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Razer Switchblade, o Portátil para Jogos de PC

quarta-feira, abril 13, 2011 José Guilherme Wasner Machado 4 Comentários Categoria: ,

O Razer Switchblade (clique nas imagens para ampliar)

A Razer, empresa bem conhecida entre os jogadores por produzir teclados, mouses e outros acessórios de altíssima qualidade, resolveu entrar para valer na briga dos portáteis. Mas não se trata de mais uma plataforma proprietária, nos moldes do 3DS da Nintendo ou do poderoso NGP da Sony. Tampouco é voltado primordialmente para execução de emuladores, como é o caso do Open Pandora, Dingoo e GP2X Wiz, já abordados aqui no blog. A arma da Razer para conquistar uma fatia desse disputado mercado chama-se Switchblade, um micro-notebook baseado em Windows 7, com o processador Atom mais poderoso que estiver disponível na época do seu lançamento. Ou seja, é o primeiro portátil (sério) de games voltado para jogos de PC.



O Switchblade virá com tela touchscreen (capacitiva, multi-toque) de 7", o que o torna o maior dos portáteis até agora. Não foram liberados muitos detalhes até o momento, mas parece que haverá conexão normal para internet, além de 3G, WiFi e Bluetooth. O micro-notebook possuirá saída (mini) HDMI, podendo ser um substituto viável para um HTPC, se tiver potência suficiente para exibir vídeos full HD. Virá também com uma porta USB, permitindo que o usuário conecte qualquer periférico conhecido. Nem mesmo uma webcam foi esquecida. Não há ainda quaisquer informações sobre a sua GPU, mas o Engadget conseguiu botar as mãos em um protótipo, e o testou com o manjado World of Warcraft. O jogo não foi executado redondinho, mas estava perfeitamente jogável. A performance certamente deve melhorar até a versão definitiva, a ser lançada primeiramente na China, em data ainda desconhecida.


O principal diferencial do Switchblade é mesmo o seu teclado configurável, que pode ser customizado dinamicamente para qualquer jogo ou aplicação. Cada tecla individual pode exibir um ícone específico, de acordo com a necessidade do momento. Por exemplo, se o usuário inicia um filme, as teclas se modificam para representar os controles usuais de pausa, avanço, retrocesso, etc. Se ele roda um RPG, as teclas mostram o direcional, ícones de atalho, entre outros comandos úteis. Segundo o Engadget, no World of Warcraft foi possível desabilitar completamente a barra de ícones, já que todos estavam presentes no próprio teclado. Esse fantástico recurso é obtido através de um painel LCD localizado abaixo do teclado táctil de borracha transparente. Dê uma boa olhada nas imagens desse post, e diga se não é algo supimpa.


Como o Switchblade deu as caras pela primeira vez em janeiro, na CES 2011, há pouquíssimos detalhes além dos relatados aqui. O preço, infelizmente, permanece uma incógnita. Pela alta escala de produção, não duvido que a Razer consiga mantê-lo num patamar em torno de 300 dólares, mais ou menos o preço de um Open Pandora. Se custar mais do que isso, a iniciativa pode se tornar um fracasso, ainda mais com a forte competição dos smartphones e tablets. Todavia, vale lembrar que a Razer se especializou em produtos de elite para um público muito específico e endinheirado. Pessoas que não se importam de pagar caro para ter um produto feito sob medida para suas necessidades. Se esse for o enfoque, não espere o Switchblade por menos de 400 dólares.


O maior problema que eu vejo no conceito apresentado pela Razer é que muitos jogos de PC são praticamente inúteis sem o uso de um mouse. Isso é resolvido, em parte, pela tela touchscreen e pela possibilidade de transferir ícones da tela para o teclado. Mas fãs de jogos em primeira pessoa acabarão sentindo necessidade de usar um mouse. Ou pelo menos um gamepad, para os títulos que suportem o seu uso. Não acidentalmente, o Switchblade poderá se conectar com esses periféricos via USB ou Bluetooth. Sinto falta também de um direcional analógico, algo essencial para jogos emulados. Novamente, um gamepad pode resolver essa ausência, embora seja uma solução desajeitada para um aparelho que se diz portátil.


Como conceito, o Switchblade empolga, mas sua sobrevivência dependerá muito das suas características técnicas definitivas e do preço estipulado para ele. Mesmo sendo um aparelho voltado para um nicho, a concorrência não é nada desprezível. Ainda mais agora com a popularização dos smartphones, cada vez mais flexíveis, sofisticados e poderosos. Enfim, é uma jogada para lá de arriscada, mas se a Razer souber jogar suas cartas com a devida inteligência e humildade, pode ter um produto vencedor em mãos. Como PC Gamer, só posso torcer por ela.


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4 comentários

  1. E a bateria? Essa coisa vai precisar de uma bateria poderosa p/ manter as funções de um notebook sofisticado mais tudo isso de ícones e teclas luminosas, mesmo que sejam LEDs. Sem contar que o tamanho reduzido dificulta isso ainda mais. Já consigo até ver os primeiros derretendo com o calor gerado...

    Só um exemplo: Meu DSi XL é pouca coisa menor que o que aparece na última foto e a bateria dura por até 13 horas. Isso em configurações mínimas de brilho, claro. E o DSi nem em sonho roda gráficos tão bons quanto um "portátil de jogos p/ pc" precisaria ter como mínimo.
    Tendo tudo isso em vista (gráficos, duração da bateria e tudo mais), duvido muito que saia por menos de 500 doletas. Na verdade, duvido muito até que consigam lançar algo do tipo com uma bateria de duração aceitável (p/ mim, no mínimo 8-10 horas). Também duvido que atraia muitas pessoas, mas isso não vem ao caso agora.

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  2. É, Bruno, essa questão da bateria é realmente um ponto importante. Bem lembrado. Vale notar que as teclas não usam LEDs, mas um painel LCD (provavelmente segmentado, mas mesmo assim...). Ou seja, o gasto é MUITO maior. Com relação ao público, não sei. A Razer sempre fez grana em cima de produtos caros e de nicho... eles certamente devem ter feito uma pesquisa de viabilidade econômica antes de embarcarem nessa. Ainda assim, é uma aposta para lá de arriscada.

    O jeito agora é esperar até saírem todas as especificações. Não duvido que realmente ultrapasse a barreira dos $500. Vamos ver.

    Abraços!

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  3. Marcos A. S. Almeida20 de abril de 2011 00:25

    Wasner , usando as mesmas palavras que você, como PC Gamer também torço que dê certo;mas sabe aquele produto que você vê e de cara pintam vários mas, mas, mas...É muito MAS pra ele superar!Só o fato dele ter que ter o mouse já é UMA das desvantagens e olha que eu nem citei o fato de ser um ATOM , o que provavelmente limitará os títulos á rodarem nele.o DSi e o PSP têm jogos escritos específicamente para eles e esse aparelho não...sei lá...MAS...Quem sabe não dá certo!

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  4. Verdade, Marcos. É mesmo uma aposta para lá de arriscada, não nego. Ainda assim, é um aparelhinho fascinante. Não é acidental que foi considerado um dos grandes destaques da CES 2011. Com relação ao ATOM, ele não é tão preponderante se houver uma GPU dedicada com razoável poder de fogo. Ainda não sabemos qual será a GPU, então fica difícil prever algo a essa altura. Eu confesso estar bem curioso para ver as especificações finais (especialmente qual será a GPU) e os primeiros benchmarks. Talvez o Atom não se torne um gargalo muito grande, veremos...

    Abraços!!

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