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E3 2011: Minhas Impressões - Skyrim, Mass Effect 3

6/13/2011 08:34:00 PM José Guilherme Wasner Machado 3 Comentários Categoria: , , , , , , , ,


 Sigo comentando alguns dos pontos que mais me chamaram a atenção na E3 2011. Para ler a primeira parte, que aborda o "Wii U" e o "Hardcore Kinect", clique aqui. Neste post, vamos ver a quantas andam Skyrim e Mass Effect 3, pelo que foi apresentado na feira.


Skyrim


A E3 deste ano esteve recheada de títulos promissores, e para todos os gostos. Não vou negar que, de todos eles, Skyrim é o que eu aguardo com maior ansiedade. Adoro RPGs sandbox e a série The Elder Scrolls tem procurado ser fiel aos seus fãs, não capitulando às enormes facilidades, economia e mercado mais amplo que a jogabilidade linear oferece aos desenvolvedores. O evento não me decepcionou. A Bethesda trouxe uma fantástica demonstração do jogo (infelizmente rodando no Xbox 360), que exibe mais detalhadamente o combate e a tão misteriosa e incensada interface "inspirada na Apple". Confira no imperdível vídeo abaixo (releve os insuportáveis apresentadores):

  • Versão em alta resolução (recomendável), clique aqui.
Outra demonstração, um pouco menor, para o Gametrailers:


A desenvolvedora liberou ainda alguns novos e interessantes screenshots, que estão inseridos ao longo do texto dessa seção. Clique nas imagens para ampliá-las.


Alguns pontos a destacar:
  • O inventário contém alguns alimentos, como o salmão, por exemplo. Será que tais alimentos apenas recuperarão pontos de vida do personagem, ou Skyrim incorporará um modo hardcore, a exemplo de Fallout: New Vegas? Dessa forma, exigindo que o jogador se alimente e se hidrate, de tempos em tempos, para não morrer? Seria um elemento de jogabilidade muito bem vindo, principalmente se o processo trouxer penalidades crescentes, proporcionais à fome e à sede do personagem. Dá para notar também que é possível cozinhar alimentos, modificando suas propriedades. Outra provável herança de Fallout: New Vegas?
  • Pelo screenshot acima, suponho que as maiores cidades serão mesmo isoladas do universo do jogo e carregadas à parte, como ocorre em Oblivion. Apenas uma representação simplificada seria vista no cenário geral. Claro que posso estar enganado (espero estar enganado!), e o muro ao redor da cidade ser apenas um elemento de cenário. Mas acho pouco provável. Mesmo com os avanços na engine, o impacto na performance seria grande demais para os consoles suportarem, com seu hardware de cinco anos de idade. A consequência imediata é que o jogo provavelmente não permitirá que o jogador voe, seja nas costas de um dragão, seja através de feitiços de levitação. Afinal, ele poderia voar por cima dos muros da cidade e cair na sua representação visual simplificada. Os modders, claro, tratarão de acabar com essa restrição logo no primeiro mês. As cidades menores, por outro lado, permanecerão abertas e inseridas diretamente no cenário principal, como também ocorria em Oblivion
  • O sistema de magia melhorou absurdamente e, com a adição dos dragon shouts, promete oferecer uma sensação de poder efetivo como não tivemos chance de ver no jogo anterior. O combate, por outro lado, continua meio caótico - embora não pareça ser tão "clickfest" como em Oblivion, exigindo bloqueios e timing preciso para desequilibrar o inimigo. Ainda assim, sua qualidade permanece uma incógnita.
  • As texturas, como se pode ver em alguns dos screenshots ao longo deste texto, melhoraram bastante em comparação com Oblivion, mas continuam decepcionantes para quem possui um PC de configuração mediana. Sendo um título multiplataforma, não seria realista esperar algo muito diferente. Apesar disto, salta ao olhos a evolução da nova engine sobre a velha Gamebryo. Ela traz cenários muito mais realistas e naturais, e encanta tanto pelos detalhes dos objetos próximos, como pelos amplos horizontes. Nada muito revolucionário, mas certamente um bom avanço em relação ao jogo anterior, que já era belíssimo. Pelo visto, irei passear um bocado nesse aqui, e não serão poucas as vezes em que farei uma pausa só para admirar a paisagem. Esse é o ponto forte das produções da Bethesda, que muitos jogadores não conseguem perceber. São jogos para pessoas de perfil explorador, que querem se perder, por meses a fio, em uma realidade diferente. E encontram nisso boa parte da diversão de que precisam.
  • As animações melhoraram absurdamente, o que é um alívio. Até a visão em terceira pessoa conseguiu ficar interessante. Mas, pelo menos em uma ocasião, notei o velho comportamento robótico típico dos personagens da Bethesda. Foi quando o dragão soltou o gigante de suas garras, e este caiu como uma pedra. Meio decepcionante, já que a engine de física e de animação deveria conseguir realizar um trabalho mais realista em situações assim, movimentando o esqueleto do NPC de acordo com o que ocorreria naturalmente em uma queda. Por exemplo, deslocando os braços do NPC para cima, girando o seu corpo, etc. Pode parecer implicância, mas se uma falha tão simples de se resolver ocorre em uma demonstração curta como essa, selecionada a dedo para impressionar a platéia, certamente deve se repetir com frequência em outras tantas situações.
  • A inteligência artificial também precisa de alguns ajustes. Se meu companheiro leva uma flechada e cai morto, não vou ficar parado no mesmo lugar, olhando para os lados feito um idiota. Mesmo sem conseguir localizar o atacante, eu tentaria correr, me proteger, abaixar, etc. Tal comportamento acéfalo é inaceitável em um jogo atual, que dirá em um título AAA como Skyrim. Mas é bom ver que o modo stealth/sniper pode ser uma opção viável para meu personagem, sem necessitar instalar MODs específicos para isso.
  • Uma das decisões mais sábias em Skyrim foi evitar transformar todos os "monstros" e animais em psicopatas assassinos, como ocorria nos jogos anteriores. Agora, a maioria deles quer simplesmente cuidar de seus problemas, o que é muito mais natural. Nós já sabíamos disso, pelos previews anteriormente divulgados, mas mesmo assim é algo incrível ver dois lobos passarem correndo, seguindo seu caminho e seus afazeres, sem darem muita bola para o personagem do jogador. E nesse estado permanecerão, se não forem provocados. Nos jogos anteriores, o encontro com qualquer exemplar de vida animal significaria uma luta inevitável. Algo que se tornava bem cansativo com o tempo, ainda mais por conta da alta densidade populacional da fauna local. Quem aí se lembra dos insuportáveis cliff racers de Morrowind?
  • Os menus são realmente tão interessantes como disseram os primeiros previews. E o sistema de favoritos, que permite ao jogador marcar qualquer item para ser listado em um menu à parte, é uma idéia tão genial quanto óbvia. Espero que isso inspire outros desenvolvedores e se torne padrão nos jogos do gênero daqui para frente.

  •  Foi revelado ainda que a quest principal terá 30 horas. Uma duração um tanto quanto decepcionante, mas perdoável, quando descobrimos que as quests paralelas devem elevar esse total para mais de 200 horas. Esqueça sua vida social.
Skyrim promete ser uma valorosa adição à série Elder Scrolls. O jogo está belíssimo e muitas melhorias foram feitas, sempre visando atender aos anseios do público tradicional da série, uma atitude rara hoje em dia. Mas não dá para a Bethesda descansar, pois vários ajustes ainda precisam ser feitos. Com o jogo se aproximando rapidamente dos estágios finais de desenvolvimento, será que haverá tempo para acertá-los?


Mass Effect 3

(Fonte: Game Informer)

 A Bioware demostrou um bocado da jogabilidade de Mass Effect 3 em alguns vídeos disponibilizados durante o evento (veja abaixo). Para bem ou para mal, a derradeira aventura de Shepard permanece sendo mais um shooter do que um RPG. Mas, apesar de ser sobretudo um fã de RPGs, tenho que admitir que a franquia está melhor assim. A verdade é que os elementos de roleplaying do primeiro Mass Effect eram um bocado desajeitados, passando a sensação de que o jogo fora transformado na marra em um RPG. Isso não quer dizer, todavia, que a série estaria melhor se abdicasse completamente desse componente. Acho que, se bem pensadas, mecânicas de RPG contribuem para uma experiência mais rica e profunda. Não é por acaso que a cada dia mais jogos procuram incorporar elementos do gênero. O fato de podermos evoluir nossos personagens nesta ou naquela direção, adaptando-os ao nosso estilo pessoal de jogo, e vê-los crescer à medida que a história avança, é um diferencial que vale a pena manter. Por isso, fiquei feliz ao descobrir que as progressões de habilidades não foram eliminadas em Mass Effect 3. Resta saber até que ponto elas podem ter sido simplificadas.

Nessa mesma linha de raciocínio, penso que seria interessante poder contar com um número maior de armaduras em Mass Effect 3, a exemplo do que ocorria no primeiro jogo. Isso acrescentaria uma camada tática adicional à jogabilidade e à customização dos personagens. Também seria uma motivação extra para o jogador, à medida que os seus esforços fossem premiados com um equipamento melhor. Até mesmo os aspectos cosméticos, como a mera mudança de visual dos personagens, poderiam contribuir para a satisfação do jogador. Não estou dizendo que o jogo deva trazer dezenas de novos tipos de armaduras genéricas, como ocorria no Mass Effect original. Acho que um número limitado (digamos, de oito a dez), com características bem distintas e marcantes, seria mais do que suficiente. Mas não acalento muitas esperanças quanto a isso.

Ah, não. Kaidan Alenko não! Eu mandei esse cara para morte, pô. De propósito!

Como podemos conferir nos vídeos apresentados, a série está mais cinematográfica do que nunca, o que é ao mesmo tempo algo bom e ruim. Se o excesso de cutscenes e a aparente linearidade incomodam, é inegável que certas sequências impressionam, como a onda de choque causada pela explosão de uma nave invasora, ou a cena em que Shepard encontra um garotinho amedrontado, em um prédio abandonado.Podem acusar a série de conter muitos clichês - e ela contém mesmo, não vamos tapar o sol com a peneira - mas é incrível o talento da Bioware para criar sequências emocionantes. Por mais lugar comum que a história seja. Um ponto de destaque é que, aparentemente, toda a equipe de Shepard agora participa da ação, embora apenas dois companheiros fiquem próximos ao comandante, como de costume. Pense em algo parecido com a missão final de Mass Effect 2, quando todo o seu pessoal contribui com o andamento da história, mesmo que não esteja presente no mesmo local, e nem possa ser controlado diretamente.

A omni-tool do mal

Um ponto fraco dos jogos anteriores era quando o combate se tornava íntimo e pessoal. Se um inimigo se aproximava demais de Shepard, este não tinha muita opção de ação, exceto dar um encontrão no sujeito, para jogá-lo no chão. O problema é quando convergiam vários inimigos de uma vez, como nos ataques dos malditos Husks. Mass Effect 3 tentará solucionar esse problema disponibilizando uma arma perfurante, acoplada ao inconfundível omni-tool de Shepard. O vídeo ilustra o uso dessa nova "tecnologia", que aparenta ser especialmente mortífera; são vários os adversários que caem mortos com um único golpe. Com essa nova possibilidade, o combate corpo-a-corpo ganha importância vital. Por isso, não apenas a velocidade de movimentação foi aumentada, mas algumas mecânicas de stealth foram acrescentadas, permitindo que Shepard se esgueire sem ser visto, até o momento certo de atacar o adversário. O comandante da Normandy também aprendeu alguns outros truques. Agora ele é capaz de saltar, rolar para os lados e até mesmo escalar, o que possibilitará um design de fases mais complexo e criativo. Espero que essas novas opções se traduzam em diferentes alternativas de progresso, para além do "elimine todos os inimigos do lado de lá do cenário".


Qualquer que seja o resultado final, só iremos conferir em 2012. A data de lançamento de Mass Effect 3 foi adiada, e o jogo chegará às prateleiras (ou ao seu distribuidor digital favorito) em seis de março. A Bioware não quer atropelar o processo de desenvolvimento desta vez, para evitar cometer os mesmos erros de Dragon Age 2. Quem somos nós para discordar?




Na continuação desta série de posts, Sony e seu PSVitaminado, Star Wars:The Old Republic e Deus Ex: Human Revolution. Até lá!

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3 comentários

  1. Não vou ler a parte sobre Mass Effect e nem ver os vídeos. Quero que tudo seja uma surpresa quando comprá-lo, pro bem ou pro mal. De qualquer forma, deixo aqui este vídeo sobre a ciência de ME 2:
    http://www.gametrailers.com/video/the-science-gt-tv-extended/63464
    Sou físico, apesar de não exercer a profissão, e esse tipo de coisa sempre é sensacional p/ mim.

    Sobre Skyrim, estou realmente interessado no jogo. Faz muito, muito tempo que não tenho saco nenhum p/ jogos de fantasia medieval, sendo que Dragon Age 1 e 2 foram as únicas excessões em quase 10 anos de jogatina. Meu negócio mesmo é Sci-Fi, Cyberpunk e até Steampunk.

    Pode até parecer idiota, mas o que realmente me chamou atenção no Skyrim é a possibilidade de possuir um cavalo e sair explorando. E agora que vc falou que a fauna não te quer morto pelo simples fato de vc existir, estou mais interessado ainda.
    Uma das minhas maiores frustrações em Dragon Age era não ter um cavalo p/ ir de uma cidade à outra e ter que ver aquele lixo de mapa ensanguentado toda maldita vez que vc vai de um lugar p/ outro. Ou de ser obrigado a vagar pelas Wastelands de New Vegas à pé, sem nenhum cavalo de duas cabeças ou um buggy capenga que fosse. Isso me revolta, aliás! Como diabos meu personagem consegue consertar e reprogramar robôs e equipamentos de uma tecnologia perdida e é incapaz de montar um buggy capenga com peças daquele ferro velho que fica do lado da "cidade com um dinossauro gigante na entrada" que esqueci o nome? Ou pior: como nem a Brotherhood Of Steel, que possui vasto conhecimento desta tecnologia, não usar algo do tipo?

    Enfim... A Bethesda já tem meu dinheiro garantido pro Skyrim e pros outros DLCs de New Vegas. Vou acabar falindo este ano por causa da safra boa de jogos...

    Ainda falando de New Vegas, te faço uma pergunta: o que New Vegas tem de tão diferente de Fallout 3? Joguei Fallout 3 e simplesmente não consegui gostar. No entanto, fiquei completamente apaixonado por New Vegas. Pensei muito no caso e não consegui identificar nada de tão diferente nos jogos que justifique o abismo entre não gostar de um e adorar o outro. Fora, claro, o fato de que, talvez, o que mudou fui eu, meu perfil de gamer. Mas mesmo assim ainda não parece compensar a diferença. Se conseguir jogar uma luz nesta dúvida, eu agradeço.

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  2. O idiota aqui só descobriu isto agora, mas o Science of Games é uma série no Gametrailers. Sinceramente achei que era algo que só foi feito no Mass Effect e parou.
    Enfim, aqui o link p/ todos os episódios (o de Fallout é bem interessante também):
    http://www.gametrailers.com/game/the-science-of-games/13798

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  3. Bem interessante a premissa dessa série Science of Games. Boa dica!

    Com relação a New Vegas, difícil dizer. Gosto é uma coisa muito pessoal e totalmente intangível. Mas se eu fosse chutar, diria que é pelo nível superior da escrita, que cria uma história mais envolvente e personagens mais marcantes. História é boa parte do apelo de um RPG. Combates nos empolgam, quesitos técnicos nos ajudam a mergulhar no universo do jogo, mas é a história e os personagens que fazem com que nos apaixonemos por um RPG. E não há dúvidas que nesse ponto New Vegas é bem superior a Fallout 3.

    Com relação aos cavalos de Skyrim, espero que eles sejam melhores que em Oblivion, onde eles eram bem difíceis de serem controlados! ;)

    Abraços!

    Guilherme

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