Planetóide X

Tablets e RPGs Old School: Goiabada com Queijo

sexta-feira, junho 29, 2012 José Guilherme Wasner Machado 15 Comentários Categoria: , , , , , , ,


Há alguns anos, escrevi um artigo sobre como os tablets poderiam se tornar os veículos perfeitos para RPGs antigos. Com a explosão do uso desses dispositivos, a hipótese está se tornando, aos poucos, uma realidade. Vários RPGs retrô foram portados para o iPad e, ao que tudo indica, estão vendendo muito bem. Mas o melhor ainda está por vir. Dentro de mais alguns meses, veremos o grande (re)lançamento de Baldur's Gate, em uma versão com interface melhorada, maior resolução (infelizmente por upscaling) e conteúdo extra. E um pouco mais para frente, será a vez da sua continuação, Baldur's Gate 2: Shadows of Amn. Ambos para PC e – vejam só! - para o iPad também. Apelidados de BGEE e BG2EE (o "EE" significa "Enhanced Edition"), os dois jogos serão lançados já com todas as expansões incluídas. O leitor deve ficar atento a esse anúncio. São jogos excepcionais e que estão constantemente na lista de melhores de todos os tempos. Sou particularmente fã de Baldur's Gate 2. É o meu RPG predileto.


Parece-me natural a decisão de lançar esses jogos para o iPad. E não apenas por conta do enorme mercado potencial (e largamente inexplorado) representado pelo popularíssimo tablet da Apple. Consegui testar o próprio Baldur's Gate em um notebook/tablet touchscreen da HP, algum tempo depois de escrever o artigo citado acima. A interface do jogo se comportou muito bem, com os dedos substituindo o mouse como dispositivo apontador. Claro que em alguns momentos a adaptação improvisada não ficou perfeita. Por exemplo, quando era necessário rolar o cenário ou usar ctrl+click. Tenho certeza de que a Overhaul Games (a desenvolvedora responsável pelas novas edições) conseguirá resolver essas lacunas sem maiores problemas. Teremos então o prazer de comandar dois grandes jogos de uma forma elegante e intuitiva, em um dispositivo portátil, leve e fácil de segurar. Instalados em uma confortável poltrona ou debaixo das cobertas da cama. Aposto que os cenários do jogo ficarão ainda mais atraentes no cristalino Retina Display do iPad, mesmo com os tradicionais problemas de upscaling. Mal posso esperar pela chance.


Apesar de entusiasmado com o lançamento de BGEE/BG2EE, fico triste por não terem aproveitado a oportunidade para fazer uma completa remasterização HD dos títulos. Seria uma combinação matadora unir a história envolvente e a jogabilidade profunda da série com a beleza visual de um (digamos) Diablo III. Certamente tornaria os jogos muito mais vendáveis para as platéias atuais, e um motivo extra para os jogadores antigos readquirirem-nos. A Lucas Arts empregou essa tática com a série Monkey Island (de adventures gráficos), e o resultado foi amplamente positivo.

Avadon, da Spiderweb, é um RPG Old School que já está disponível no iPad (fonte img)

Sempre achei que RPGs por turnos (*) se adaptariam muito bem à tela touchscreen dos tablets. Parece que não estou sozinho nessa opinião. A Spiderweb de Jeff Vogel portou dois de seus RPGs para o iPad e colheu bons frutos da iniciativa. Outro título que está se dando bem é Call of Cthulhu: The Wasted Land, da Red Wasp Design. Todos eles são RPGs indie, de baixo orçamento e com um estilo bem "old school", mas obtiveram bom destaque nos tablets. Com a popularidade crescente desses dispositivos, esse pode ser um mercado promissor também para as desenvolvedoras maiores, que teriam a chance de voltar a lucrar com grandes franquias do passado. Para nós, jogadores, representa a oportunidade para conhecer ou reviver algumas das séries mais famosas da história do PC Gaming. E, quem sabe, vê-las continuadas. A Overhaul Games já insinuou que, se tiver sucesso com BGEE e BG2EE (**), pretende prosseguir a história com um inédito Baldur's Gate 3, que será fiel aos princípios estabelecidos nos jogos anteriores. É uma notícia particularmente animadora por sabermos que a equipe conta com alguns ex-funcionários da Bioware. Se isso vai ocorrer ou não, só o tempo poderá dizer. Considerando que tal possibilidade era muito improvável há poucos anos atrás, trata-se de um avanço a ser comemorado.

Fallout ficaria lindo numa roupagem HD. Wishlist para o iPad (fonte img)

Entre os vários exemplos de CRPGs que poderiam ser adaptados com sucesso para os tablets, destacam-se os dois primeiros Fallouts. A franquia voltou à ordem do dia com Fallout 3, da Bethesda, e New Vegas, da Obsidian, e seu sucesso tornaria este um momento apropriado para o relançamento dos jogos originais. Seus combates por turnos e sua visão isométrica teriam no tablet um veículo ideal. Um remake gráfico HD faria a inconfundível direção de arte da série deslumbrar mesmo os mais reticentes. E o uso de diálogos animados e com voz aumentariam a imersão, desde que fosse tomado o devido cuidado para não se perder nada do conteúdo original. Fãs puristas sempre teriam a opção de desligar esse recurso e até mesmo restaurar os pixelados gráficos originais.

Arcanum, da Troika (fonte img)

Outros RPGs clássicos que poderiam ser portados com sucesso para o iPad:
Ultima VII (fonte img)

Esta, claro, é apenas uma lista básica, que está longe de esgotar as possibilidades. Sinta-se à vontade para imaginar outros exemplos.

A Prole de Dungeon Master

Dungeon Master foi exaustivamente copiado (fonte img)

Outros RPGs que se dariam bem no iPad são os jogos da "Escola Dungeon Master": combates usualmente por turnos (UPDATE: no caso do Dungeon Master, em tempo real, como bem alertou o leitor Breno, nos comentários. O mesmo se aplica a outros, como é o caso de Eye of the Beholder), com a visão em primeira pessoa e movimentação limitada às direções básicas: para frente, para trás, esquerda, direita, e rotacionar 90 graus. Isso possibilita ao jogador conduzir seu avatar com facilidade, mesmo limitado às desajeitadas opções de controle "on screen" dos tablets. São muitos os jogos que caem nessa categoria. Para citar apenas alguns: Eye of the Beholder, Realms of Arkania (esse contava com combate isométrico e exploração em 3D), Ravenloft (que oferecia também possibilidade de movimentação contínua), Ishar, entre muitos outros. Alguns jogadores mais novos só tomaram conhecimento desse “sub-gênero” recentemente, com a chegada do elogiado Legend of Grimrock. Para saber mais sobre esse jogo, leia esta série de artigos do Retina Desgastada. A ótima notícia é que Grimrock está sendo portado para o iPad. Eu, claro, tenho intenção de comprar. Mas como o combate é em tempo real, é preciso analisar se me adaptarei à interface.

Ishar (fonte img)

Entre a rica prole inspirada por Dungeon Master, destaca-se a série Ultima Underworld, além do seu "sucessor espiritual", Arx Fatalis. A diferença é que a movimentação é contínua, de forma mais similar à de um RPG moderno em primeira pessoa. Isso certamente tornaria difícil implementar um controle preciso de movimentação usando comandos "on screen". É uma pena, pois o combate poderia se beneficiar muito das características peculiares dos tablets, mesmo não sendo por turnos. Ars Fatalis, por exemplo, utiliza um curioso sistema de magia, onde o jogador "desenha" runas na tela, que por sua vez acionam os feitiços. Seria muito fácil desenhar tais runas diretamente com os dedos, usando a superfície touchscreen. Ultima Underworld, por sua vez, usa regiões da tela para acionar diferentes golpes. Isso também poderia ser facilmente adaptado para um tablet. Que tal usar o popular Fruit Ninja como inspiração, por exemplo?

Legend of Grimrock

Indo além dos RPGs

Não apenas os RPGs se beneficiariam da elegância de interface e do conforto que os tablets potencialmente oferecem. Cito outros gêneros que, para mim, também se adaptariam magistralmente ao uso desses dispositivos.

Adventures gráficos "point & click":

Indiana Jones and the Fate of Atlantis (fonte img)

Extremamente populares no passado, os adventures foram perdendo audiência com o passar do anos. Hoje se encontram reduzidos a um nicho. Os tablets podem ressuscitar seus dias de glória. Os dois primeiros Monkey Island tiveram remakes HD caprichados e o belíssimo Machinarium colhe elogios por onde passa. A Telltale também portou suas franquias Back to the Future e Sam & Max para a plataforma. Espero que outros adventures consagrados venham fazer companhia a eles. Full Throttle, Star Trek: 25 Anniversary, Grim Fandango, Manic Mansion, Space Quest, Indiana Jones and the Fate of Atlantis, King's Quest, Leisure Suit Larry... a lista de preciosidades do passado é extensa. E não só do passado. O recente Gemini Rue, uma bela aventura de ficção científica com toques noir, gráficos inspirados e história envolvente, poderia obter no iPad a notoriedade que é difícil de se alcançar no PC. Infelizmente, nenhum plano sobre isso foi divulgado.

Jogos de estratégia por turnos:

Galactic Civilizations II (fonte img)

Estes perderam espaço no mercado com o advento de seus primos em tempo real, bem mais populares. Mas poderiam ressurgir com força total nos tablets. É um gênero com o qual, confesso, não tenho lá muita familiaridade. Mas gostaria bastante de jogar o elogiado Galactic Civilizations II no meu iPad. Já vi fãs da série pleiteando o mesmo junto à desenvolvedora. Tomara que ela atenda às súplicas.

Wargames:

Civil War: Battle of Fredericksburg (fonte img)

Uma sub-modalidade dos jogos de estratégia, que enfoca campanhas militares clássicas e possui fãs dedicados. Principalmente entre aficionados de história das guerras e dos grandes generais do passado. O típico wargame faz uso frequente da clássica divisão do terreno por hexágonos (embora apenas isso não defina o jogo como "wargame"), dá preferência por combate por turnos e representa de forma iconográfica as diversas unidades de combate. O campo de batalha costuma ser de tamanho limitado, e seus elementos topográficos (rios, lagos, montanhas, etc) são essenciais para definição da estratégia. Não é incomum que os dois lados estejam desbalanceados, visando reproduzir o mais fielmente possível um determinado evento histórico. O gênero sempre foi de nicho, mas tem tudo a ver com tablets, na minha opinião. Eu me sentiria encorajado a experimentar alguns, se pudesse fazê-lo em uma confortável poltrona de leitura. Velhos clássicos da SSI e de outras companhias se dariam muito bem em uma roupagem HD, oferecendo o máximo possível de nitidez do terreno e das unidades envolvidas. É animador constatar que algumas desenvolvedoras estão percebendo esse potencial e criando jogos para a plataforma, como é o caso do recente (e ainda não lançado) Civil War: Battle of Fredericksburg.

The Temple of Elemental Evil (fonte img)

Seria bem irônico se os tablets, antes estigmatizados como veículos para joguinhos bobos e casuais, se tornassem a plataforma preferencial para títulos complexos, profundos e táticos. Nichos hoje reduzidos à marginalidade encontrariam novos compradores, e pequenos desenvolvedores viabilizariam projetos de apelo comercial limitado. A variedade e a criatividade agradecem.

Observações:
(*) Apesar de existirem vários RPGs de ação para tablets/smartphones, não acho a plataforma muito boa para isso. Segurar o dispositivo ao mesmo tempo em que clico em controles "on screen" é desajeitado, desconfortável e impreciso. Mesmo apoiando o tablet no colo ou numa mesa, a situação não melhora muito. Gamepads bluetooth são uma alternativa, claro, mas nesse caso prefiro ir para o PC e usar mouse e teclado.
 (**) Quando eu comprar BGEE e BG2EE, será a terceira vez que compro cada um destes jogos. A primeira foi em box, na época dos respectivos lançamentos. A segunda foi quando os jogos chegaram ao GOG.com. Acho que isso define bem o quanto gosto da série.

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15 comentários

  1. "O recente Gemini Rue, uma bela aventura de ficção científica com toques noir, gráficos inspirados e história envolvente, poderia obter no iPad a notoriedade que é difícil de se alcançar no PC".

    Não é porque o jogo vai ser portado pro Ipad que ele vai começar a vender mais que Angry Birds,ou, num prognostico menos positivo, vender mais que no PC!

    Tem muita gente levantando a bola do ipad nessa questão de jogos RPGs e Adventures tradicionais,incluindo desenvolvedores de RPG(que ou estão fora do mercado ou estão fazendo ARPGs AAA),mas até agora, tudo o que eu vi são ports,ports e mais ports(com a unica excessão de Chtulhu,que iniciou no Ipad e foi portado pro PC)! Nada que um PC possa fazer melhor!

    Se é para levantar a bola de uma plataforma portatil,eu colocaria o nintendo DS,que tem um monte de RPGs novos da escola Wizardry(Rpgs em turnos,ao contrario de Dungeon Master que é em tempo real),como Dark Spyre e a serie Etrian Odissey e inclusive tem jogos de Adventure como a serie Ace Attorney ou Professor Layton! Chega de ports! Eles que coloquem a cabeça pra funcionar e façam jogos novos! Ai sim eu vou olhar a plataforma com o respeito que ela merece,pois por enquanto não passa de uma promessa!

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  2. Cada um tem sua opinião, Breno. Não tenho nenhum preconceito contra ports, desde que bem feitos. Aliás, o próprio PC Gaming vivia de ports entre as mais diversas plataformas de computadores pessoais, antes do IBM-PC se tornar hegemônico.

    Eu, assim como vc, sou fã da plataforma PC. Mas isso para mim não é religião. Com o deixei claro no artigo, vejo estilos de jogabilidade que podem sim se adaptar tão bem a um tablet quanto a um esquema de teclado+mouse e, além disso, usufruírem da portabilidade oferecida por esses dispositivos. O que é vantagem considerável. No caso de alguns, o tablet se sai ainda melhor. Monkey Island é muito mais prazeroso de jogar no tablet que no PC. Pela minha experiência pessoal com o notebook-tablet da HP, Baldur's Gate também não terá nada a perder.

    Vc tem razão com relação ao Dungeon Master. Realmente me confundi, e farei a ressalva no artigo.

    Abraços!

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  3. Também não tenho nada contra ports,mas sim contra a esta estagnação de criatividade! Até agora o que se vende nos Ipads para quem se interessa nesse genero é apenas um emulador de jogos antigos de PC! Isso pra mim é lamentavel, tanto é que eu citei o Nintendo DS,que apesar de ter um hardware inferior ao Ipad,ao menos tem uma biblioteca de jogos que coloque algo de novo na mesa!

    O ironico no caso do Ipad é que esses generos podem dar uma guinada justamente pelo fato de a plataforma não ser boa para jogos de ação! Incrivel como o Hardware e a economia podem ditar o estilo de um jogo!

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  4. desculpa a ignorância, mas como funciona essa coisa de upscaling?

    point and click e jogos de RTS são uma aposta mais do que óbvia. esse tipo de hardware praticamente implora por esses estilos de jogo (que geralmente não se dão muito bem em consoles e outros dispositivos).

    também não tenho nada contra ports, desde que sejam honestos. é o caso da Doom 3 BFG Edition. conta com o jogo remasterizado (coisa que por sí só já vale a compra, pois mesmo os Pc gamers não conseguiram jogar o jogo no máximo no seu lançamento); várias fases inéditas; todo o conteúdo de DLC existente; e ainda o Doom e Doom 2 originais. pra um fã, um presente. se vc não curte esse tipo de coisa, é só não comprar.
    eu adoraria se saíssem mais jogos clássicos para baixar pela PSN, como o aclamado Baldur's Gate. seria download certo, já que não tive chance de jogar nenhum.

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  5. "O ironico no caso do Ipad é que esses generos podem dar uma guinada justamente pelo fato de a plataforma não ser boa para jogos de ação"

    Breno, esse é um dos motivos pelos quais eu acho que o ipad pode se casar muito bem com rpgs de estilo antigo!

    Shadow, upscaling é transformar uma imagem rasterizada de uma resolução menor em uma imagem de resolução maior, por meio de extrapolação. Há diferentes técnicas e algoritmos para calcular essa extrapolação, com resultados bem diversos em termos de qualidade. Mas, via de regra, gera uma imagem com falhas ou com um bocado de "borramento". É fácil notar isso.Pegue, por exemplo, uma imagem rasterizada de, digamos, 640x480 pixels, e usando um programa gráfico qualquer, redimensione-a para 1920x1440 (por exemplo). Quanto maior for o fator de redimensionamento, mais "borrada" a imagem tende a ficar.

    O problema de Baldur's Gate é que seus backgrounds (que representam os cenários) foram gerados para serem exibidos em uma resolução de tela de 640x480 (se minha péssima memória não falha, tanto tempo depois!). Em BG2, havia opção de 800 x 600 (novamente, se minha memória não falha). Agora imagine isso com upscaling para resoluções MUITO superiores, como 1920 x 1080. Por melhor que seja o algoritmo, não ficará algo muito nítido. Mas como a tela de um ipad é fisicamente pequena, esse borramento será muito discreto, aparentemente. Já num monitor de 23", será bem evidente!

    Taí um bom tópico para um post!

    Abração!

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  6. Upscaling tá em qualquer jogo dessa geração fake-hd!

    "Doom 3 BFG Edition." Vc acha que isso é um port honesto? Vão cobrar uns 60 dolares por um jogo antigo com uns niveis que foram descartados no lançamento! A versão original já goza de mods remasterizados para a versão PC,e pelo visto eles não vão fazer muito esforço para os consoles!

    Quanto a Doom 1 e 2,duvido eles fazerem melhor que o Brutal Doom: http://www.youtube.com/watch?v=samQ-Xxc1M4

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  7. Breno, se vc acha que esse pacote é desonesto, o que vc diria então de jogos como Street Fighter Arcade Edition, com apenas dois personagens extra: yun e yang (puro pallet swap) e Evil Ryu e Oni (variações de Akuma).

    e não é só os níveis descartados: ele vem com todos os DLCs e as versões originais dos dois Dooms. acho muito justo e devemos ser realistas: o que seria o ideal para vc? que o jogo fosse refeito com um novo motor gráfico e atualizado para a alta definição? algo bem difícil de acontecer. se bem que era melhor terem feito isso do que o Rage.
    p.s.: Wasner, valeu por ter adicionado meu blog nos links. nem tinha visto. tks :)

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  8. Talvez a comunidade modder tenha me deixado exigente demais, e seja isso um dos motivos para a industria de jogos se afastar cada vez mais de jogos que tenham uma comunidade de modders!

    "o que seria o ideal para vc? que o jogo fosse refeito com um novo motor gráfico e atualizado para a alta definição?"

    Eu poderia dizer que os modders fazem praticamente isso que vc falou,só que de graça e por "amor a camisa"! De uma olhada nos videos de Brutal Doom e compare com a versão original! Os caras praticamente atualizaram o jogo em uns 5 anos! Porque nerds de porão conseguem trazer conteudo original e de qualidade enquanto desenvolvedoras só conseguem relançar os jogos?

    Acredito que a mesma coisa vai acontecer com BGEE! jogadores veteranos de Baldurs Gate já conseguem com facilidade colocar o jogo em alta definição,além de trazer conteudo inedito na mesa,seja eles NPCs,mapas,armas,magias e mudança na dificuldade e quests(Sword Coast Estratagems)graças aos modders! Enquanto isso, Trent Ozner já tem sonhos molhados em trazer "suporte" ao jogo por meio de DLCs! Será que esses DLCs vão vir no mesmo nivel que Durlag Tower ou Throne of Baal Wasner?

    Boa parte dos jogos que eu venho jogando hoje em dia são tudo graças ao trabalho de Modders! Missões extras em Thief 1 e 2! Campanhas em Deus Ex(2027, Zodiac e Hotel Carone) e claro, DooM 1 e 2 com o mod Brutal Doom!

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  9. Breno, uma ressalva:

    "jogadores veteranos de Baldurs Gate já conseguem com facilidade colocar o jogo em alta definição"

    Na verdade, simplesmente exibem o background na resolução da tela, sem redimensionamento, o que torna MINÚSCULOS os avatares e objetos do jogo, muitas vezes tornando-o impraticável. Eu sei, porque testei.

    Quando dizemos "alta resolução", queremos dizer que avatares, objetos e cenário manterão seu "tamanho aparente", igual o tamanho que possuem numa resolução menor, porém renderizados com uma resolução maior. Isso hoje é atingido por um upscaling feito pela própria placa de vídeo, convertendo o vídeo de resolução menor para a resolução do monitor, o que resulta em gráficos muito borrados. Estou curioso para ver a qualidade do upscaling por software do BGEE. Certamente não será tão ruim quanto o upscaling automático da placa de vídeo.

    Não entendo vc, Breno. Temos aí um desenvolvedor "da nossa turma", que presta homenagem a um RPG de altíssima qualidade, que está disposto não só a ressuscitar a franquia, mas levá-la adiante - NOTE! - sem desvirtuá-la, mantendo sua jogabilidade intacta. Seja por meio de sequências, seja por meio de DLCs. DLCs que ele assegura que serão relevantes e recheados de conteúdo. Não deveríamos apoiar uma iniciativa dessas? Você, acima de todos, imagino, deveria estar feliz com iniciativas respeitosas e coerentes como essa. Não?

    Abração!

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  10. Um bom exemplo de adventura customizado para tablets, o Broken Sword:
    http://www.youtube.com/watch?v=8aJpyOT3iDY&feature=player_embedded#!

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  11. Um EXCELENTE exemplo, por sinal. Tenho muita vontade de comprar esse adventure. Por sinal, a Telltale também vai lançar o Walking Dead pro iPad. Pelo visto, bons jogos não faltarão na plataforma!

    Abraços!

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  12. Wasner: é verdade, o jogo fica mais pequeno com os mods widescreen,mas ainda assim é mais aceitavel do que jogar o jogo em 640x480 num monitor acima de 19 polegadas(não precisa também colocar o jogo em 1900x1800)! Mas ai a overhaul games não vai colocar o jogo em HD, então eu não vejo nenhuma qualidade superior emergindo desse relançamento(até agora)!

    "Não entendo vc, Breno. Temos aí um desenvolvedor "da nossa turma", que presta homenagem a um RPG de altíssima qualidade, que está disposto não só a ressuscitar a franquia, mas levá-la adiante - NOTE! - sem desvirtuá-la, mantendo sua jogabilidade intacta. "

    I want to believe! Até porque acho muito dificil a jogabilidade de BGEE se manter intacta,devido a filosofia hardcore da epoca!

    "DLCs que ele assegura que serão relevantes e recheados de conteúdo."

    Fico curioso para ver que tipo de DLC ele vai querer vender! Até porque BG é um jogo que tem suporte a mods! É esperar pra ver se eles vão lançar conteudo que rivalize ou supere os mods(o que num mundo perfeito seria o normal,visto que eles são desenvolvedores profissionais)! No momento estou cetico!

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  13. Alias, um jogo que eu tenho esperanças que de certo,mesmo com riscos de falhar é Wasteland 2! Simplesmente pelo fato de ser um jogo novo,e atender as necessidades do publico alvo! Sendo assim, Brian Fargo prometeu perspectiva isometrica,combate em turnos, investimento dedicado exclusivamente ao jogo(ou seja, nada de propagandas) criação de 4 personagens e recrutamento de 3 NPCs como nos originais, além do jogo ser desenvolvido somente para plataformas PC, Linux, com suporte a Mods e sem compromisso com casuais e consoles!

    Hj em dia é facil chorar dizendo que jogos em PC não vende,mas o pessoal esquece de dizer que a maioria desses jogos são ports lixo de consoles!

    Do outro lado da balança, temos a Overhaul games que apenas quer monetizar encima de uma franquia classica de 14 anos atras,que pra ser sincero nem precisa de um relançamento ao meu ver! O fato de a caracteristica mais propagandeada do relançamento é o port do Ipad ja diz muita coisa!

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  14. BGEE também não está compromissado com casuais e consoles. O investimento também está dedicado apenas ao jogo. E monetizar é algo básico a qualquer produção, já que ninguém está nessa por caridade. Se ele está reconstruindo boa parte do código da engine, não vejo porque não aproveitar esse investimento e esforço para relançar os dois primeiros jogos, ainda mais com o conteúdo extra prometido e um upscaling de melhor qualidade. O port do iPad pode ser irrelevante para vc, mas é bem vindo por outros. Eu, por exemplo, estou achando excelente, e estou longe de ser o único. Se o resultado for bom, será minha plataforma de escolha no caso de um eventual BG3. A grande falha da Overhaul é realmente não investir numa remasterização HD, (mantendo intactas as demais características do jogo, é claro). Acho que faria uma diferença brutal em termos de apelo de vendas, para jogadores novos ou veteranos.

    Abraços!

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  15. "E monetizar é algo básico a qualquer produção, já que ninguém está nessa por caridade."

    Com certeza! O negocio é o consumidor ficar ligado no tipo de monetização que a empresa quer fazer! Enquanto umas empresas quer lucrar com trabalho esforçado, outras querem lucrar com pouco esforço!

    "um upscaling de melhor qualidade."
    Ele deu algum detalhe de como isso vai ser Wasner? Eu li recentemente que ele não pode pegar as source arts porque a Bioware tinha perdido! Isso pra mim soa meio Bullshit,mas sei lá!

    "O port do iPad pode ser irrelevante para vc, mas é bem vindo por outros."

    A questão pra mim é nas prioridades do desenvolvedor! Nos jogos multiplataformas, é comum os desenvolvedores falarem que desejam manter uma mesma experiencia em todas as plataformas! A idiotice dessa estrategia é que o jogo vai ser sempre reduzido em potencial para a plataforma de menor qualidade,forçando os hardwares mais desenvolvidos a ter os mesmos defeitos(a tal da ancora tecnologica que vc fala)! Minha apreensão é que ele não coloque esforço no conteudo que realmente importa(conteudo extra e de qualidade)!

    "A grande falha da Overhaul é realmente não investir numa remasterização HD"

    Os jogos da Infinity Engine ainda estão entre os RPGs mais bem feitos até hoje! Os graficos envelheceram muito bem! Desafio mesmo seria pegar jogos menos abençoados pelos graficos como a serie Ultima ou Betraial at Krondor e refazer esses jogos numa engine moderna,com todas as caracteristicas inerentes,e as mecanicas intactas,talvez ainda mais balanceados! Tai uma produção que eu admiraria!

    Abraços!

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