Planetóide X

Dingoo, solução econômica para emulação de games, agora no Brasil

sexta-feira, agosto 27, 2010 José Guilherme Wasner Machado 2 Comentários Categoria: ,

Dingoo A320: relação custo x benefício difícil de bater...
A cada dia aparecem novos portáteis especializados em emulação de jogos. Aqui mesmo no Planetóide X eu já citei dois, o GP2X Wiz e o Open Pandora. Nessa categoria em franca expansão, existe um aparelhinho que está se tornando particularmente popular no Brasil. Trata-se do Dingoo A320, de fabricação chinesa. Razões para o sucesso não faltam: ele é bem mais barato que os concorrentes, possui um hardware poderoso para a sua faixa de preço (sua relação custo x benefício é quase imbatível) e é fácil de ser importado. Como pode hospedar uma versão especial de Linux, o Dingux, ele oferece total liberdade para o seu dono instalar os players e emuladores que bem desejar. Além disso, já existem firmwares alternativos, com várias evoluções e recursos extras, o que garante a independência dos usuários em relação aos humores do fabricante. Um fator sempre relevante em aparelhos desse tipo. O Dingoo disponibiliza até mesmo um cabo para TV e, sendo um competente player de vídeo, pode tornar-se uma boa alternativa para quem deseja assistir filmes fora de casa. Ele também é leitor de e-books e receptor FM. Nada mal, não?



Vamos às especificações desse notável aparelhinho. Dimensões: 125 × 55.5 × 14mm, pesando cerca de 110 gramas, e com bom acabamento. A tela é um LCD de 2.8 polegadas, com resolução de 320 x 240 pixels, perfeitamente adequada para o seu propósito principal: emular jogos das eras 8 e 16 bits. O processador é o pouco conhecido Ingenic JZ4732, com clock reduzido de 360 Mhz. É possível chegar aos 400 Mhz nominais com o uso de um aplicativo especial. O portátil vem com 4 Gb de armazenamento interno e 32 Mb de RAM. Uma nova versão, lançada há pouco tempo, virá com 64 Mb de RAM. Nativamente, o Dingoo suporta os formatos RM, MP4, 3GP, AVI, ASF, MOV, FLV, MPEG, MP3, WMA, APE, FLAC e RA, entre outros. Mas se você optar por instalar o Dingux, é possível reproduzir praticamente qualquer formato mais popular. Veja a relação completa das especificações aqui.

O A330, sucessor do Dingoo A320

O Dingoo já vem com alguns emuladores instalados, que conseguem reproduzir os jogos das suas respectivas plataformas com um grau variável de sucesso. São suportados nativamente: GBA, NES, Neo Geo, SNES, CPS1, CPS2 e Sega Mega Drive/Genesis. Com o Dingux (via dual boot) ou os firmwares alternativos, vários outros emuladores são suportados, como o MAME (essencial!), PC Engine, Commodore 64, Coleco, e muitos, muitos mais. Existe até mesmo um emulador de Playstation, embora eu tenha lá as minhas dúvidas que o aparelho dê conta do recado, uma vez que ele não tem um processador gráfico 3D dedicado. As tarefas de renderização dos polígonos e texturas devem consumir horrores da CPU, algo que certamente trará problemas para jogos mais sofisticados. Ainda assim, é possível encontrar por aí vídeos do Dingoo emulando clássicos do PS1. Eu fico com um pé atrás. Vale ainda observar que os emuladores alternativos são, via de regra, superiores aos emuladores nativos, em termos de performance, compatibilidade com as ROMs, etc.


O principal atrativo do Dingoo é mesmo o seu preço. Ele sai por pouco mais do que $83 (cerca de R$145,00) em sites como o Deal Extreme, sem contar eventuais impostos. Um GP2X Wiz sai pelo dobro do preço (mas, vale lembrar, ele é bem mais poderoso). Em sites como o Mercado Livre e o Asiatronic é possível encontrar o Dingoo por preços em torno de 240 reais. Além disso, já existe uma boa comunidade ativa de usuários no Brasil, com vários blogs e sites dedicados ao aparelhinho. Ou seja, você não estará sozinho, e nem abandonado, em sua nova mania.


Tanto sucesso por aqui chamou a atenção da nossa Dynacom, que irá representar o Dingoo no Brasil. O preço sugerido por ela? Salgados 450 reais (!!). Quase o triplo do valor do importado, e o dobro do cobrado por importadores não oficiais. Como sempre, o que mata no Brasil é a ganância. Estava aí uma chance de ouro de conquistar o mercado de menor poder aquisitivo no Brasil, coisa que o Zeebo tentou e, como já era esperado, não conseguiu. Se um importador "alternativo" consegue vender aqui o Dingoo por módicos 240 reais, já incluídas aí as suas despesas e o seu lucro, a Dynacom certamente conseguiria trazer por um preço ainda menor, uma vez que ela adquirirá o aparelho direto com o fabricante, e também terá os seus custos diluídos pela escala (muito) superior. Ainda que levemos em consideração que ela fará tudo "by the book" (leia-se, irá pagar os extorsivos impostos cobrados por aqui), que o preço inclui a margem de lucro do revendedor, e que ela terá despesas extras, como publicidade e assistência técnica, não justifica um preço tão despropositado. Na minha opinião, se ela cobrasse na faixa 300 a 350 reais, seria um preço bem mais justo e realista, e seu lucro seria maior, pois atingiria um mercado muito mais abrangente.


Mas não adianta. Muitos empresários tupiniquins ainda não aprenderam uma lição há muito assimilada lá fora: de que o bom negócio é aquele onde os dois lados sentem que estão ganhando alguma coisa. Não, se o caras não tiverem a sensação de que estão espoliando o consumidor, arrancando até as suas cuecas, fazendo-o de idiota, o negócio não terá valido a pena. Eles preferem ter poucas vendas, mas lucrar absurdamente em cada uma delas, do que vender horrores, com uma margem individual de lucro menor - mas que, no final, resultaria em somatório bem superior. Parece que eles nem consideram essa segunda hipótese. É um reflexo da cultura local. Vivemos em um país onde o consumidor ainda é visto como um trouxa a ser explorado.

Minha recomendação? Prefira o importado, mesmo com os riscos inerentes e possíveis aborrecimentos. Mas, e a garantia? Pelo preço absurdo do Dynacongoo, mesmo que você jogue fora o seu aparelho quando ele quebrar, e importe um outro, novinho em folha, sairá mais ou menos elas por elas. E você não terá a sensação de ter sido explorado.
Dingoo carregando o Dingux em dual boot (fonte)

De resto, valem as ressalvas de sempre. As ROMs que contém os jogos não vem com o aparelho (ele vem apenas com uns poucos jogos nativos). Elas são, digamos, "gratuitas", mas tem que ser procuradas na internet e baixadas. A pegadinha é que o uso de ROMs é considerado, via de regra, pirataria. Portanto, algo ilegal. Como o fabricante só disponibiliza o aparelhinho, a ilegalidade cai nos seus ombros, prezado comprador. Por outro lado, a maioria esmagadora desses jogos não é mais comercializada, e parece não haver interesse algum em fazê-lo, seja agora ou em um futuro próximo. Dessa forma, não deixam de ser abandonwares. Então, de um ponto de vista ético, não enxergo maiores problemas no seu uso, exceto pela questão legal. Fica a cargo do critério e do bom senso de cada um decidir se vai ou não utilizar uma determinada ROM. Se o jogo em questão estiver sendo comercializado de alguma maneira, melhor evitá-lo. Opções é que não faltarão, pode apostar.

(obrigado ao amigo Fabiano, do Nerdmor.com - um feliz possuidor de um Dingoo novinho em folha - pela dica!)

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2 comentários

  1. Marcos A. S. Almeida29 de agosto de 2010 22:35

    Fala Wasner, acho que é a primeira vez que comento por aqui, mas parabéns pelo novo blog e já está adicionado nos meus favoritos, pois se fala de games , tô dentro! E se o C.Aquino indicou, tá indicado. Concordo que deva rolar um controle nos comentários , é altamente saudável e está no seu direito , mesmo porque o bom senso entre comentadores não é uma unanimidade.Mas particularmente eu senti uma certa agressividade nesses seus termos acima."MINHA casa", "NÃO È uma democracia" ,"...OU NÂO USE..." sei lá.Seria mais legal se você simplesmente moderasse os comentaristas incovenientes , sem avisos ameaçadores.Mas tudo bem, aqui é a SUA casa, então isso é só um singelo comentário...

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  2. Prezado Marcos, não tiro sua razão no que comentou acima. É perfeitamente razoável o seu ponto de vista. O problema é que a internet está lotada de trolls e bullies, pessoas sem nada para fazer e que não sabem usar o espaço de comentários sem serem agressivas, destrutivas e mal-educadas. Isso acaba enchendo o saco alguma hora. Mas vou pensar seriamente na sua sugestão.

    Grande abraço!

    Guilherme

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