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Kinect: Crônica de uma morte para lá de previsível

terça-feira, maio 13, 2014 José Guilherme Wasner Machado 22 Comentários Categoria: ,


A Microsoft anunciou, no dia de hoje, que irá vender o novo Xbox por um preço inferior ($400) e - este é o detalhe importante - sem o Kinect. O anúncio, para qualquer um com mais de dois neurônios semi-funcionais, representa o prego final no caixão do Kinect, e o epitáfio definitivo dos controles baseados em sensores de movimento. É uma derrocada bem-vinda. Que descansem em paz.

Para mim, controles do gênero representaram, desde o inicio, um beco sem saída na longa cadeia da evolução tecnológica. O problema aqui é por definição de conceito, não algo técnico. Para mim, nunca passou de um modismo temporário, uma cortina de fumaça destinada a seduzir um público menos acostumado com os games em geral. E, inevitavelmente, destinado a desaparecer quando a novidade se esgotasse. Não vou repetir minha argumentação aqui. Quem tiver curiosidade, pode ler o texto original onde abordo detalhadamente este assunto, escrito em junho de 2009: Parte 1 | Parte 2. Cinco anos depois, não retiro uma vírgula do que escrevi.

A Sony, mais escolada com o volúvel mercado de games, tratou logo de pular fora dessa roubada. Seu PS4 se apóia no velho e testado gamepad. A Nintendo, que nunca acreditou no próprio marketing hiperbólico (o histérico bordão "OS GAMES NUNCA MAIS SERÃO JOGADOS DA MESMA FORMA!"), matraqueado a rodo pelos fanáticos habituais, foi a primeira a largar mão da tecnologia em seu novo console, o Wii-U. A Microsoft, seja por arrogância, seja por não saber de nada, a inocente, achou que podia impor, pela força da própria marca, o uso do dispositivo. Mesmo que isso implicasse num preço muito superior ao da concorrência, para um console tecnologicamente mais fraco. Deu com os burros n'água. Ao que tudo indica, a Microsoft ignorava, ou preferiu ignorar, um fator que há longa data limita o PC Gaming: o tal do "menor denominador comum", que aqui no blog apelido de "âncora tecnológica". E que agora afeta o seu Xbox.

Ora, o que ocorre é que já vai longe a época em que os games exclusivos de cada plataforma eram um fator-chave na indústria. A maioria esmagadora dos jogos relevantes da atualidade é multiplataforma. Especialmente os jogos "AAA", cujo desenvolvimento consome anos, centenas de profissionais e orçamentos paquidérmicos. A razão disso é óbvia. Para essas produções se pagarem, precisam vender muito. As chances de vender o suficiente para fechar a conta crescem proporcionalmente ao tamanho do mercado alvo. Portanto, se um jogo puder ser vendido tanto a jogadores de Xbox, quanto de PC e de Playstation, tanto melhor. É difícil, muito difícil, ter lucro com o público de apenas uma única plataforma.

Bem, se um game tem que rodar em múltiplas plataformas, nenhuma característica fundamental da sua jogabilidade deve depender de um recurso que exista em apenas uma delas. Esta regra básica "mercado-tecnológica" selou a (má) sorte do Kinect desde o princípio, mesmo que outros fatores tão importantes quanto não se fizessem presentes - e estão presentes (vide os artigos acima). Se um jogo fundamenta sua jogabilidade nos recursos do Kinect, ele não poderá ser portado para outras plataformas, onde tal dispositivo proprietário não existe. Ou, pelo menos, não poderá ser portado de modo fácil, eficiente, rápido e, portanto, econômico. Por conta disto, o Kinect é solemente ignorado na maior parte dos lançamentos. E, mesmo quando ele é lembrado, isso é feito de de forma periférica. Em características que, no fundo, não importam minimamente, ou que são completamente dispensáveis ou fáceis de se contornar. Por exemplo, existem games que implementam comandos de voz via Kinect. Acontece que os mesmos comandos podem ser executados clicando um botão no gamepad ou no teclado/mouse. Qual a opção mais eficiente e confortável para o usuário (e, vale lembrar, para o sossego dos demais moradores da residência)? Deixo para o leitor adivinhar.

Agora é aguardar que o Kinect siga, sem pompa ou solenidade, sua jornada final rumo ao Grande Cemitério Gamer das Idéias Falidas, pelo caminho já trilhado pelo Wiimote e pelo Move. Que todos eles alcancem o merecido descanso e esquecimento. Cumpriram sua sagrada missão de separar o consumidor do seu rico dinheirinho, em troca de um peso de papel sofisticado. Fica a esperança de que o público compreenda, finalmente, que nem tudo que é marqueteado como "Revolução" de fato o é. Enquanto isso não ocorrer, muita gente comprará "A Queda da Bastilha", apenas para descobrir que levou para casa o "Movimento Cansei".

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22 comentários

  1. O que me deixa perplexo é que o Kinect é essencial para a tentativa da Microsoft de dominar a sala de estar, a parte de mídia, já que tudo foi pensado usando reconhecimento de voz e de movimentos. Digo essencial do modo que tentavam vender a coisa. Talvez agora mudem o papo.

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  2. Como diz um cara no twitter. agora a MS tem um PS4 com Titanfall. Ou eu diria, 70% de um PS4 com Titanfall.

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  3. Eu acho que a tecnologia desenvolvida pelo Kinect ainda pode ser muito útil em outros produtos da Microsoft. Mesmo numa futura central de entretenimento, em aspectos não relacionados com games. Todavia, impor esse dispositivo atrelado a um produto que é visto como um console de games, pela gigantesca maioria do público-alvo, foi uma estratégia errada, ainda mais por conta do custo elevado, em troca de benefícios para lá de duvidosos...

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  4. A idéia do bunble com o console poderia até ser boa. Mas o console custar BEM mais caro que o concorrente mais possante por isso não fez realmente sentido comercialmente e para quem só quer jogar.

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  5. Pior ainda é quando colocam mudanças nos jogos multi-plataforma de modo a ressaltar o diferencial de uma delas. Vide o caso do Mortal Kombat de PS Vita, em que eles colocaram uma série de missões extras em que depende-se do toque de tela. É um elemento intruso, com um claro sabor artificial, aquele ar de forçado, feito apenas para cumprir uma exigência contratual ("se quer lançar no ps vita, tem que fazer uso de touchscreen") Estas empresas já estão passando do ridículo com a necessidade de atrair atenção, nem que seja com um skin extra em sua versão (Injustice a Arkham Origins, por exemplo),

    Mas agora fica a dúvida: É fato que o xbox one é inferior ao PS4. Estarão praticando preços iguais por duas máquinas com disparidade de performance. Antes, um consumidor podia pagar mais caro no X1 iludido com a idéia de que o preço era pelo kinect e que a câmera traria uma experiência diferenciada. Mas e agora? É apenas pagar o mesmo valor por algo mais fraco.

    Eu tenho processador Pentium e placa geforce. Eu sei que paguei mais caro neles que poderia ter pago em modelos da AMD, por exemplo, mas eu tive boa experiência com as marcas que comprei, já tive trauma com processadores ruins, e considero que os drives da Nvidia são melhores e realmente impactam na performance. Eu posso estar pagando mais caro, porém creio estar adquirindo produtos de melhor qualidade e durabilidade.

    Mas, se eu quisesse comprar um console nesta geração (e não quero) qual seria o atrativo pelo x1? Se vou pagar por um produto inferior, precisa haver um diferencial. Preços mais baratos, mais exclusivos, jogos melhor optimizados, promoções mais constantes... A única coisa que a microsoft faz melhor que a sony é a qualidade do serviço online. Com a maioria dos jogos saindo para os dois, e o PS4 de forma consistente mostrando performance melhor, pra que x1?

    Eu diria que até aquele aborto encalhado do Wii u é mais relevante, pois pelo menos tem a diferença de vários exclusivos, como da própria Nintendo. A menos que invistam num serviço bem melhor, mais exclusivos ou um preço melhor, o x1 vai ser apenas o primo pobre e eleijado do ps4.

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  6. Não consigo mesmo entender como a Microsoft fez tanta burrada com o X1. Na geração anterior eu achava o 360, tanto em performance quanto em oferta de jogos, além de experiência geral (para não dizer preço) bem superior ao PS4. Agora, parece que todo o know-how adquirido foi esquecido - o que me leva a pensar que o sucesso anterior, a exemplo do wii, foi mera sorte ou acidente - e a fabricante só tomou medidas com a nova plataforma que irritaram ao mercado, incluindo ao público cativo dela. Jogadores de consoles costumam ter uma lealdade (pouco saudável) a determinada companhia. Foi surpreendente o êxodo de consumidores que apoiaram o 360 migrando para PC e/ou PS4, de tão enojados que ficaram com o anúncio do x1. Microsoft só fez perder a confiança do público e mostrar que não sabe o que faz. Agora é forçada a remendar a situação do jeito que pode. Se eles colocassem a máquina custando uns 25 dólares a menos, podiam arrancar alguns nacos de carne da concorrência. Mas acho que vão continuar sendo um ps4 versão castrado. Quem quiser uma alternativa bem diferente ao ps4 vai ter que ir de wii u.

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  7. O X1 foi equivocado deste o início. Penso que isso se deve, em grande parte, a uma arrogância da Microsoft em pressupor um domínio ou um poder que, na verdade, ela não tinha (mesmo raciocínio, aliás, para a Nintendo). Elas apostou todas as fichas numa única mão... e perdeu. Até entendo a lógica por trás da idéia de transcender o console, transformando-o numa central de entretenimento. Mas a repulsa que o aparelho conquistou entre o público-alvo, quando foi apresentado, deveria ter acendido uma luz vermelha na empresa. Bem, acendeu alguma (tanto que a obrigatoriedade do "always online" caiu), mas pelo visto não foi o suficiente. Para a MS ter uma saída, ela precisaria ter um linha muito forte de exclusivos (o que é cada dia mais inviável) ou ter mais musculatura no aparelho. Sem uma coisa, nem outra, os prognósticos são os piores possíveis para ela. Quem está rindo disso tudo é a Sony, cujo maior mérito nessa geração foi simplesmente o de não fazer nenhuma cagada. Claramente vencedora mais pelos erros dos adversários do que por mérito próprio.

    Se a Microsoft queria seguir o caminho da Nintendo, de apostar num "diferencial" sobre o mero poder bruto de processamento, devia tê-lo feito com mais critério e inteligência. Algo que REALMENTE seduzisse a comunidade gamer. Uma sugestão? Um certo produtinho que apenas iniciados conheciam há um tempo atrás, e agora todo mundo fala nele, depois que foi adquirido pelo... FACEBOOK: o Oculus Rift. Um produto com tanto potencial de sedução que a própria Sony está desenvolvendo um similar (e, ao que tudo indica, inferior). Novamente, ponto para ela, Sony. Seja por soberba, seja por burrice, a MS solenemente ignorou o produto. Se tivesse comprado a empresa anos atrás, e daí investisse grana para solucionar seus poucos problemas remanescentes, hoje teria um produto de apelo tão forte, que até eu, que sou PC Gamer de carteirinha, ficaria tentado a comprar o console dela. 

    Agora é tarde demais. Praticamente a única alternativa que sobrou é investir em exclusivos... e isso vai custar UMA GRANA PRETA. E sem garantia de retorno.

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  8. Acho que a Sony teve mérito próprio. Investiu nos pontos fracos do PS3, que eram pouca memória em geral, sistema e vídeo, e GPU mais fraca. A MS fazer lambanças só capitalizou esse potencial. Porém a guerra dessa geração esta apenas começando e sempre é bom lembrar o lema "Nunca subestime a MS". Ela é tipo os Lannisters! :)

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  9. "Mérito" eu acho que seria muita generosidade de chamar isso aí. Melhorar essas deficiências de gargalos, digamos, "comuns" de hardware de uma plataforma de games é o MÍNIMO que se espera de uma empresa da área, de uma geração para outra, ainda mais vindo de uma geração onde a musculatura inferior e a dificuldade de programação foram repetidamente criticadas. Mas numa época em que a concorrência sô mete os pés pelas mãos, fazer o mínimo já é algo a ser aplaudido, fazer o quê?

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  10. Há uma outra alternativa. Fechar exclusividade com estúdios pequenos que criam jogos indie. Certamente são mais fáceis de serem fisgados que empresas de médio e grande porte.

    Outra possibilidade é o suborno reverso. Cobrar fatias menores de third parties, porém de modo a que elas sabotassem a versão ps4 do jogo de modo a não ser muito melhor que no x1, além de colocar elementos exclusivos na versão x1, como roupas extras, personagens adicionais, mais armas, mais fases, etc.

    Eu diria que a Sony até agora vem acertando, e não só foi beneficiada pelos fiacos da nintendo e microsoft. Eles criaram um bom e firme console, sem presepadas, sem riscos, sem nada de inovador que seja obrigatório sem antes testar a reação do mercado.

    Na geração anterior, se eu tivesse que ter um console (e não cheguei a ter), não tenho dúvidas de que teria optado pelo 360. Hoje, seria PS4 na cabeça.

    Em parte eu até entendo o anseio de identidade própria da nintendo e da microsoft, porque sem isso, a impressão que fica é que as plataformas atuais não passam de PCs de porte mediano (parados no tempo ao longo da geração enquanto pcs seguem avançando) com optmização reforçada.

    Antes, era difícil "catequizar" um proprietário de plataforma microsoft ou nintendo, porque eles compraram a idéia de que o controle diferenciado é o futuro. Seduzir um consumidor da Sony (e a partir de agora, da microsoft) sobre a vantagens de jogar no pc tornou-se bem mais simples, com a única rocha de resistência sendo exclusivos first-party. Até mesmo em matéria de configuração e compatibilidade PCs melhoraram substancialmente perto do que se via há 10 anos ou mais.

    Microsoft parece ter desaprendido com seus acertos passados, ao passo que Sony aprimorou-se após seus erros. Na geração anterior, a Sony achou-se rainha da cocada preta demais, achou que com preço escalafobético venderia bem, tomando como base a larga vantagem que o ps2 sempre manteve sobre a concorrência. E montou um console difícil de programar, deixando bem difícil adaptar o mesmo jogo para a concorrência. O tiro saiu pela culatra quando desenvolvendores e consumidores começaram a preferir o 360 e o wii começou a quebrar recordes de vendas.

    A impressão que eu tenho é que eles calçaram sandálias da humildade e preferiram optar por uma estratégia sóbria e segura. Afinal, cometer um erro numa geração pode amargurar prejuízos a longo prazo, na casa de centenas de milhões. Não é bom arriscar.

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  11. Concordo com Fabiano, sobre isso de não subestimar a Microsoft. Eles já mostraram que não tem medo de puxar o freio, engatar a ré, ou mesmo dar uma guinada de 180 graus. Eles erram, mas quando começa a doer nos bolsos e nas vendas, não fazem cerimônia em alternar de tática.
    Dinheiro para cobrir tais medidas eles com certeza possuem, bem mais do que Sony e Nintendo. Sem falar que em outras áreas, como sistemas operacionais e aplicativos, a microsoft continua lucrando alto. A nintendo tem nos portáteis sua resistência, embora até eles estejam perderndo espaço para outros dispositivos, ao passo que Sony anda mal das pernas nos outros departamentos, dependendo da marca Playstation.

    A solução que eu vejo, caso não seja possível liberar muito poder pela ausência do kinect e com atualizações por software, está no dinheiro. É só cobrar menos das fabricantes. Ou fazer acordo de semi-exclusividade, em que o jogo precisa sair no x1 seis meses antes do pc e pelo menos 1 ano antes do ps4. Outra medida que pode ser eficaz é a compra de fabricantes como Sega ou Capcom, esta última andando mal de finanças.

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  12. Eu duvido que a política de exclusivos se enfraqueça nessa geração. Vemos o que a MS fez com Titanfall, e o mesmo acontecerá com outros títulos importantes dos dois lados. Console vive disso, e que o port para o PC demore bastante em alguns casos (vide Red Dead Redemption).

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  13. Thiago:

    Comprar desenvolvedoras, ainda mais as de grande porte, pode trazer mais dor de cabeça do que benefícios. Aí já entramos numa área onde qualquer desdobramento é imprevisível. Ainda mais com a Microsoft, que teve, e continua tendo, problemas de relacionamento e controle dos mais diversos com as desenvolvedoras que trabalhavam diretamente para ela ou mesmo foram adquiridas por ela. O caso da Bungie, só para ficar na parceria que mais deu certo (para a MS), por exemplo, é sintomático. E não me surpreende que a companhia tenha optado, no final, por encerrar sua exclusividade com a Microsoft. Sinceramente, IMHO, se a MS enveredar por aí, é capaz de perder tanto dinheiro que fará um eventual colapso do Xone parecer a grana da merenda. E mesmo que ela ainda tenha bolsos fundos para amargar eventuais prejuízos, duvido que esteja disposta a fazê-lo. O objetivo final da empresa, afinal de contas, é ter lucro e dar dinheiro para seus acionistas... não se manter competitiva no mercado de games a qualquer custo. Até porque esse é apenas um dos seus negócios, e sequer é o principal. Por isso não me surpreende ela 1) evitar o modelo tradicional de perder (muito) dinheiro em cada venda de console, subsidiando-o e 2) tentar transformar o aparelho em central multimídia, diminuindo sua dependência desyte mercado. A fraca musculatura do aparelhp parece indicar justamente que a empresa está chegando no seu limite, no que diz respeito às suas pretensões no mercado de games.

    Se eu fosse a MS, eu largaria para lá esse negócio de plataforma de hardware, algo em que eles nunca foram realmente bons, e mudaria o foco para o PC Gaming, onde eles teriam muitos trunfos por serem donos do SO. Faria um equivalente Windows do Steam OS . Com a vantagem da compatibilidade imediada. E vale lembrar que até aí estão perdendo o protagonismo e a iniciativa para a Valve. 

    Fabiano: a política de exclusivos vem se enfraquecendo ano após ano. Não tenho estatísticas, mas cada ano que passa diminuem os exclusivos de alguma relevância, e tenho lá minhas dúvidas se alguém, fora do mercado gamer-radical-cheio-da-grana, que iria optar por uma plataforma só por conta de um ou dois exclusivos anuais que o interessariam pessoalmente,e num mar de dezenas de outros títulos multiplataforma tão interessantes quanto, ou mais. O jogo está caro demais para conseguir manter como exclusivos os jogos AAA. Veja a Bungie... se fosse vantagem para ela, porque ela agora está desenvolvendo multiplataforma.

    Não que a MS não possa investir os tubos em exclusivos. Só digo que será uma tática ainda mais arriscada, com perdas possíveis ainda maiores.

    Aposto mais numa outra opção dita peloo Thiago: os exclusivos por tempo limitado, ou com algumas características cosméticas a mais. Mas não acho que fará muita diferença...

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  14. Guilherme, não duvide da capacidade das pessoas em comprar um console por causa de um mero exclusivo. Vejo isso acontecer o tempo todo! :-/

    Pudera o Steambox ter engrenado mais rápido e ser mais simples. Infelizmente com várias configurações possíveis, ele não será um console, em termos de simplicidade, mas continuará confuso para quem gosta de consoles.

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  15. Realmente, diante da Valve, a Microsoft está perdendo de goleada em seu próprio estádio. Eu não acho que eles largarem mão de consoles seja o ideal, contudo. Nunca se vendeu tanto console como na geração anterior, e com base no sucesso inicial de ps4 (e até mesmo x1, que vendeu uns 5 milhões custando 100 dólares a mais que ps4 e 200 a mais que o wii u), isso não vai mudar. Nunca houve tanta procura por consoles, tanto que até a Valve quis enveredar por aí.

    Acho que o erro da microsoft foi não comprar franquias e empresas. Eles podiam, por exemplo, ter comprado o catálogo da Interplay no começo da década passada, ou mesmo a empresa, que estava muito ruim das pernas.

    Se eles comprassem a Capcom, que está devastada, não só teriam vários títulos de peso, como poderiam obter vendas significativas na Ásia, onde sempre foram rejeitados. Acho que até eu cogitaria comprar o X1, se fosse o único lugar onde seria possível jogar Devil May Cry, Street Fighter, Resident Evil... É o jogo exclusivo de peso que faz o grande diferencial entre máquinas equiparadas, e que pode virar a mesa quando se tem a máquina visivelmente mais fraca.

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  16. Não subestimo... mas tenho minhas dúvidas se este público, em especial, é numericamente representativo no grande quadro geral. Penso que, se fosse, a maior parte dos investimentos das proprietárias de plataforma iria para garantir exclusivos. O fato de não ser assim indica que ou o custo é alto demais para ser bancado, ou os benefícios obtidos em troca disso não são suficientes. Mas, claro, estou no terreno das meras conjecturas. ..

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  17. Thiago, não sei não. Se as vantagens econômicas de se comprar terceirizadas fossem tão certas, MS e Sony estariam se estapeando para comprá-las, em vez de ficarem dando tratos à bola para inventarem diferenciação no hardware. Se fosse assim, a MS nunca teria deixado a Bungie seguir seu próprio caminho, justo sua parceria de maior sucesso. No final o que realmente importa - e é mesmo o que deveria importar - é o lucro, o dinheiro. E se as empresas não estão seguindo uma determinada tática é pq, no final, ela não compensa financeiramente.

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  18. E só complemento com um último detalhe: se a Capcom está mal das pernas, é pq não está vendendo tanto assim. E se já não está vendendo tanto assim em multiplataforma, que dirá se for exclusiva de uma única....

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  19. Isso de figurar em todas as plataformas pode ter um efeito reverso. Acaba por se tornar lugar comum, ficando diluído, passando desapercebido.


    No caso da capcom, não é apenas questão de baixas vendas, mas por ter irritado o público com alguns upgrades desnecessários e banais, além do fiasco com tekken vs street fighter, a falta de criatividade nos jogos, a estagnação da série megaman (que teve vários anúncios cancelados). Eles se queimaram junto ao público.

    Se eu não pudesse jogar em pc, e tivesse que jogar em console, hoje eu pegaria o ps4. Mas se em acréscimo ao PC, eu pudesse ter um console como plataforma adicional, eu escolheria, apesar dos pesares, o wii u. Sim, ainda é meio caro para algo tão defasado. Sim, é um PS3 genérico sendo empurrado como sendo algo da geração atual. Sim, ele tem poucos jogos. Porém, só nele eu consigo os jogos da Nintendo, coisa que eu não verei tão cedo num steam da vida. Só nele eu verei Bayonetta, ou um novo Fatal Frame.

    Tendo PC, eu não vejo vantagem nos consoles, exceto por alguns poucos exclusivos. E dentre a oferta de exclusividade e variedade, a que me soa mais atraente é a da Nintendo.

    Se os jogos hoje precisam ser multi-plataforma, isto dá-se ou porque o desenvolvedor sonha alto demais, ou porque deixou a torneira muito aberta na hora de fazer o orçamento do jogo. Veja algo como Fatal Frame, ou Street Fighter 4. São jogos com bom aspecto, de qualidade, mas que não possuem orçamentos estourados. Seriam plenamente capazes de terem os custos cobertos e gerarem uma base boa de lucros numa única plataforma.

    Há alguma coisa muito errada com o mercado, quando vejos os criadores de tomb raider desapontados porque o jogo, mesmo tendo vendido mais de 5 milhões de cópias, mal conseguiu cobrir seu custo de produção, precisando vender bem mais do que isto para satisfazer o lucro ambicionado e justificar o risco corrido. Isto chega a ser insano.

    O mercado só ficará saudável quando as empresas tiverem melhor consciência que videogames precisam ser como cinema. Você tem os filmes trash que saem direto em vídeo. Tem filme para TV e dvd, tem filmes de baixo, médio, grande e gigantesco orçamento. Mas sabe que a cada ano o mercado só pode comportar um número limitado de filmes caríssimos.

    Querer que cada jogo seja um blockbuster que custa mais de 100 milhões é algo simplesmente irreal.

    Se o mercado de fato só justificar um jogo caso ele seja multi-plataforma, então o mercado há de ser repensado, e estes jogos de altíssimo orçamento precisam ser lançados a conta-gotas. Ou, no máximo, com uma colher de xícara.

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  20. Ser exclusivo, ou semi-exclusivo de uma plataforma, tem também um outro aspecto positivo. Marketing gratuito.

    Se uma empresa como Capcom, ou Sega, ou Bioware decide lançar um jogo para todas as plataformas (pense em qualquer um, street fighter, sonic, mass effect, dragon age), a própria empresa precisa fazer seu marketing. As fabricantes de consoles não desejarão dar muito destaque pois sabem que algo comum a todas as plataformas não é realmente um trunfo, mas um ponto comum, de menor relevância.

    Agora, quando se trata de um jogo exclusivo, o destaque obtido na imprensa não só é maior, como a própria fabricante do console deseja promover o título. Vocês acham que Titanfall estaria sendo tão comentado assim, caso fosse um jogo de PS4 também?

    O próprio Mass Effect 1 promoveu o 360 e foi promovido por meio dele e da microsoft, dado o seu caráter exclusivo (pelo menos entre os consoles, algo que manteve-se por muitos anos), ainda que meses depois tendo saído para PCs.

    Muitas vezes um jogo tem o mesmo valor de sua produção dedicado a fazer seu marketing. No caso do mass effect 1, eu imagino que a bioware deva ter tido uma economia generosa por conta da própria microsoft ser interessada em promover o jogo. Não só eles devem ter faturado um bocado com a exclusividade, como ganharam destaque na imprensa extra por conta disso, além de uma marketeira gratuita na microsoft.

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  21. Eu não utilizo Twitter, então utilizarei este espaço para comentar sobre o fechamento do Xbox Entertainment Studios. Eles não são um estúdio de criação de jogos da microsoft, mas sim produção televisiva para documentários e torneios do canal de tv da xbox live. É sem sombra de dúvida mais um sinal de franca decadência da microsoft e enfraquecimento da marca xbox, porém não afeta em nada a produção interna de jogos. Eles não chegaram a lançar praticamente nada em matéria de programas, embora tivessem planos de criar documentários e séries de tv.

    O que pode ter gerado confusão em sua cabeça é a semelhança com Microsoft Studios, que é a empresa mãe, abrangindo não só o XES mas também outros grupos.

    Hoje em dia existem cerca de 10 estúdios internos na Microsoft, e não devem sofrer alteração devido a esta mudança no canal de tv interno.

    Sendo uma grande corporação, contudo, nada impede que a Microsoft remaneje seus estúdios, dissolvendo alguns e fazendo fusão entre outros. A EA faz isto o tempo todo. Aces, Carbonated Games, Digital Anvil, Ensemble, FASA e Hired Gun são exemplos de grupos internos da Microsoft que foram por algum motivo dissolvidos em reformas internas da companhia. Nada disto indicou que eles estariam largando o barco na criação de jogos do Xbox, 360 ou do Xone.

    Sempre achei uma idiotice isso do canal interno deles, pois funciona como um clube seleto apenas para quem já comprou o console. O ideal seria uma página promocional, com um canal de vídeos associado (no youtube seria o mais indiicado) que serviria como marketing para quem ainda não comprou o aparelho.

    Você deve estar lembrando de que quando anunciaram o X1, mencionaram "television" umas 40 vezes. A Microsoft estava simplesmente com idéia fixa em tv e sala de estar. Quem se beneficiou com isso foi a Sony, que promoveu sua plataforma como sendo primordialmente focada em jogos.

    Os planos do estúdio me soam até como vergonhosos. Um monte de enlatados sci-fi de gosto duvidoso. Um remake de Blake 7 (provavelmente motivado pelo remake de galactica e o reboot de star trek), um seriado chamado humans, e um seriado baseado em nada menos que Halo (que agora foi pelo ralo).

    O canal dificilmente chegaria a quem não tem o console. Não chegou para quem fez a burrada de comprar, já foi (tarde) e não fará falta.

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  22. Obrigado pelos esclarecimentos, Thiago!

    Grande abraço!

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