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Porque Escolhi o PC Gaming

terça-feira, agosto 05, 2014 José Guilherme Wasner Machado 4 Comentários Categoria: , ,



"O PC Gaming está condenado. É uma questão de tempo até ele morrer. Vocês verão, é inevitável!".

Foram incontáveis as vezes que escutei ou li essa profecia apocalíptica nos últimos 25 anos - um quarto de século, uma eternidade no mundo da tecnologia. As justificativas não faltavam. "Os PCs são caros demais, se comparados com os consoles". "Os PCs se tornam obsoletos muito rapidamente, exigindo dispendiosos upgrades para se manterem graficamente competitivos". "O hardware aberto do PC torna um pesadelo programar para ele". "A pirataria desenfreada faz do PC uma plataforma economicamente inviável, e isso nunca vai mudar". "Os gêneros mais característicos do PC não se comparam, em termos popularidade, aos jogos de plataforma, de luta, ou aos JRPGs que fazem a festa dos usuários de consoles". "Como vou jogar Street Fighter ou Castlevania com mouse e teclado?". "As melhores e mais populares franquias estão distantes do PC. De Mario a Zelda, de Final Fantasy a Crash Bandicoot, de Gran Turismo a Metal Gear Solid. Ninguém quer saber de esquisitices como Elder Scrolls ou Fallout". "As desenvolvedoras que realmente importam estão se lixando pro PC. Bethesda, Bioware, Blizzard ou Id? Figurantes irrelevantes perto dos verdadeiros astros, como Konami, Rare ou Square".

Resumindo: "Aceitem: o PC Gaming é um nicho caro e impopular, obscuro e pirateado, pelo qual ninguém dá a mínima e que está inevitavelmente, irremediavelmente, incontestavelmente condenado à extinção. Resistir é inútil".

Será mesmo?

Antes que vc prossiga na leitura deste artigo:1) Refiro-me aqui a PCs voltados para games, não aqueles PCs genéricos do tipo que as mães compram nas Americanas para atormentar os filhos no Facebook.
2) "Ah, mas aqui no Brasil...". Na boa? Não importa muito a realidade brasileira. O Brasil tem importância secundária terciária para a indústria de games. O que realmente interessa para este artigo são os principais mercados mundiais: Europa e, principalmente, Estados Unidos.

Para ser justo, algumas dessas críticas tinham a sua razão de ser. Outras, por outro lado, eram motivadas por desconhecimento ou pelo mais puro preconceito. O fato é que os anos foram passando, e nada do tal "PC Gaming", esse patinho feio, esse Frankenstein tecnológico, capitular e morrer de vez. Novas gerações de consoles surgiram, velhas gerações de consoles desapareceram, antigos competidores foram à falência, enquanto outros entravam na arena, prontos para brigar por um lugar ao sol. E o PC, sempre esnobado pela maioria, perseverou, preservando as suas qualidades e reformulando suas deficiências

Isso, claro, não desencorajou os Profetas do Apocalipse. "AGORA o PC vai morrer. Dessa vez vai. Não tem jeito, chegou a hora, agora ele se vai, vocês irão ver!", insistiam eles, em alguns casos à beira da histeria. Talvez, quem sabe, estivessem ansiosos para abraçarem uma realidade mais reconfortante e previsível. O mundo PC, convenhamos, é bem caótico. Não vou negar, em muitas ocasiões temi que as previsões pessimistas desses babalorixás tecnológicos acabassem por se realizar.

Bem, o futuro chegou, e, no final das contas, se mostrou bem diferente do imaginado - ou mesmo desejado - pelos Profetas do Apocalipse. O defeitões do PC, pouco a pouco, foram contornados ou suavizados. Alguns deles, na nova realidade do mercado, até se transformaram em virtudes. O mercado cinza encolheu, e milhões de jogadores de PC abraçaram a legalidade. APIs, padrões e novas técnicas de programação tornaram mais fácil abstrair e isolar a enorme diversidade de hardware. A tecnologia, em constante evolução, acabou por deixar os consoles para trás, em termos de potência gráfica, de processamento e de armazenamento. Os preços caíram. Os gabinetes se tornaram mais bonitos. Os longos ciclos de vida dos consoles, por atuar como "âncoras tecnológicas" para os jogos multiplataforma, tornaram os tais "upgrades obrigatórios" muito menos necessários e muito mais espaçados. Podendo até mesmo ser ignorados completamente dentro de uma mesma geração, por boa parte dos jogadores. Os tais "jogos de nicho" do PC caíram no gosto do grande público. Suas desenvolvedoras, hoje, são mais lucrativas e populares do que nunca. Até a arquitetura do PC, tão menosprezada no passado, é agora uma inspiração para os consoles. Inovações surgidas no PC, como jogabilidade online, MMOs, "Free to Play', Streaming, comunidades de jogadores, entre dezenas de outras, ditam boa parte dos rumos da indústria. O PC, hoje, pode usar os mais diversos gamepads, se o usuário assim o desejar, e está conquistando, aos poucos, o conforto da sala de estar. E o PC, quem diria, se tornou a vanguarda tecnológica. O "Norte" a ser perseguido pelos aparelhos dedicados.

Não sei se o leitor concordará comigo, mas afirmaria que, pelo menos por hora, os tais profetas do "Apocalipse PC" se enganaram redondamente. Não sei o que o futuro reserva, mas ouso dizer que o PC continuará a se reinventar, a assumir novas formas e marcar presença na indústria dos games.

O PC não é alvo de antipatia gratuita apenas por essa galera de profetas tecnológicos. Por alguma razão que acho difícil de entender, a plataforma é esnobada por grande parte da imprensa especializada, que a trata como algo "menor" dentro da indústria. Diria até mesmo "irrelevante". Vemos estudos, análises, capas, matérias especiais e debates acalorados sobre novas versões de gamepads ou sobre mudanças na forma como o encanador Mario saltita pelos cenários coloridos. Mas as constantes inovações surgidas / aperfeiçoadas / consagradas no PC, e que hoje ditam fortemente os rumos no mercado, sempre foram vistas como algo secundário, tedioso e sem importância, só sendo debatidas de forma mais ampla e entusiasmada quando finalmente adotadas pelos consoles.

Pudemos ver, recentemente, um exemplo bem didático dessa atitude. No caso, em relação ao revolucionário Oculus Rift. Encarado então como uma tecnologia obscura e de nicho - bacana, sem dúvida, mas algo mais voltado para "aquele povo estranho do PC" - se tornou, subitamente, a ordem do dia na imprensa especializada, quando a Sony anunciou sua cópia barata versão para o PS4. Antes, uma tecnologia relegada às notas de rodapé, lá pelas páginas do meio. Depois, estampada gloriosamente nas manchetes da primeira página. Se me contarem que a maioria dos gamers acredita hoje que foi a Sony a pioneira nessa tecnologia, não ficaria minimamente surpreso.

O fato é que o PC é, e sempre foi, uma excelente plataforma gamer. Para jogadores, desenvolvedores, publishers e visionários da tecnologia. No meu entender, é a melhor plataforma. Ponto. Mas não formei essa opinião (pessoal) por meio de "ismos" acéfalos. Aqui não tem "Fla x Flu". Não tem "Meu Mario é melhor que o seu Kratos". Entendo perfeitamente que existam questões abstratas, subjetivas e de gosto pessoal na escolha de uma plataforma. E que elas são totalmente válidas. Tampouco sou imune a esses fatores. Anseio mil vezes mais por um Pillars of Eternity ou por um Wasteland 2 do que um novo Halo, Zelda, ou God of War. Mas não é disso que trata este artigo. Em parte, sim, escolhi o PC como minha plataforma única de games por conta de seus jogos exclusivos. Mas, principalmente, escolhi o PC por uma série de razões bastante lógicas, racionais, objetivas, econômicas, e, em alguns casos, até ideológicas. Listo agora essas razões, num esforço para dar um contraponto, por mais obscuro que seja (sim, tenho bastante noção da minha insignificância), a anos e anos de descaso, de desconhecimento e do mais puro preconceito e má vontade, por parte da imprensa, dos analistas e dos jogadores.

Vamos lá?

Somos muitos. Com poder de fogo. E estamos crescendo sem parar.

Só no Steam os jogadores de PC já totalizam 75 milhões de usuários ativos (Ops, notícia velha. 100 milhões). A Intel estima que somos mais de 700 milhões (!) no mundo todo. Mesmo reduzindo este valor à metade, são números impressionantes. Isso, obviamente, torna a plataforma atraente para os desenvolvedores. O que, por sua vez, assegura um fluxo contínuo de novos jogos, exclusivos ou multiplataforma. Mesmo que, às vezes (por razões contratuais ou medo de pirataria), alguns desenvolvedores dêem uma segurada, a maioria dos bons títulos multiplataforma acaba chegando mais cedo ou mais tarde.

E, ao contrário do que pensam muitos desinformados, boa parte desses jogadores aí tem bala suficiente na agulha. Usando os dados do Steam como amostragem estatística, 72% possuem GPUs DX11. 40% possuem 8Gb de RAM ou mais. Quase metade possui processadores com 4 CPUs ou mais. Mais de um quarto (25.39%) dos usuários do Steam se dá ao luxo de rodar seus jogos em dois monitores, lado a lado, em incríveis 3840 x 1080 pixels de resolução. (Fonte)

O hardware pode SIM ser barato

De fato, houve uma época em que jogar no PC exigia vultosos investimentos. Para ter um hardware minimamente comparável, em termos gráficos, a consoles de ponta, era precisa investir uma boa grana, várias ordens de grandeza acima do valor desses mesmos consoles. Mas hoje é possível ter uma excelente experiência de jogo mesmo num PC barato. De verdade. Há PCs de algumas poucas centenas de dólares que oferecem performance gráfica igual ou superior ao de um console "next-gen" e com todas as outras vantagens que a plataforma possui (vide ao longo dos próximos parágrafos). É possível até montar um pczinho bem decente por praticamente o mesmo preço de um console.

E os próximos anos devem acentuar ainda mais essa vantagem.

O hardware é customizável de acordo com a SUA disposição para gastar

Sim, é possível investir pouco e ter uma experiência de jogo comparável com qualquer console de geração mais recente. Até os tablets, aos poucos, estão chegando lá. Mas se quiser ir além disso, você não está preso a nenhuma especificação proprietária. Você é livre para aumentar a potência do seu computador o quanto quiser, de acordo com suas possibilidades monetárias. Existem sim os malucos que gastam alguns milhares de dólares para montar um PC poderoso o suficiente para rodar um jogo em vários monitores, com 4K ou mais de resolução, para ficar apenas em um exemplo. Mas a maioria dos entusiastas é composta por pessoas mais "pé no chão", que investem apenas um pouco mais para ter, hoje, uma performance que só os consoles da próxima-próxima-geração serão capazes de oferecer... se vierem de fato a existir.

O hardware evolui constantemente, mas você só acompanha se for DO SEU INTERESSE.

Ao contrário do que afirmam alguns pretensos entendidos, você não é "obrigado" a fazer upgrades em seu PC todo santo ano para jogar os títulos mais modernos de uma geração. Já se foi a época em que isso era necessário. Como os consoles atuam como "âncoras tecnológicas", todo título multiplataforma (a esmagadora maioria dos jogos AAA, por sinal) precisa ser nivelada por baixo, pelo menor denominador comum. E o menor denominador comum, atualmente, é muito modesto, já que os consoles da nova geração são baseados em tecnologias consideravelmente datadas. Mesmo sendo máquinas dedicadas, o abismo tecnológico é tamanho que, se você possui uma boa placa de vídeo, "mid-tier", ela com certeza será capaz de rodar com competência de sobra todos os títulos multiplataforma dos próximos cinco anos ou mais.

Independente disto, você não está preso a nenhuma amarra. O PC é seu. Se, a certa altura, por alguma razão pessoal, quiser investir mais para ter uma máquina mais fodástica, bem, a escolha é SUA.

Há utilidade SIM para um hardware mais potente

Uma das grandes vantagens do PC sobre a concorrência é a possibilidade de usar MODs, que são modificações criadas por usuários. Muitos desses MODs (que a cada dia estão mais profissionais e competentes) visam aprimorar os gráficos de um determinado jogo. Graças a eles, é possível escapar da "âncora tecnológica" representada pelos consoles.

Texturas (muito) mais elevadas que as oferecidas originalmente, cenários mais detalhados ou mais abrangentes, uma maior população de NPCs (dando mais vida ao ambiente), geometria mais complexa de personagens, veículos, armas e objetos, horizonte mais distante, enfim, é possível fazer um jogo avançar, em certos departamentos, o equivalente a anos de evolução gráfica. E, vale notar, não é um caminho 8 ou 80. É possível instalar esses recursos de uma forma personalizada, na medida certa para o poder excedente do seu PC.

O PC pertence A VOCÊ. O console, NÃO.

Este é um ponto particularmente importante para mim.

Se você tem um PC, pode fazer o que quiser com ele. Substituir o sistema operacional ou o navegador oficial. Instalar CODECs ou programas que lhe permitam ver qualquer formato de vídeo, imagem ou som. Usar emuladores. Transformá-lo em servidor. O aparelho é seu, mesmo que tenha sido comprado pronto, fechado, de alguma empresa conhecida.

O console, não. Se quiser instalar qualquer coisa diferente nele, mesmo que seja um software perfeitamente legal (digamos, um servidor Linux), será necessário fazer jail breaking, uma operação complexa (muitas vezes impossível), arriscada, e que lhe fará perder a garantia do fabricante, o suporte técnico e as atualizações oficiais. E, absurdo dos absurdos, deixará você suscetível de ser processado judicialmente. É bizarro, revoltante, inaceitável, mas é isso mesmo: você pode ser processado por instalar um software perfeitamente legal em um hardware pelo qual você pagou. Ou seja: em termos práticos, o aparelho que você comprou, no fundo, não é de fato seu.

Se um desenvolvedor quiser lançar um jogo com temáticas controversas no PC, ele pode ("controversas" de acordo com a moralidade cristã, entenda-se. Ou seja, violência e assassinatos, sim. Sexo e nudez, não). Não há nada que o impeça. Nos consoles, ele certamente seria censurado ou teria permissão negada. Seria obrigado a se submeter à visão moral da proprietária da plataforma fechada, mesmo que não concorde ou compartilhe dela. Não existe real democracia no mundo dos consoles.

Se você quiser instalar um mod de nudez no seu jogo, ou um mod realístico que lhe permita matar criancinhas (Fallout 3, estou olhando para você), ninguém irá impedir, desde que você não esteja, ao fazer isso, violando alguma lei do seu país. O PC é seu. Ele lhe pertence, e ninguém questiona isso. Tente fazer o mesmo num console.

Isso, vale notar, ocorre também no mundo Apple, que segue a mesmíssima filosofia de plataforma fechada que domina os consoles. Eu não posso comprar o RPG Shadowrun para o iPad porque ele foi classificado como "adulto" por aqui. E a Apple não permite aplicações com temática adulta em seus aparelhos, de modo que o jogo não é disponibilizado na appstore brasileira. Ou seja, eu sou adulto, quero rodar uma aplicação perfeitamente legal de ser vista por um adulto, paguei pelo aparelho em questão e, mesmo assim, sou impedido, pelo fabricante, de fazê-lo. Sou obrigado a aceitar o que a dona da plataforma proprietária fechada diga o que eu posso ou não rodar, independente das leis do meu país e da minha idade. Eu, um adulto, sou tratado como criança e obrigado a engolir isso.

Se pode viver com isso e ser feliz, bom para você. Eu não. Jamais. E é por isso que sou fã do PC.

O PC tem mil e uma utilidades

O PC não é uma máquina dedicada para games. Isso, claro, tem um preço em termos de performance para jogos. Mas essa não é uma desvantagem tão séria como tantos críticos apregoam. As perdas de performance são amplamente compensadas pelo hardware mais poderoso, com sobras. Por outro lado, sua flexibilidade faz dele um investimento muito superior. Você pode trabalhar e ganhar dinheiro com seu computador, pode escrever um livro ou um blog, pode utilizá-lo para fazer complexas ilustrações, editar fotografias, criar planilhas, desenvolver novos aplicativos, montar apresentações, baixar filmes... a lista é longa. Pessoalmente, considero um dinheiro melhor investido.

O PC também é vanguarda

Sabe aquele papo de central multimídia que a Microsoft usa como marketing, como se fosse algo totalmente revolucionário? O PC já faz isso há anos. Talvez de uma forma não tão amigável, mas muito mais livre e customizável. Navegar na internet? Bocejo. Bater papo com amigos fora ou dentro do jogo? Desde tempos pré-cabrianos. Jogar online? Muito e muito tempo antes disso aparecer nos consoles. FPS? RPGs? Redes sociais? Demos? MODs? Distribuição digital? Kickstarters? Jogabilidade casual? Streaming? VR convincente? MMOs? Free to play? Quicksave em qualquer parte do jogo? Capturar telas ou vídeos da jogatina? Ter acesso a um título antes dele ser lançado? Indies? A lista é enorme. Grande número dos conceitos que atualmente moldam a indústria surgiu e/ou se consagrou no PC. Muitas das principais desenvolvedoras que hoje dominam o mercado de consoles vieram do mundo PC. Não despreze jamais a gigantesca contribuição que essa plataforma deu ao universo dos games, só porque sua revista preferida reserva suas homenagens exclusivamente para o Miyamoto. Nem tudo se resume a alavancas analógicas ou controles de movimento, por mais que alguns só prestem atenção a isso.

Os jogos são mais baratos

Você é teimoso e ainda acha que o PC Gaming é caro por um suposto valor mais elevado de entrada? Então compare os preços dos jogos de PC com os preços de jogos de consoles. Veja as constantes promoções que fazem a alegria dos jogadores de PC. É possível encontrar jogos AAA para PC por preços absolutamente ridículos. Não é raro encontrar grandes títulos, relativamente recentes, por preços em torno de 10 a 20 reais. Em pouco tempo, você recupera o tal investimento "elevado". Mas, se acha mais em conta, pode continuar pagando os mais de 200 reais por jogo do PS4.

É eternamente retrocompatível.

Você quer jogar ou reprisar um título de 1997? Ou mesmo de 1987? Você pode. Inclusive com suporte legal e instaladores modernos.

A PC Gamer soltou uma lista recentemente com os melhores RPGs da história da plataforma. Muitos são de dez, vinte anos atrás. Quer dar uma conferida nessas belezinhas do passado? Basta comprar (se não tiver), instalar e jogar. Em alguns casos, através de um emulador. Com alguma sorte, existirão inclusive MODs que tornarão o jogo mais bonito e com menos bugs.

Com o PC, você nunca perderá o investimento feito em um jogo.

É "retrocompatível" com a maioria dos consoles do passado.

Você comprou legalmente Donkey Kong Country na época do SNES e gostaria de voltar a jogá-lo em um novo console da Nintendo? Mas a empresa se recusa a implementar retrocompatibilidade? Ou, pior, exige que você compre o jogo novamente, na lojinha virtual deles?

Relaxe. Instale o emulador de SNES (ou de praticamente qualquer console antigo que desejar) no PC, baixe a ROM do jogo e divirta-se.

É "retrocompatível" com jogos dos Arcades.

Está morrendo de saudades de jogar Zaxxon, Ms Pac Man ou Popeye, e assim relembrar os bons tempos dos fliperamas? Se você tiver um PC, você pode. Tá, é ilegal na maior parte dos casos, mas você pode, se desejar. E quase nenhuma das desenvolvedoras dá muita bola para isso.

Há maior concorrência e, portanto, opções, para o consumidor e o desenvolvedor.

Nos consoles, a maior parte dos preços é padronizada. Se o valor de um determinado jogo é definido como sendo de X dólares, é, com raríssimas exceções, X dólares e ponto final, não importa onde você resolva comprar. Promoções são raras, demoram anos para acontecer, e os descontos costumam ser pequenos. Quem quiser lançar na plataforma tem que pagar os royalties que a proprietária exige, por mais caros que sejam, e não tem para onde correr.

No PC, há múltiplos fornecedores, inclusive de distribuição digital. As promoções e descontos são frequentes. Os valores de desconto são progressivamente elevados. Não é incomum encontrar jogos AAA pelo preço de um "pastel de feira". Qualquer um pode montar um serviço de distribuição digital e concorrer, pois ninguém é dono da plataforma. Com isso, os royalties variam, de acordo com o poder de fogo de cada um. Se um publisher ou desenvolvedor quiser se livrar totalmente dos royalties, pode até mesmo montar o seu próprio serviço de distribuição digital. É, por exemplo, o caso da Origin, da EA. Mesmo que a economia não seja repassada ao consumidor, este se beneficia de alguma forma, já que sua plataforma de escolha se torna mais atraente para as desenvolvedoras, o que resulta em mais jogos disponibilizados. Esse maior poder de negociação e a maior proximidade com o consumidor também torna viável certos títulos de nicho, que de outro modo dariam prejuízo certo.

Até mesmo em revistas de banca é possível encontrar jogos de PC. Jogos bons e completos, por verdadeiras pechinchas.

Certos jogos só são viáveis no PC. O oposto, raramente.

Simuladores complexos de vôo, que exigem mapeamento de dezenas de comandos, ou de controles muito específicos, são impraticáveis de serem implementados usando gamepads. Jogos que necessitem fortemente de marcação de área, arrastar e soltar elementos, seleção de múltiplos personagens, abertura de menus de contexto até mesmo em pequenos objetos, etc, são intuitivos e fáceis de serem implementados por meio de teclado e mouse, mas não em gamepads. É o caso, por exemplo, dos jogos de estratégia (em tempo real ou não) e de certos RPGs altamente táticos. Claro, não é impossível implementar uma maneira de controlar esses jogos por meio de gamepads, mas, via de regra, é algo complicado e torturante para o jogador. Daí existirem poucos exemplares deste tipo de jogabilidade em consoles. Quando existe, o normal é que o jogo seja bastante simplificado.

Já a situação oposta raramente ocorre, pois o PC tem à sua disposição uma enorme variedade de gamepads. Portanto, se você desejar mergulhar num jogo de luta, de esportes ou de plataforma no seu computador, isso não é um problema. De fato, você pode até mesmo usar o ótimo gamepad do Xbox.

Você pode SIM jogar na sua sala de estar, na sua TV de 50 polegadas.

Uma das grandes desvantagens do PC no passado era estar confinado ao desconfortável escritório. Não mais. Há vários aparelhos pequenos, bonitos e silenciosos, até mesmo poderosos, para serem instalados na sala ou no quarto. Algumas soluções de streaming por wi-fi ou rede estão surgindo. Elas permitirão o uso do PC como um verdadeiro servidor doméstico de games, libertando o usuário para jogar onde ele bem entender: sala, quarto, quintal ou banheiro. No futuro, a depender da potência do computador, até para mais de um jogador simultaneamente. É uma questão de tempo. São soluções que ainda precisam amadurecer, mas o caminho é este.

Vale lembrar que o Steam já dispôe de uma interface especialmente voltada para grandes televisões (o modo Big Picture) e que permite que você controle sua biblioteca de jogos a partir de um gamepad comum.

MODs. MODs. E mais MODs.

Já citei MODs ao longo deste texto, de uma perspectiva mais gráfica. Mas existem MODs de todos os tipos, e considero essas modificações feitas por usuários (e, em alguns casos, pelos próprios desenvolvedores) uma das principais razões de escolha do PC como minha plataforma de games. Alguns podem achar que os MODs representam apenas uma oportunidade para deixar a Lara Croft pelada, ou de obter vantagens indevidas, mas os MODs são muito mais do que isso. Para mim, representam uma verdadeira revolução na forma como interagimos com nossos jogos. Os MODs dão um poder enorme aos jogadores. Liberdade total de customização, personalização, correção e expansão de um jogo, de acordo com os gostos particulares de cada um. Com os MODs, os PC Gamers não estão mais presos aos desígnios e limitações das desenvolvedoras. É possível mudar completamente a aparência, o escopo e a jogabilidade de um título.

Você acha que a quantidade de munição do um determinado jogo é muito alta, ou a dificuldade é muito baixa, ou há inimigos de menos? Instale MODs e deixe o jogo com sua cara. O sistema de stealth ou de arco e flecha são pouco realistas? Existirão MODs capazes de transformar aquela tosca experiência arcade em algo mais próximo de uma simulação séria. É possível eliminar os marcadores de quest, incluir novas missões, facções, armamentos e objetos. As possibilidades são infinitas, só limitadas pela imaginação e a disponibilidade de tempo dos modders. Ao que tudo indica, eles possuem muito das duas coisas.

O mais impressionante é que esses MODs tem se tornado cada vez mais competentes e profissionais. Não raramente, chegam a ser superiores ao que foi produzido originalmente para o jogo.

Apenas como exemplo, em Skyrim eu incluí mais de 50 MODs (!). O resultado seria francamente estranho para um veterano acostumado com a versão não alterada dos consoles. É uma experiência fascinante e libertadora.


Bem, estão aí listadas as minha razões. Existem outras, de gosto pessoal, e que não valem a pena falar aqui. Até porquê o texto já ficou longo demais, não?

Este post é, de muitos modos, uma declaração de amor ao PC, que tantas alegrias me proporcionou ao longo das últimas décadas. Sem pretensões, torço para que este esforço lhe incentive a dar uma chance, no futuro, para essa plataforma aberta e não proprietária. Ou, pelo menos, o faça repensar certos preconceitos antigos e reavaliar certas informações equivocadas.

Não custa sonhar. ;)

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4 comentários

  1. muito bom seu post, me fez mudar de ideia quanto a comprar um console da "nova geração", so uma pergunta, com 3000 eu consigo montar um pc que nao se torne obsoleto pelos proximos 5 anos (pra jogar games do tipo aaa)?

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  2. Obrigado, Kaike. No Brasil as coisas são sempre mais difíceis, seja porquê há (MUITO) menos opções disponíveis, seja por conta do dólar inflacionado, seja pelo Custo Brasil, que joga os custos na estratosfera. Infelizmente não há gamer que escape disso, mesmo os PC Gamers. Mas, apesar disto, dá para montar sim, se vc pesquisar bem. Um amigo meu montou há pouco tempo um PC budget por R$2600 que está rodando com folga jogos AAA. Daqui a cinco anos ele poderá não estar rodando jogos AAA "com tudo ligado", mas esse valor dá uma boa margem para que nesta época seja feito um upgrade simples, substituindo a placa de vídeo por outra mais atual, porém também econômica, que existir na ocasião. E, claro, você sempre economizará muito no preço dos jogos, o que compensa mesmo esse extorsivo Custo Brasil.

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  3. Ótimo artigo, concordo com vc em gênero, número e cor.

    Inclusive a anos que eu defendo o PC Gamer (em discussões com amigos e curiosos) citando como exemplos a maioria (para não dizer todos) dos tópicos que vc elencou.

    Mas também é importante lembrar que devemos agradecer aos consoles pela "ancora tecnológica" que permite a longevidade e o investimento em um PC Gamer dure no mínimo 5 anos e o próprio artigo confirma isso.

    Acho que os dois (PCs e consoles) podem coexistir perfeitamente.

    Eu, por exemplo, tenho os dois e vou intercalando entre um e outro. Para mim, o ponto fraco de jogar no PC é que me cansa ficar horas a fio debruçado na mesa com a cara no monitor, mão esquerda no teclado e direita no mouse. Ainda não achei um conjunto que englobe mouse/teclado/suporte para os dois, que seja wirelles para ser usado em um sofá, por exemplo, que possua qualidade e precisão e que não tenha um preço proibitivo, acho que nem existe um conjunto com todos esses pré-requisitos. Então... Quando estou a fim de jogar algum jogo que não exista para console (os mais antigos geralmente) ou que a portabilidade seja mau feita com drásticos efeitos no jogo que comprometam a experiência do jogador, ou quando o valor dele na steam seja absurdamente mais barato do que na XBOXLIVE (quase sempre é) eu jogo no PC. E quando estou a fim de jogar sentado confortavelmente no sofá da sala numa TV grande eu jogo no console.

    Eu sei que o PC pode ser ligado na TV da sala mas, no meu caso, isso é inviávél pois o meu PC Gamer fica no meu escritório e precisa ficar lá, não posso coloca-lo permanentemente na sala e ficar trocando o gabinete de local só na hora que eu for jogar é muita mão de obra. Além do que, o suporte para controle de muitos jogos antigos (e novos também) é quase inexistente e precisa de várias gambiarras (Xpadder, joytokey, etc...) que SEMPRE compromentem a jogabilidade e a experiência de jogo. Estou curioso para ver como a STEAM vai resolver isso com as steam machines.

    Parabéns pelo blog, já está nos meus favoritos.

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    1. Obrigado, Luiz!

      Concordo com você, com certeza PC e consoles convivem muito bem, sem problemas. Este artigo é mais no sentido de combater preconceitos e idéias que há muito deixaram de ser verdadeiras em relação ao PC Gaming. Também fazer um contraponto a um imprensa que, majoritariamente, relega o PC à condição de figurante, na melhor das hipóteses.

      Grande abraço!

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