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Dragon Age: Origins - Primeiras Impressões

segunda-feira, fevereiro 22, 2010 José Guilherme Wasner Machado 0 Comentários Categoria: , , ,

Meu personagem (à esquerda) discutindo com o rei. Como assim, nada de férias e 13°?

Depois de uma longa odisséia e muito sangue, suor e lágrimas, consegui receber minha nova placa de vídeo (valeu, Fabiano!). Com isso, posso finalmente voltar à ativa. E bem a tempo, pois a fila de jogos é longa. São vários os títulos que eu comprei nesse meio tempo, sem falar dos que ficaram concluídos pela metade. Na semana passada, fazendo um bom uso dos (poucos) intervalos de descanso que consegui nesse período turbulento, aproveitei para dar início a Dragon Age: Origins, um dos títulos que eu vinha aguardando com muita expectativa, pois sou grande fã dos RPGs da Bioware. De cara, boas notícias - nenhum problema para instalar, nenhum problema de DRM.

Após iniciar uma nova partida, pude criar meu próprio personagem do zero, como cabe a todo bom RPG que se preze. Essa é uma parte que aprecio bastante, e devo ter perdido uma boa hora até configurar um personagem que finalmente me agradasse. As opções estéticas são bem completas, e um jogador detalhista e esforçado poderá sem dúvida criar um personagem único e distinto, pelo menos do ponto de vista visual. É possível até mesmo editar o retrato do personagem, que pode inclusive ser uploadeado e usado depois no fóruns da Bioware. Com relação às opções de classe e raça, a seleção já não é tão extensa, uma vez que o jogo oferece apenas três classes básicas (fighter, mage e rogue) e apenas três raças (humanos, elfos e anões). Essas últimas, todavia, diferem-se bastante dos arquétipos tolkenianos. Os elfos, por exemplo, são uma raça subjugada, marginalizada e condenada a trabalhos serviçais.

Biscoito, meu fiel cão de batalha assassino.

Como já havia citado em outro post, uma das características mais peculiares de Dragon Age é o seu sistema de origens, que constrói um background para o seu personagem, antes mesmo da quest principal se iniciar. Muitas das decisões que o jogador tomar na sua origem irão influenciar a história mais tarde. A minha história de origem (nobre, humano) - a única disponível para a classe e raça que eu escolhi - foi bem simples e direta, mas nem por isso pouco empolgante. De fato, ocorreram certos eventos que demonstraram cabalmente o tom adulto que a Bioware adotou para o título. Esse, definitivamente, não é um jogo para crianças.

Após concluir a dramática história de origem, meu personagem iniciou a quest principal e comum a todos os personagens, seguindo ao encontro dos exércitos do Rei, que se preparavam para enfrentar um invasão crescente de seres demoníacos. Lá eu recebi minhas primeiras tarefas, que serviram de teste para que eu fosse admitido com sucesso nos "grey wardens", uma espécie de elite de guerreiros, cuja missão é justamente deter tais invasões demoníacas. Sei que isso tudo parece bem banal e clichê, mas não é. A beleza está nos detalhes. Todavia, evito aqui aprofundar no assunto, para não revelar momentos importantes da trama.

Tragédia em família. A Bioware não faz concessões.

Nessa fase ainda inicial do jogo, as missões e os cenários estão bem lineares, e não permitem muita liberdade, seja de escolha, seja de trajeto. Pelo que li, o leque de opções e de lugares deve se abrir mais tarde. Como, aliás, já é costume nos RPGs da Bioware. Ainda bem, pois a última coisa que desejo é ver os RPGs ocidentais seguirem as amarras da escola oriental. Os primeiros cenários são interessantes, mas não impressionam graficamente. E pelo menos um deles, uma floresta que fica próxima ao quartel-general dos exércitos do Rei, têm um visual MUITO datado. Para comparação, as florestas de Oblivion, um jogo lançado quase cinco anos atrás, são muito mais realistas e bonitas. Algumas resenhas afirmam que esse problema é mitigado à medida que o jogo avança, e que esse cenário em especial foi vítima do longo período de desenvolvimento pelo qual Dragon Age passou - cerca de cinco anos. Seria, portanto, um cenário mais antigo, não atualizado posteriormente. Espero que isso seja verdade.

Se na questão gráfica Dragon Age é apenas correto, na mecânica geral de jogo ele dá um show. A interface é limpa, eficiente e intuitiva, e mostra toda a sua força nos momentos críticos dos combates. Uma característica que me agradou particularmente é a possibilidade de se afastar a câmera até obter uma visão top-down. Visão bem familiar ao veteranos de Baldur's Gate, e que facilita enormemente a orquestração tática dos membros da equipe, o seu posicionamento, a designação de alvos e o direcionamento de feitiços de área. O jogador pode pausar a ação a qualquer instante, para distribuir ordens aos seus comandados. É possível inclusive selecionar múltiplos personagens, usando o tradicional shift+click ou mesmo selecionando uma área com o mouse. Vale notar que esse modo tático top-down só está disponível na versão PC. Os jogadores da versão XBox 360 terão que se conformar com a visão por sobre os ombros dos personagens, o que torna tudo muito mais difícil. Para compensar isso, o grau de dificuldade das batalhas foi reduzido na versão para consoles.

Duncan (ao centro) é o líder dos grey wardens.

Outra opção interessante é a possibilidade dos membros da sua equipe aprenderem habilidades que, se ativadas, atraem ou aliviam a hostilidade dos inimigos sobre eles. Como a equipe do jogador é pequena - o limite é de apenas quatro personagens - tal recurso se mostra valioso, como uma maneira de concentrar o ataque adversário sobre seus personagens mais poderosos e resistentes, permitindo que eles atuem na vanguarda sobre o inimigo, e não sejam desperdiçados na retaguarda, defendendo seus aliados mais fracos. Em Baldur's Gate, com suas equipes de seis personagens, era possível deslocar um guerreiro para proteger os magos e ladinos na retaguarda. Aqui não há esse luxo.

Vale ainda destacar o incrível sistema de scripts do jogo. Com ele é possível orientar a inteligência artificial dos membros da sua equipe para uma série de táticas padronizadas, diminuindo a necessidade de micro-gerenciamento em combate. É possível definir comportamentos-padrão para determinadas condições-chave. Por exemplo, "acione feitiço de cura sobre um aliado, se o seu percentual de energia cair abaixo de 25%", ou "se estiver usando armas de longa distância, procure se manter distante dos inimigos mais próximos". É possível inclusive definir vários scripts diferentes e selecioná-los on the fly, alterando drasticamente o comportamento básico de um determinado personagem para uma postura mais agressiva, mais defensiva, etc. Considerando que as principais batalhas de Dragon Age são bem difíceis (mesmo no nível normal), esse recurso de scripts vem mesmo a calhar.

Morrigan (ao fundo) é uma das personagens mais interessantes do jogo.

Por enquanto é isso aí. Estou gostando bastante do jogo. Por enquanto, ele parece ter merecido as ótimas críticas que recebeu. Voltarei com mais impressões em um futuro post. Agora eu tenho que conquistar uma certa torre, e algo me diz que as coisas não serão nem um pouco fáceis...

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