"Garotas, garotas... não briguem por mim!"
Prossigo aqui a resenha sobre Dragon Age 2. Você pode ler a primeira parte aqui. Não se preocupe, não há spoilers em nenhum dos textos.
Antes do lançamento de Dragon Age 2, manifestei preocupação com a aparente irrelevância de um sistema de classes onde todos aparentavam ser clones do Kratos (God of War). Para meu alívio, essa preocupação se revelou infundada. Guerreiros, magos e ladrões se comportam de forma bastante distinta em combate. Cada classe possui árvores específicas de habilidades e, mesmo entre estas, é possível definir certas especializações. Por exemplo, um guerreiro pode optar por se tornar um "tanque", com grande ênfase em defesa. Um mago pode concentrar seu aprendizado em magias ofensivas. Ou, quem sabe, em feitiços de cura e proteção. Um ladrão pode se especializar em ataques à distância, ou favorecer a aproximação sorrateira e ataques de surpresa pela retaguarda. O jogo faz bom uso dessa variedade ao apresentar um cast de companheiros com habilidades bem distribuídas, facilitando ao jogador optar por aqueles que mais se adequam ao seu estilo de jogo ou a uma missão específica.
"Eu quero tchu, eu quero tcha....". Esse Hawke... sempre se exibindo.
Dragon Age 2, tragicamente, segue pelo mesmo caminho. Só que aqui a economia porca se reflete no jogo inteiro, um caça-níqueis feito nas coxas, para aproveitar o momentum criado por seu antecessor. Já constatamos isso pelo irracional prazo de desenvolvimento imposto - pouco mais de um ano, quando o normal para um (bom) RPG é pelo menos três vezes esse tempo. O resultado é que não há espaço para muito amor ou idealismo artístico por aqui; apenas o frio pragmatismo econômico. Dragon Age 2 é exclusivamente um produto, e nem sequer um bom produto, já que repete e amplia os defeitos do primeiro jogo da série, sem herdar quase nenhuma de suas muitas qualidades.
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