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Fallout: New Vegas - Uma (Atrasada) Resenha

quarta-feira, fevereiro 16, 2011 José Guilherme Wasner Machado 17 Comentários Categoria: , , , ,

(clique nas imagens para ampliar)

Depois de pouco mais de 100 horas de jogo, finalmente completei Fallout: New Vegas. Poderiam ter sido mais. Há quests opcionais que não foram feitas, outras tantas que não chegaram a ser descobertas, e mais algumas que ficaram inacessíveis em consequência de decisões previamente tomadas. Enfim, é um jogo massivo, perfeito para jogadores com perfil explorador, e que compensa amplamente o suado dinheirinho nele investido. Contudo, aqueles que pretendem embarcar nessa jornada devem estar preparados para uma quantidade colossal de bugs. Nenhum deles impeditivo, para meu alívio. É um atestado à qualidade da história e da jogabilidade de New Vegas que, a despeito de carregar um problema desse porte, consegue ser um jogaço. Segue a minha atrasada resenha sobre ele (para contexto e história, leia antes aqui).


É ótimo retornar às wastelands...

Claro que nem tudo são flores. A vetusta Gamebryo exibe aqui toda a sua decrepitude. Persistem os mesmos problemas de sempre: objetos que flutuam sobre o solo, animações toscas, meshes abaixo do padrão de qualidade que se espera de uma produção desse nível, sistema de diálogo completamente obsoleto, oscilações (flickering) na renderização de longas distâncias e de superfícies líquidas, etc. Mesmo o ponto forte da Gamebryo - a exibição de paisagens deslumbrantes - se perdeu em algum ponto do passado. Hoje seu padrão é apenas aceitável, e olhe lá. Com tanto poder bruto disponível nas placas atuais, e com tanto ainda a se evoluir em direção ao foto-realismo, dá tristeza observar os gráficos de New Vegas e imaginar o que eles poderiam ser, sem as amarras provocadas pelos consoles e o desenvolvimento multiplataforma. Para vocês terem uma idéia, uma placa gráfica atual, de perfil mediano, entrega algo em torno de quatro vezes a potência de um console de última geração. Mas seria injustiça culpar apenas os xisbocas da vida pela mediocridade gráfica de New Vegas. Não há dúvida de que existe espaço para alguma evolução, mesmo com as limitações impostas pelos consoles. Vamos ver o que Skyrim nos trará nesse quesito, embora seus primeiros screenshots tenham me decepcionado um pouco. O que salva New Vegas no departamento gráfico é o velho charme do visual "retrô pós-apocalíptico" tão característico da série. De resto, espero sinceramente que o próximo jogo abandone a Gamebryo de vez.

Cass é sua companhia para todas as horas. Bem, não todas.

Com relação à jogabilidade, New Vegas implementa alguns bons avanços em relação a Fallout 3. Ainda que longe da perfeição, o sistema de companhias está bem mais evoluído, permitindo maior controle sobre o comportamento dos seus aliados em combate. Esses novos amigos não serão apenas armas de aluguel, mas NPCs bem construídos, que terão habilidades específicas, darão opiniões sobre suas ações e oferecerão missões de seu próprio interesse. É o fim da solidão nas wastelands. Só não espere algo sofisticado como nos jogos da Bioware. Além disso, o novo e opcional modo hardcore introduz fatores antes desprezados como fome, sede, necessidade de sono, e muito mais. Para a turma oriunda dos rincões dos FPS (jogos de tiro em primeira pessoa), mais interessada em atirar e seguir adiante, esse novo recurso provavelmente será considerado um irritante contratempo. Mas para os fãs de RPGs, principalmente os mais antigos, é um muito bem vindo fator extra de imersão na pele de seu personagem.

Uma morte silenciosa espera algum infeliz que teve a temeridade de cruzar o meu caminho!

A adição do modo hardcore, todavia, não significa que os fãs de shooters tenham ficado em segundo plano. O modo de tiro em tempo real, fora do VATS, também foi aperfeiçoado, e agora se comporta mais como em um FPS convencional. Dispare com suficiente precisão e o projétil encontrará seu alvo, independente da proficiência do personagem do jogador. Isso, todavia, tende a reduzir drasticamente a importância do modo VATS, pelo menos para alguns estilos de jogo. Para personagens sniper, que preferem matar silenciosamente a longa distância, o VATS se torna uma alternativa bem menos vantajosa. Afinal, se o jogador mirar corretamente no inimigo, irá acertá-lo. Ponto. Mas se ele usar o VATS, ficará na dependência de uma probabilidade calculada sobre a proficiência de seu personagem e atenuada pela distância do alvo. Isso resulta em chances bem pouco favoráveis, principalmente no início do jogo, quando seu personagem ainda está em níveis mais baixos.

Nem pergunte.

Mas não é apenas na situação descrita acima que o VATS mostra suas limitações. Na climática batalha ao final do jogo, seu personagem é forçosamente jogado em meio a um combate frenético, de luta corpo a corpo, com inúmeros NPCs - aliados e inimigos - correndo em todas as direções. É praticamente impossível mirar sem o auxílio do VATS, e sem ele o jogador terá que atirar a esmo, torcendo para que seus disparos acertem o inimigo, e não os aliados. O VATS, portanto, se torna absolutamente essencial, já que permite paralisar a cena, estabelecer uma estratégia e atribuir corretamente os alvos desejados. Mas é justamente nesse momento crítico, onde esse recurso é mais necessário, que ele mostra suas limitações. Já que os inimigos, a essa altura, são de um nível elevado, o jogador precisa usar suas armas mais poderosas para abatê-los em tempo hábil. O problema é que essas armas fodásticas consomem um número abusivo de "pontos de ação", e por esse motivo o jogador dificilmente conseguirá matar mais de um adversário em uma única sessão do VATS. É necessário então esperar um período de cooldown até que seja possível acioná-lo novamente. Durante esse período vulnerável, o jogador terá que enfrentar, em tempo real, um verdadeiro exército, com gente atirando de todos os lados, sem muitas opções de cobertura para seu personagem, e tendo que agir rapidamente para impedir que seus aliados sejam massacrados. É um cenário dramático, onde a jogabilidade de New Vegas se mostra precária, necessitando de uma evolução urgente. Por sorte, situações extremas como essa não são tão frequentes durante o jogo, mas é uma pena que, justo no clímax da história, a engine escancare suas deficiências, tornando a experiência bem pouco atraente.

Acho que vou declinar da oferta, Jane...

Outro aperfeiçoamento de New Vegas é a possibilidade de usar uma bancada especial para reduzir uma determinada munição aos seus componentes básicos, e daí usar esse material para produzir munição de um outro tipo. Assim, se o jogador está em falta de projéteis de um tipo "X", mas está sobrando munição do tipo "Y", há a possibilidade de converter a segunda na primeira, desde que ele possua as cápsulas necessárias (sobras de disparos anteriores) e outros materiais. É uma idéia inteligente, mas faria mais sentido em um cenário de escassez de munição. Como, aliás, seria o mais provável de se esperar em um mundo pós-apocalíptico como o de Fallout. Porém, não é o que ocorre aqui. Embora a munição apareça em quantidades bem menos generosas do que em Fallout 3, ainda assim ela é por demais abundante, de modo que o jogador dificilmente precisará recorrer a esse novo recurso, tornando-o meio irrelevante.

Caravanas como essa vendem todo tipo de tralhas necessárias à sua sobrevivência.

O que realmente coloca New Vegas num patamar superior ao de Fallout 3 é a qualidade da sua história e de seus personagens. Não que o jogo da Bethesda (que ali atuou também como desenvolvedora) seja mal escrito, não me entendam mal. Mas esse realmente nunca foi o ponto mais forte da criadora de Elder Scrolls. Além disso, Fallout 3 parecia estranhamente vazio, desprovido de missões. É como se a Bethesda tivesse investido tanto esforço na construção das suas fundações, que pouco tempo sobrou para preenchê-lo com um número de quests à altura da amplidão dos seus cenários. New Vegas não comete o mesmo erro. Apesar da missão principal não primar pela longevidade (jogadores apressados podem finalizá-la em menos de 30 horas), o jogo exibe uma quantidade colossal de quests paralelas, e sem nunca descuidar da qualidade. Há grande variedade de temas, muita imaginação, diálogos e situações bem bolados e personagens inusitados. Penso que o jogo irá agradar especialmente aos fãs veteranos da franquia. Não é acidental. Vários integrantes da Obsidian (a desenvolvedora do New Vegas) são ex-funcionários da saudosa Black Isle, a mente criativa por trás dos dois primeiros títulos da série. Muito do conteúdo do jogo, por sinal, foi baseado diretamente no material escrito para o finado Fallout 3 da Interplay (mais conhecido pelo codenome Van Buren). Alguns fãs mais radicais preferem considerar New Vegas como sendo o verdadeiro Fallout 3, em detrimento ao RPG da Bethesda, mesmo que tenham lá as suas críticas à jogabilidade "moderna" do novo título.

Nada mal... nada mal mesmo.

Controvérsias fanboyísticas à parte, o fato é que New Vegas é realmente mais interessante que Fallout 3. O universo pós-nuclear não se parece mais com uma fábula estática e descolada da realidade, mas sim um universo factível, onde seus habitantes tentam levar suas vidas da melhor maneira possível, e buscam reconstruir o seu devastado mundo. Há também um maior número de facções, com diferentes valores e propósitos. Algumas delas com motivações bem mais complexas do que podem aparentar num primeiro momento. É fácil perceber quais delas são "do bem" e quais são "do mal", mas não serão tão óbvias as consequências de apoiá-las ou combatê-las. Você deve ajudar o enigmático Mr. House e, assim, assegurar uma rápida evolução tecnológica da humanidade, com todos os benefícios que disso adviria? Mas ao custo de uma ditadura duradoura e personalista, que provavelmente se manteria por séculos? Ou, quem sabe, você deveria apoiar a força civilizatória da NCR? Que, em contrapartida, submeteria a pobre população local a pesados impostos, regulamentações, burocracia e corrupção? Nenhuma das idéias lhe agrada? Então talvez você deva combatê-los, aliando-se à truculenta Legião. Só que esses caras são uns malditos escravagistas, que pensam que lugar de mulher é na cozinha e que punem transgressões com o martírio da crucificação. Enfim, uns doces de pessoas. Em vista disso, quem sabe a melhor opção não seja obter o poder para si mesmo? Mas ao custo de trair e eliminar muitos dos seus amigos e aliados que, vale lembrar, confiaram em você. É... difícil decisão.

Nada mal... nada mal mes... ok, eu tenho um problema.

Qualquer que seja o rumo que decidir tomar, você será confrontado com as suas consequências, após vencer a decisiva batalha final. Pois, assim como ocorre em Fallout 3, New Vegas tem um encerramento. Não é possível prosseguir o jogo após concluir a missão principal, ao contrário do que ocorre nos títulos da série Elder Scrolls. Pessoalmente, considero um erro essa decisão de design. Seria ótimo continuar explorando as vastas wastelands, desvendando seus segredos ainda escondidos e dando prosseguimento às missões em aberto, sem ser obrigado a recorrer a um savegame mais antigo. Não acho que seria um grande desafio para a Obsidian incluir um trigger que fizesse os NPCs reconhecerem o status quo após a batalha decisiva. Como sempre, há MODs que contornam esse problema e muitos outros. É impressionante como o trabalho dos modders está cada dia mais profissional e empolgante, muitas vezes superior ao da equipe original de desenvolvimento. Recomendo fortemente uma visita ao site New Vegas Nexus, que oferece um mundo de possibilidades para tornar sua experiência de jogo ainda mais recompensadora. Um bom ponto de partida é consultar a relação Top 25 do site, ou conferir essa boa reportagem da PC Gamer. Confie em mim, o esforço vale a pena. É também uma boa oportunidade para botar essa sua placa gráfica sedentária para trabalhar de verdade. Chega de moleza para ela.

Tarde demais, seus hippies!

Ao final, pesando os prós e contras, New Vegas é um grande jogo, e uma valorosa contribuição à veneranda franquia Fallout. De muitas formas, ele recupera o legado perdido com a falência da Interplay e da Black Isle. Se não fosse tão infestado de bugs, seria um sério concorrente ao título de melhor RPG do ano passado, e certamente atingiria um metascore superior a 90%, quiçá 95%. Infelizmente, os bugs, apesar de não serem impeditivos, são por demais frequentes para serem completamente ignorados, o que sem dúvida reflete na nota do jogo. Outros aspectos técnicos e de jogabilidade também tiram um pouco do brilho da produção da Obsidian. Mas não se deixe desanimar. Com bugs ou sem eles, com engine ultrapassada ou não, New Vegas é memorável, e você ficará feliz se der a si mesmo a chance de experimentá-lo. Mas não saia de casa sem um boa provisão de RadAway. E um pouco de uísque para a Cass.



Pessoalmente, acho melhor do que o Cristo Redentor

Pelo PIP-Boy. você pode controlar a quantas anda o seu cartaz com aquela facção.

A engine é obsoleta, mas os visuais ainda são charmosos

ED-E não fala muito, mas é uma boa companhia

Passa! Xô!

A velha profissão tem lugar garantido no novo mundo

Ave Caesar! Morituri te salutant!

Um dos muitos bugs do jogo: essa moça bem falante está morta. Sim, morta.

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17 comentários

  1. Ah sim, Fallout NV é um jogo memorável, ainda continuo jogando(com muito conteúdo from Nexus)mesmo após ter terminado, achei legal o fato de vc poder ignorar todas as facções(embora eu tenha matado pessoalmente Caesar e o líder dos Fiends (é isso?) chutando a porta)e fazer seu próprio final.Mas os combates com os Ghouls mais fortinhos(leia-se reaver) continuam bem complicados e irritantes.

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  2. É legal matar os líderes dos fiends e ver que isso se reflete no final. Mas fiquei decepcionado por matar o próprio Caesar e ver que isso não mudou absolutamente NADA na questão da batalha final. E olha que foi difícil eliminar o pulha, já que enfrentar aquele acampamento inteiro é dificílimo, mesmo já tendo atingido o leval cap!

    Mas é um JOGAÇO! Recomendo amplamente!

    Abraços!

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  3. eu entrei no strip sem gastar nenhum caps!!! eu paguei 2000 caps pro securitron mk1 mais nenhum caps foi retirado de mim outra vez eu achei um ghoul dentro de um tunel eu o matei com meu love and hate e eu entrei dentro da parede junto com ele!!! maldistos bugs mais I ♥ ESSE GAME

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  4. Preferi ajudar o Mr. House. A RNC e a Legião fedem.

    Melhor jogo de todos os tempos. Sem Dúvidas.

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  5. Cara, fiquei com a impressão que vc não curti quando o jogo coloca um pouco de desafio na equação! o VATS de FO3 sempre foi o botão "ganhei" naquele jogo,com rarissimas e mal balanceadas excessões(como as espongas de HP dos DLCs)! Vc sabia que o personagem recebe menos dano quando entra no modo Vats de FO3? Jogasse algum DLC de New Vegas?

    A reclamação dos bugs é valida,mas muitos dos meritos dos bugs se dá a engine da Bethesda e ao proprio QA,que é a Bethesda que faz! Alias, bugs para a Bethesda é uma caracteristica positiva,enquanto bugs para desenvolvedoras menores como a Obsidian sempre caem na malha fina dos criticos!

    Quanto aos graficos, eu sempre achei eles datados desde a primeira aparição deles,mas isso é uma questão de perspectiva.

    E foi lamentavel o fato de que a Obsidian não ganhou um bonus por causa de 1 ponto do metacritic! A Bethesda tem que amadurecer muito ainda como companhia, e parar de censurar os poucos sites que costumam criticar os seus produtos!

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  6. "fiquei com a impressão que vc não curti quando o jogo coloca um pouco de desafio na equação"

    Ué, de onde vc tirou isso, Breno?

    Desafio para mim é uma QUALIDADE. Desde que o desafio não se apóie nos meus reflexos e velocidade, e sim no meu raciocínio tático e, vá lá, mira (desde que eu possa mirar com relativa calma). Estou ficando velho, e jogos por demais apoiados em ação me cansam e me estressam!

    Aí mesmo no texto acima critiquei coisas como "a abundância de munição" e elogiei "a adição do mode hardcore". Como isso se encaixa em "não curtir quando o jogo coloca um pouco de desafio na equação"?

    Vc está lendo muito seletivamente, Breno! :)

    Abraços!

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  7. Ah, esqueci de comentar... também achei os gráficos de F3 já obsoletos na época em que ele saiu. E não, não joguei nenhum DLC, tanto de F3 quanto de FNV! Pelo que li deles, nenhum compensa realmente o valor cobrado.

    De resto, prefiro FNV a F3!

    Abraços!

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  8. Hehe, posso estar errado! Foi na parte que vc reclamou no final do jogo! Por ex.

    "Mas é justamente nesse momento crítico, onde esse recurso é mais necessário, que ele mostra suas limitações. Já que os inimigos, a essa altura, são de um nível elevado, o jogador precisa usar suas armas mais poderosas para abatê-los em tempo hábil. O problema é que essas armas fodásticas consomem um número abusivo de "pontos de ação", e por esse motivo o jogador dificilmente conseguirá matar mais de um adversário em uma única sessão do VATS. "

    Tive a impressão que vc não gostou do fato do jogo te desafiar com inimigos de nivel alto e pelas armas fodasticas serem balanceadas(já pensou se o fatman de FO3 lancasse 100 misseis por minuto?)para não serem um exploit! Acho que o problema também tá na qualidade do combate ser mediocre! Esses caras tem que se decidir se quer fazer um rpg ou ação

    "E não, não joguei nenhum DLC, tanto de F3 quanto de FNV! Pelo que li deles, nenhum compensa realmente o valor cobrado."

    dos DLCs, o Old World Blues foi o mais elogiado. Teve inspirações no classico Wasteland! Pra quem gosta da ambientação e narrativa tradicional dos Fallouts,acho que deve valer a pena as expansões de New Vegas!

    Quanto ao fato do jogo não continuar depois de zerar, eu li por ai que isso aconteceu porque os desenvolvedores não tiveram como adicionar conteudo que mostrasse as escolhas do personagem!

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  9. "Acho que o problema também tá na qualidade do combate ser mediocre! Esses caras tem que se decidir se quer fazer um rpg ou ação"

    Pois é, Breno, vc próprio já respondeu à questão.

    Repito aqui o que disse: "(...) seu personagem é forçosamente jogado em meio a um combate frenético, de luta corpo a corpo, com inúmeros NPCs - aliados e inimigos - correndo em todas as direções. É praticamente impossível mirar sem o auxílio do VATS, e sem ele o jogador terá que atirar a esmo, torcendo para que seus disparos acertem o inimigo, e não os aliados. O VATS, portanto, se torna absolutamente essencial, já que permite paralisar a cena, estabelecer uma estratégia e atribuir corretamente os alvos desejados"

    Repito: sem o VATS é praticamente impossível atirar corretamente, com inimigos e amigos cruzando em todas as direções. Isso NÃO é "desafio". É simplesmente frustração. Ou fazem um sistema de combate que privilegie a ação e dê ferramentas adequadas para um ser humano normal lidar com isso, ou façam um combate que privilegie o lado tático e não nos faça depender de mira infalível e reflexos sobre-humanos. Não sou o Max Paine nem o Neo para desacelerar o tempo! ;)

    O VATS pelo menos me permitia pensar taticamente, pausando a ação. Se ele "roubava" para o jogador é outra história. Resolvessem isso, se é o caso. Não, não estou pedindo uma arma que dispare 100 mísseis. Mas apenas um sistema de combate que funcione a contento em TODAS as situações, mesmo as extremas.

    Abração!

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  10. "sem o VATS é praticamente impossível atirar corretamente, com inimigos e amigos cruzando em todas as direções."

    Isso me parece uma situação realista de combate,mas a quem eu quero enganar, o combate de Fallout é horrivel(tanto os classicos como os modernos)!

    É por isso que eu tenho muito mais amor pela série STALKER, pois a ação é valorizada e tem uma boa dose de desafio,sem dispensar a complexidade da série!

    Na época em que eu joguei FO3 eu tinha comprado STALKER: Clear Sky junto, só que inicialmente eu preferi FO3 por ser mais facil e por ser mais estavel na minha maquina! Mas quando eu começei a jogar Stalker e aprendendo aos poucos, para mim foi bem melhor! Combate melhor, graficos que dão de 10 a zero em FO3,exploração decente,etc!

    Só mais uma pergunta: O que vc quis dizer com sistema de dialogo obsoleto?

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  11. "Isso me parece uma situação realista de combate"

    Não concordo. Não numa guerra moderna, pelo menos. Exceto se for por um exército de malucos, nenhum comandante vai mandar seus soldados saírem correndo loucamente e atirando a esmo em todas as direções, de forma suicida, sem parar para pensar, mirar, se proteger, etc. O normal - pelo menos depois da primeira guerra mundial - é o pelotão procurar uma posição defensiva de onde possa acertar seu adversário sem se expor muito, avançar ordenadamente, flanquear o adversário, escolher seus alvos, se atirar ao chão no caso de tiros em sua direção, ou recuar a posição, etc. Mas não é isso que acontece aqui, e espera-se que, nós, jogadores, ainda consigamos escolher nossos alvos em meio à balbúrdia, miremos com precisão em alvos se movendo freneticamente, e ainda nos desviemos dos tiros em nossa direção. Talvez o problema seja eu, mas não consigo achar isso divertido ou desafiante... acho caótico, frustrante e altamente dependente da sorte!

    Diálogo obsoleto: o velho esquema de Oblivion, que fixa e centraliza a câmera no rosto do NPC. Fica pouco natural e tira muito da possível dramaticidade que poderia ser obtida de um jogo de câmera mais elaborado.

    Abração!

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  12. Na verdade eu tava falando da possibilidade de fogo amigo,que mesmo com um exercito organizado, oferece a possibilidade! Mas refleti na natureza do combate de Fallout 3/NV e cheguei a essa conclusão parecida com a sua! Como a AI não é das melhores também acaba contribuindo para a natureza doidona!

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  13. O combate, com certeza, e um grande quebra-cabeca pra os desenvolvedores.Ao mesmo tempo que e interessante montar uma estrategia pelo V.A.T.S, principalmente em momentos criticos, nao sei se o jogo renderia tanto se fosse jogado so por esse modo.Os problemas que o VATs apresenta sao reflexo da tentativa dos caras de mesclar.Apesar de frustar,as vezes, produz uma jogabilidade interessante (pra mim).Ao mesmo tempo em que podemos chutar a porta e sair atirando como em um fps comum e interessante montar uma estrategia em alguns momentos,mesmo com todas as falhas.Enfim,concordo que o sistema tenha grandes buracos mas acho que mesmo mal esculpido ele produz um modo interessante de jogar nas situacoes comuns.

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  14. participando da discussão com três anos de atraso, mas vamos lá (nem sei se esse comentário vai ser lido).

    Gostei muito do FO3 pois foi o primeiro jogo da série que joguei. Joguei nos consoles, e de longe era a experiência mais profunda que eu encontrei no estilo steampunk.

    Depois joguei o FONV, que é bastante superior em quase tudo (menos na atmosfera de desolação. acho que os tons mais sombrios do FO3 sempre mexem mais com a mente do jogador do céus azuis e pastagens alaranjadas). o modo Hardocore realmente dá uma balanceada mais pro lado tático, e como fã de RPGs não vejo como jogar sem ele.

    No PS3 não vi muitos bugs, como você cita no texto. teve até uns momentos que eu até parei pra me perguntar "do que raios esse cara tá falando?'", apenas pra lembrar no momento seguinte que estávamos pensando em versões diferentes do mesmo jogo. muito boa a sua análise.

    Depois parei um tempo pra conhecer a série original. Sento um alívio quando o Breno (por sinal, vc ainda tá vivo cara?) falou que o combate da série é ruim desde o primeiro. rejogando o Fallout original eu me dei conta de como jogos até anteriores a ele (como Diablo) possuem uma interface mouse/teclado anos-luz mais amigável e menos burocrática que esse jogo.

    se vc estiver lendo isto, gostaria de ver mais conteúdo no blog, que é um dos poucos com opinião e originalidade.

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    1. Olá, Shadow! Obrigado! Tenho atualizado o blog com alguma frequência... nos últimos meses, na média de um post por semana. Isso deve aumentar um pouco, pois entrei numa fase onde estarei muito atarefado com outras coisas, mas devo continuar mantendo o blog vivo por muito tempo ainda.

      Bem vindo de volta, meu amigo!

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    2. Obrigado pela resposta, Wasner. passei pra dar uma olhada no blog, pois estava relendo um post do Aquino (aquele que ele cita meu blog, de 2011, chamado Blogosfera Gamer) e fiquei abismado em constatar que as coisas não só não mudaram daquele ano pra cá como alguns blogs que o Aquino cita na matéria não estão mais em funcionamento, como é o caso do game blogs.

      eu gosto muito de escrever sobre jogos, e vejo que blogs de qualidade como o seu e o Retina são cada vez mais escassos. adquiri o PS4 este ano e passei a fazer vídeos, já que o console já vem com os recursos necessários para isso. mas simplesmente não é a mesma coisa. bons vídeos existem aos montes, e fica difícil se destacar e se diferenciar nesse território. mas blogs escritos são raros.

      Fico feliz em ver que vc não desistiu do blog, e depois eu passo pra ler as suas opiniões sobre o Dragon Age Inquisition. estou jogando ele e gostando muito. abraços.

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    3. Obrigado pela gentileza, Shadow! Abração!

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