Planetóide X

Mass Effect 2: Primeiras Impressões

quarta-feira, maio 26, 2010 José Guilherme Wasner Machado 0 Comentários Categoria: , , ,

Terminadas as aventuras de Dragon Age: Origins, é hora de mudar completamente de cenário, indo das terras ancestrais de Ferelden para as frias vastidões do espaço. Estou falando, claro, de Mass Effect 2, o mais novo episódio da ótima franquia de ficção científica da Bioware. É impressionante como dois RPGs lançados tão próximos, e de uma mesma empresa, podem ser tão absolutamente diferentes. E, ainda assim, igualmente superlativos. Mass Effect 2 é mais um atestado da infinita criatividade e competência da desenvolvedora canadense, e pode apontar novos rumos para ela. Tendo jogado um bom pedaço da aventura, relato aqui as minhas primeiras impressões. O texto não contém nenhum spoiler mais importante - ou pelo menos nenhum que já não seja conhecido pela maior parte dos fãs da série, uma vez que foram revelados em diversas resenhas da imprensa especializada. Eles dizem respeito apenas aos momentos iniciais do jogo. Ainda assim, se não quiser tomar conhecimento deles, evite o quarto e o quinto parágrafos.

Shepard está de volta!

O processo de instalação do jogo - como é comum em qualquer título adquirido no Steam - foi simples e sem imprevistos. Dessa vez eu não tive os mesmos problemas com mecanismos de DRM, que tanto me irritaram no primeiro título da série. A única coisa a reclamar é que toda vez que vou jogar, o programa tenta (sem sucesso) se conectar à tal Cerberus Network, atrasando o início da partida. É bastante irritante, pode acreditar.

Irritante também foi o processo de importação do meu personagem, Wasner Shepard (que nome original, não?), oriundo do primeiro Mass Effect. Por algum motivo, o jogo não conseguia localizar o arquivo de salvamento, apesar do título anterior ter sido instalado no diretório default. Pesquisando na internet, descobri afinal uma solução. Tive que mover o savegame para um local específico, sob a árvore de diretórios do novo jogo, e só então pude realizar a importação sem mais atrasos. Saco. Parece ser um problema específico do Windows Vista, mas fica aí o alerta para vocês. Após a importação do personagem, foi-me oferecida a opção de alterá-lo, corrigindo o que porventura não tivesse sido de meu agrado durante a primeira aventura. É possível inclusive alterar a aparência, a carreira ou mesmo o sexo do personagem. Mas, satisfeito com a minha criação original (afinal, ela salvou o universo, não é?), mantive as mudanças num patamar mínimo e comecei logo a aventura.

A sequência inicial é realmente espetacular, com uma pegada bem cinematográfica, como nos acostumamos a ver na série. A Normandy encontra inimigos poderosos e rapidamente é reduzida a sucata. Aqueles que sobrevivem ao devastador ataque tratam de tirar seu time de campo, correndo para as cápsulas de escape. Mas nem todos conseguem alcançá-las. Joker, nosso velho conhecido, é um dos que ficam para trás. Mas, se depender de Wasner Shepard (adoro esse nome, não sei porquê), seu leal piloto não irá encerrar a carreira tão facilmente. Em uma ousada ação - que inclui uma sensacional travessia por um trecho exposto ao espaço - Shepard dá um jeito de salvar a pele de Joker - mas acaba se condenando no processo.

É o fim da Normandy.

É aqui que Mass Effect 2 realmente começa. O corpo congelado e sem vida de Shepard é recuperado por Cerberus. Sim, Cerberus, a organização extremista pró-humanos que, no primeiro jogo, era um dos adversários do nosso herói. Com o uso de técnicas avançadíssimas, a equipe do Cerberus consegue trazer Shepard de volta à vida, após um longo período de coma. Claro que essa segunda chance terá um preço. O objetivo de Cerberus é usar o experiente e calejado comandante para combater uma nova ameaça. Trata-se dos Colecionadores (Collectors), uma enigmática espécie alienígena, que anda abduzindo colônias inteiras de humanos, nas fronteiras do espaço conhecido. O objetivo dessas abduções é um mistério. Caberá a Shepard descobrir as respostas e impedir a ameaça crescente dos Colecionadores. É, não existe almoço grátis.

Os Colecionadores são a ameaça da vez.

A introdução de Cerberus como a patrocinadora de Shepard é um dos pontos mais interessantes de Mass Effect 2. A organização tem objetivos louváveis no presente caso, mas seus métodos são frequentemente questionáveis. Para dizer o mínimo. Frequentemente Shepard terá que lutar contra a própria consciência para alcançar seus objetivos - e no processo alienará muitos dos seus antigos amigos. Mas, quer goste ou não, ele terá de fazê-lo, já que a Aliança (o equivalente "Mass Effect" da Federação de Planetas, de Star Trek) está indiferente à ameaça, e não pretende mover uma palha para ajudá-lo.

O Illusive Man controla Cerberus. E Cerberus controla Shepard. Ou não?

A participação ativa de Cerberus na trama de Mass Effect 2 - principalmente por meio de sua figura-chave, o Illusive Man - elimina uma boa parte do maniqueísmo típico das produções do gênero, o que é ótimo. Na verdade, praticamente nenhum dos novos aliados de Shepard - sejam eles simpatizantes ou inimigos declarados de Cerberus - poderia ser qualificado como "herói", mesmo quando possuem razões justas para suas ações. É uma galeria e tanta de personalidades fascinantes. É cedo para dizer, mas sinto que a duração do jogo será muito aquém do necessário para se aprofundar o conhecimento sobre eles. É difícil classificar qual personagem chamou mais a minha atenção, entre aqueles que pude conhecer até agora. Mas acho que citaria Subject Zero (ou "Jack", para os íntimos ), a sociopata franzina, coberta de tatuagens, e dona de uma personalidade conturbada e violenta - o resultado de uma infância em que foi submetida a uma série de impiedosos experimentos científicos.

Subject Zero. Ou simplesmente Jack.

Apesar do background incomum e da personalidade marcante, Jack é um bom exemplo de algo que me incomodou bastante em Mass Effect 2. Temos aqui essa garota que, segundo o jogo, foi criada para ser uma arma biológica e, portanto, é possuidora de poderes devastadores, muito acima da escala normal. Quando a encontramos, ela está literalmente reduzindo uma estação a escombros. É, o jogo faz questão de mostrar a extensão assustadora das suas habilidades, e do perigo que elas representam. Compreensivelmente, é grande a expectativa de vermos aquele poder sob nosso controle. Mas assim que Jack entra na nossa equipe, e passamos a utilizá-la em combates, seus poderes não diferem muito de tudo que vimos antes. Mesmo em relação a inimigos bem mais mundanos, o que é brochante. Essa decepção se repete com outros aliados que você irá encontrar ao longo da sua aventura, e é algo que poderia ter sido evitado com um pouco mais de inteligência.

Miranda Lawson é muito gostosa. E mortífera também.

Os personagens do jogo são muito bem modelados (destaque para popozuda Miranda Lawson), porém as texturas deixam a desejar, principalmente em NPCs secundários. É comum a ocorrência de texturas estouradas e bem pixeladas. Por mais que lembremos que o jogo precisa rodar nos xisbocas da vida, ainda assim lamento que Bioware não tenha feito um trabalho menos porco na versão PC. O efeito é mais sério em personagens humanos "genéricos", que não raramente exibem um visual plastificado. As expressões faciais são convincentes, embora meio esquisitas às vezes. Irrepreensível é o cast de vozes, bem variado e talentoso, como é costume nos jogos da desenvolvedora. Seguindo a tradição da Bioware, são disponibilizadas várias opções de romance, mas não tendo iniciado ainda nenhum, deixarei para elaborar esse tópico em uma futura resenha.

De forma geral, a interação com os personagens é muito satisfatória, e o cinematográfico modo de diálogo que caracteriza a série foi aprimorado com "ações especiais", que podem ser ativadas em determinados momentos. Essas ações são mapeadas para os botões esquerdo (ações renegade, ou "do mal") e direito (ações paragon, ou "do bem") do mouse. O usuário pode acioná-las quando o ícone correspondente aparecer na tela, durante os diálogos. É importante ser rápido, pois passado o contexto adequado para a ação, ela desaparece para sempre. Com elas é possível, por exemplo, interromper um interlocutor mal-educado, dando um murro nas suas fuças, ou evitar que um aliado encerre a discussão atirando em seu adversário. São ações pré-programadas, mas isso não impede que elas sejam surpreendentes, já que o jogador não tem como saber de antemão o que vai ocorrer. Vale observar que nem sempre é algo que ele gostaria de fazer. Em uma dessas ações, por exemplo, acabei matando a sangue frio um adversário que iria se entregar pacificamente. É recomendável salvar o jogo com frequência, para o caso de se arrepender da ação executada.

Na resenha final desse jogo, a jogabilidade de Mass Effect 2. Afinal de contas, esse é um RPG ou um shooter? Até lá!

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