Arcanum, da Troika. Para viver essa aventura, Torchlight oferece três tipos diferentes de personagem para o jogador escolher. No caso, os três arquétipos básicos de jogos de fantasia: um guerreiro, um feiticeiro e uma espécie de amazona... essa última especializada em armas de longa distância, como arcos, carabinas e pistolas. Apesar da clara separação de habilidades, nada impede, por exemplo, que um guerreiro faça uso de determinadas magias especializadas, ou de armas de longa distância. O mesmo vale para os outros personagens.

Os três personagens/classes de Torchlight

Tal flexibilidade é muito bem vinda, já que os combates em Torchlight são intensos, frequentes e, não raramente, confusos, devido ao grande número de inimigos e feitiços em cena. O jogo utiliza (como já ocorria em Diablo) uma abordagem
isométrica top-down, mas permite que o usuário aproxime ou afaste a câmera do seu personagem. A câmara mais afastada possibilita uma visão melhor dos arredores, porém dificulta a mira do jogador. Com tanta coisa acontecendo ao redor do cursor, fica difícil saber onde você está clicando, e isso muitas vezes pode ser fatal. Penso que seria interessante um esquema parecido com os RPGs da Bioware, onde o jogador clica num alvo, e a partir daí o personagem persegue e dispara golpes automaticamente no inimigo em questão, até este ser morto ou o jogador comandar alguma outra coisa - como o lançamento de um feitiço ou uma mudança de alvo, por exemplo. Facilitaria nosso trabalho e pouparia um bocado os nossos dedos. Sim, porque se o jogador não ficar clicando ininterruptamente, nada ocorre. Enfim, essa é a jogabilidade consagrada de Diablo - com todas as suas virtudes e problemas. Achei mais empolgante - e fácil - usar os feitiços ofensivos de área, que matam uma grande quantidade de inimigos, sem precisar mirar em cada um deles individualmente. Por fim, fica aqui um conselho: comece o jogo no nível "Difícil". O modo "normal" é fácil demais, talvez para atender às hordas de jogadores casuais que cada vez mais ditam os rumos do mercado de games.

Apesar de ser um clone descarado de Diablo, Torchlight procura ir além e implementa algumas (poucas) novidades que seriam muito bem-vindas se fossem adotadas também na franquia da Blizzard. A mais notável delas é o animal de estimação que acompanha fielmente o personagem do jogador, e que o auxilia nos combates. O animalzinho também serve como inventário extra para armazenar os despojos obtidos em combate. Melhor ainda, o jogador pode despachá-lo para a cidade, onde os itens presentes nesse inventário auxiliar serão automaticamente vendidos ao mercador local. Isso é ótimo, pois dispensa constantes retornos à cidade, apenas para se livrar o excesso de bagagem. Por fim, o pequeno pet pode ser transformado em criaturas bem mais poderosas por um curto período de tempo, caso ele seja alimentado com determinados tipos de peixes. Sim, peixes! Que podem ser pescados pelo jogador em pontos específicos dos dungeons, de forma francamente inspirada em Fable, o RPG da Lionhead.

Outra novidade interessante é o "baú compartilhado". Além do tradicional baú pessoal situado na cidade, onde é possível estocar itens do inventário, existe outro baú que é de uso comum aos três personagens do jogo. Nele, o jogador pode transferir itens que considera inúteis para o seu personagem atual, mas que podem ser de grande valia para um outro personagem, em um outro momento. Assim, se o seu personagem guerreiro encontrar um excelente arco, mas irrelevante para seu uso pessoal, ele poderá deixá-lo nesse baú de modo que seja aproveitado mais tarde por outro - como a amazona, por exemplo.

De resto, Torchlight é muito semelhante a Diablo. Qualquer fã da franquia da Blizzard se sentirá em casa aqui. Mas eu gostaria de ter visto mais variedade, mais novidades, mais evolução. O fato é que apesar de ser muito viciante, o jogo é muito acéfalo e esquecível também. E isso cansa depois de um certo tempo, de forma que o jogador perde o pique e o interesse após sessões mais demoradas. Mas para sessões curtas - quase casuais, eu diria - Torchlight diverte e relaxa, sem complicação. E é aí que está o seu principal trunfo, e o seu maior objetivo.

Torchlight pode ser adquirido por aproximadamente vinte dólares, para download. O Steam estava oferecendo o jogo por apenas $10 nas promoções de final de ano, e teve dia que o título podia ser adquirido por apenas $5! Eu, claro, aproveitei para comprar o meu. Fique atento e não deixe passar uma próxima oportunidade dessas. A relação custo x benefício de Torchlight é excelente e nos permite perdoar todos os seus pecadilhos.

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2 comentários

  1. alguem ai pode me da o numero do serial desse jogo?

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  2. Essa é mole, Anônimo! É só você entrar nessa URL:

    http://store.steampowered.com/app/41500/

    Clique em "adicionar ao carrinho", "fechar compra", use seu cartão internacional e imediatamente terá um número serial só seu. Fácil, né?

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