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PC Gaming: O Estado da Nação

domingo, outubro 24, 2010 José Guilherme Wasner Machado 2 Comentários Categoria: ,

O PC Gaming vai muito bem, obrigado!
Antes da nossa conversa, o leitor deve conferir estas duas notícias muito interessantes:
Com base nesses dois artigos, creio que podemos fazer algumas projeções sobre o estado atual do PC Gaming. Para tanto, usarei dados estatísticos fornecidos pelo Steam, a plataforma mais popular de distribuição digital de jogos. Considerando que hoje esse serviço conta com mais de 30 milhões de usuários, penso que podemos considerá-lo como uma amostragem representativa do mercado de PC Gaming como um todo. Para simplificação, considerarei o número total de clientes do Steam como sendo de usuários de alguma versão do Windows. Já que os usuários MacOS totalizam apenas 5%, não irão alterar significativamente as amostragens/proporções utilizadas abaixo. Todavia, é importante que o leitor tenha em mente que os números obtidos a seguir serão uma aproximação bem grosseira. Uma grande margem de erro fica, dessa maneira, subentendida. Vamos lá?

Pela amostragem do Steam (via Hot Hardware), a ATI detém 87% de todas as placas DX-11. E, como vimos acima, a ATI vendeu 25 milhões de placas DX-11 até o momento. Podemos usar esses números para estimar o tamanho total do mercado DX11:

87% - 25 milhões
100% - ? = ~29 milhões

Ou seja, temos aproximadamente 29 milhões de placas DX11 vendidas até o momento, se somarmos as placas ATI com as de sua concorrente, a NVIDIA. Para efeitos de comparação, o XBox 360 vendeu até agora 42 milhões de unidades, seguido pelo PS3, que vendeu 38 milhões. Ou seja, o desempenho do mercado DX11, por si só, já é digno de nota.

Mas o mercado DX11 é uma minoria absoluta, se comparado com o mercado de placas DX10. Recorrendo novamente aos dados estatísticos do Steam, verificamos que as placas DX11 correspondem a apenas 12% do total, enquanto as placas DX10 somam 73% dos usuários do serviço. Vou desprezar aqui os PCs com placas DX9 ou mais antigas. Dessa maneira, podemos dizer que 85% (12% + 73%) dos usuários de PC possuem placas bem modernas, que suportam no mínimo DX10. Como estimamos o mercado DX11 em 29 milhões, podemos então projetar o mercado total DX11 + DX10:

12% - 29 milhões -
85% (12% + 73%) - ? = ~ 205 milhões.

Chegamos então ao número aproximado de usuários de PC que possuem máquinas capazes de rodar jogos modernos, com qualidade ao menos aceitável: 205 milhões. Mesmo com uma margem de erro generosa, isso é quase três vezes a base instalada combinada dos dois consoles next-gen. Ainda que somemos a esse número a base instalada de Wiis (71 milhões), o que resultaria em um total de pouco mais de 150 milhões de consoles, ainda assim os Gaming PCs estariam com larga dianteira. Mesmo o console mais vendido em todos os tempos, o PS2, com 145 milhões de unidades vendidas, só consegue atingir 3/4 do montante aqui presumido de Gaming PCs DX10/DX11.

Parecem números impressionantes, inacreditáveis, não? Mas quando lembramos que somente as placas DX11 da ATI já correspondem, sozinhas, a cerca de 60% da base instalada do XBox 360, e que elas são ampla minoria dentro do quadro geral, começamos a perceber a força do PC Gaming. Vale ainda notar que os 205 milhões acima levantados não levam em conta PCs com placas DX9. Mas elas não são desprezíveis. De fato, há boas placas nesse segmento,perfeitamente capazes de rodar jogos em configurações mais modestas ou com requisitos menos demandantes. Como o popularíssimo World of Warcraft, por exemplo, que possui impressionantes 12 milhões de assinantes - mais do que alguns países.

É importante, todavia, verificar se os números acima não estão "contaminados" por PCs desktop comuns, sem maior capacidade para executar games modernos. No caso dos números do Steam, podemos ter razoável segurança de que a esmagadora maioria refere-se a gaming PCs, já que o mote do site é justamente a venda de games. Ainda assim, um número razoável dos títulos vendidos pelo site é de jogos com exigências modestas de hardware, o que pode introduzir uma margem de erro nos cálculos acima. Minha opinião, entretanto, é de que a grande maioria de clientes do Steam é composta por gamers entusiastas, e não casuais. No caso dos números da ATI, eles poderiam estar inflados com soluções on board DX11. E, como sabemos, dificilmente um PC com solução on board é uma plataforma viável para games mais avançados. Todavia, em uma rápida pesquisa no site da ATI, não encontrei nenhuma solução DX11 on board (apenas DX10). Sendo assim, podemos presumir que os números divulgados referem-se a placas de vídeo individuais. Ainda que, entre elas, existam soluções mais econômicas, todas conseguem executar jogos mais modernos, mesmo que para algumas seja necessário optar por uma resolução menor ou desligar alguns dos recursos gráficos mais avançados de determinados títulos.

A conclusão a que chego a partir disso tudo? Mesmo se colocarmos uma grande margem de erro - 20%, digamos - o mercado para jogos não-casuais de PC é enorme. Se considerarmos apenas esse fator, é fácil perceber que o PC Gaming não está ameaçado de morrer. As desenvolvedoras que abandonarem a plataforma estarão desprezando uma quantidade absurda de clientes em potencial. E, com o custo estratosférico de produção dos títulos AAA, desprezar os pc gamers não seria uma atitude muito inteligente. Há, claro, a questão da pirataria. Chutando que uns 80% a 90% dos jogadores de PC praticam a pirataria com regularidade, essa base potencial diminui inapelavelmente. Mas o crescimento e a evolução das plataformas de distribuição digital - como o Steam, por exemplo - aponta uma solução de médio ou longo prazo para esse problema.

O futuro me parece brilhante.

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2 comentários

  1. Algumas postagens clássicas deste blog, como esta aí acima mesma, bem como a do comparativo entre placas de vídeo e consoles da geração passada, além do custo real do PC Gaming bem que mereciam terem novas versões reescritas diante do panorama atual. Por mais bem escritos que tenham sido em suas respectivas épocas o fato é que eles não são mais refletem a realidade passados uns cinco anos. Não digo apagar ou reescrever as postagens antigas, pois possuem uma certa relevância histórica, mas reeditar em novas postagens versões "para os tempos modernos". Eu sei que dá trabalho comparar preços e também a performance dos hardwares, mas estas matérias foram incrivelmente úteis durante a geração passada e poderiam a vir a ser de imensa serventia atualmente se refletissem o panorama atual. Fica a sugestão, junto com meus votos de feliz 2016. Abraços.

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  2. É uma excelente sugestão, Thiago. Eu também venho pensando nisto há um certo tempo. Está nos meus planos, com certeza.

    Um ótimo 2016 para você também!

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