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Dragon Age: Inquisition - Primeiras Impressões (Sem Spoilers)

segunda-feira, dezembro 01, 2014 José Guilherme Wasner Machado 2 Comentários Categoria: , , ,


Detalho a seguir minhas impressões iniciais sobre Dragon Age: Inquisition, colhidas ao longo das primeiras vinte horas de jogo.

Obs: tirando  a imagem que encabeça este artigo, as demais foram capturadas da minha campanha.

[UPDATE] Após mais de 100 horas, terminei o jogo. Você pode conferir minhas impressões finais sobre ele nos seguintes posts:
- Dragon Age: Inquisition - A Vingança da Bioware?
- Dragon Age: Inquisition - Uma Resenha

A Criação/Levelling de Personagem

Exceto pela customização da aparência física, não há muito o que fazer na etapa de criação do personagem. O jogador escolhe sexo, raça e classe - guerreiro, ladrão ou mago. Para cada classe, existem duas sub-opções. Por exemplo, ladrões podem ser especialistas em arco e flecha ou em adagas duplas. Guerreiros, em armas de mão dupla ou em arma-e-escudo. Essa escolha irá determinar as habilidades iniciais do personagem, mas nada impede que posteriormente o usuário mude completamente de rumo, mesclando habilidades de árvores diferentes - desde que dentro de uma mesma classe. Fico me perguntando o motivo da Bioware não abandonar de vez as restrições de classe, permitindo que o jogador faça o que bem entender, como ocorre nos jogos da Bethesda. Afinal de contas, estamos falando aqui de um RPG francamente voltado para o público mainstream, não para entusiastas hardcore.

Durante o jogo é possível comprar amuletos que "zeram" as habilidades do portador, devolvendo os pontos gastos nelas. Com os pontos recuperados, o jogador poderá então escolher outras habilidades que estejam mais de acordo com o seu gosto pessoal. É uma boa opção para aqueles que se arrependeram de decisões tomadas anteriormente, mas não desejam começar tudo do zero novamente. A classe do personagem, todavia, permanecerá a mesma. Dessa forma, ele permanecerá limitado às árvores de habilidades correspondentes. O amuleto é consumido após o uso e não é barato, custando algumas centenas de "dinheiros" do jogo. Numa das primeiras lojas encontradas,todavia, é possível adquirir um desses amuletos por apenas uma única moedinha. Vale aproveitar a pechincha, mesmo que você não tenha intenção imediata de usá-lo. Note que o amuleto não serve apenas para o personagem criado pelo jogador, mas para qualquer companheiro "jogável" da sua equipe.


 Uma coisa que achei particularmente ruim é a impossibilidade de customizar os atributos básicos do personagem: força, inteligência, etc. Nem no processo de criação, nem no processo de levelling. O jogo faz isso automaticamente, baseado na classe do personagem em questão e nas habilidades escolhidas anteriormente. Deixo claro neste momento que não tenho problemas com a abordagem "mainstream" de vários RPGs modernos, que tentam oferecer mecânicas mais simples e diretas, e assim se tornarem mais acessíveis o público comum. Acho ótimo ter variedade. Se quero um RPG complexo, tenho Wasteland 2 ou Pillars of Eternity, entre vários outros. Mas acho que no mínimo Inquisition deveria ter deixado o upgrade automático de atributos como uma opção do jogador, ainda que esta opção fosse ativa por default. Se os atributos existem e afetam a jogabilidade, como ocorre neste jogo, o usuário deveria poder ter alguma participação no processo.

Se no aspecto "RPG" a etapa de criação do personagem fica devendo um bocado, por outro lado ela oferece uma enorme gama de opções para modelar a sua aparência física. Confesso que adoro este tipo de coisa. Posso ficar mais de uma hora brincando com os seletores disponíveis, tentando obter o ar heróico que meu avatar merece ;). Entusiastas apreciarão as possibilidades oferecidas aqui. Dá para gerar praticamente qualquer tipo de rosto imaginável. O único ponto fraco, infelizmente, é também um dos mais importantes: os cabelos. Só há um número limitado de opções aqui, e a maioria é simplesmente tenebrosa. Uma lacuna dessas seria facilmente coberta (no PC) por MODs de terceiros. Mas Inquisition, tragicamente, não é MOD Friendly. Talvez não seja algo impossível de se fazer, mas certamente será bem mais difícil - veja o caso de Mass Effect, por exemplo. É uma pena que a Bioware não tenha feito de Inquisition um jogo facilmente "modável". É algo que amplia absurdamente a vida útil do título, como se pode ver nos RPGs da Bethesda. E quanto maior a vida útil de um jogo, maior sua janela comercial, maior o seu apelo.


Bem, uma vez tendo criado o seu personagem, de tê-lo examinado detalhadamente de todos os ângulos e chegado à conclusão de que ele está perfeito (exceto pelos cabelos), é hora de começar o jogo para valer e... constatar que, sob condições normais de temperatura e pressão, sua aparência é simplesmente hedionda. É impressionante como em todo jogo da Bioware sempre ocorre a mesma coisa. S-e-m-p-r-e. A ponto de inspirar essa tirinha aqui. Enfim, será preciso voltar à prancheta e começar tudo de novo. Tive que reiniciar o jogo quatro vezes até chegar a um personagem passável. Futilidade? Não para quem pretende conviver com a cara desse(a) infeliz por mais de cem horas de campanha. De qualquer modo, acho bem divertida essa etapa, então não posso dizer que foi algo desagradável. Para aqueles que não ligam muito para isso, já existe uma série de rostos prontos de fábrica. Basta escolher um e começar a jogar. Seria legal se tivéssemos tido também um sistema de códigos, como aquele que possibilitava aos usuários de Mass Effect compartilharem os rostos criados por eles.

Não é apenas o seu personagem que fica esquisito, diria até mesmo bizarro, em condições normais de jogo. De fato, a aparência da maioria dos NPCs é meio (ou muito) estranha. Alguns são francamente feios - como Sera, por exemplo. Difícil saber se isso foi proposital, no sentido de humanizar os personagens (o que é louvável), ou por pura incompetência. É outro ponto onde sentiremos muita falta dos modders.


As Hinterlands: um MMO abandonado?

Depois de passar os dramáticos momentos iniciais, me vi finalmente livre na primeira grande área do jogo, as Hinterlands. É uma área massiva. Estimando por alto, ela deve possuir sozinha algo em torno de 1/5 da área de Skyrim, senão mais. Isso é muita coisa, pode acreditar. É uma área bonita, mas monótona depois de um certo tempo. E nem de longe tão inspirada como os mundos da Bethesda. Mas mundos abertos não são, nem nunca foram, o ponto forte da Bioware. Já fico extremamente feliz pelo simples fato da desenvolvedora não mais nos confinar em estreitos corredores artificiais, como ocorreu nos jogos anteriores. E se há algo que não falta aqui, é espaço. Quem disse que reclamar não adianta?

As Hinterlands são recheadas de missões, segredos, mistérios, personagens e locais a serem descobertos. Parece o paraíso para o jogador meticuloso e explorador. E, sendo justo, há sim muita coisa interessante para ver, descobrir e fazer aqui. Mas há outro tanto, talvez bem mais frequente, de coisas chatas, repetitivas e nem um pouco empolgantes. O jogador que insistir em completar de cara tudo o que há para se fazer nesta área arrisca a se decepcionar e até mesmo abandonar o jogo. A dica é: faça algumas das quests mais interessantes das Hinterlands, mas depois de umas seis, sete horas, no máximo, volte ao Refúgio e vá conhecer outras regiões.


A verdade pura e simples é que por mais impressionante que seja essa área inicial, ela parece não representar muito bem o cerne do jogo. Qual o motivo disso, só posso especular. Li uma notícia de que Inquisition teria sido planejado para ser um MMO. Só depois a Bioware mudou o seu foco para que ele se tornasse single-player (*), para nossa felicidade (ou minha, pelo menos). Coincidência ou não, as Hinterlands tem toda a cara de área de RPG MMO. É recheada de missões "Mate X criaturas Y" ou "Busque N itens do tipo M". O que eu acho? Quando mudaram o estilo de jogo para algo mais tradicional da Bioware, ou seja, mais voltado para construção de história e personagens, resolveram aproveitar o que já havia sido feito. E daí resultou essa incoerência. Não é algo de todo ruim. O fato é que vale sim retornar às Hinterlands e cumprir suas missões. Mas aos pouquinhos. Intercalando com o andar da história. De fato, dá para fazer suas missões mesmo após a missão principal se encerrar, pelo que ouvi dizer. Se insistir em esgotá-la antes de prosseguir adiante, ficará mortalmente entediado. Não diga que não foi avisado.

(*) Inquisition disponibiliza um modo multiplayer, mas ele secundário e opcional.

O (controverso) sistema de cura

Para quem não sabe, DA:I abandona completamente as magias de cura. A única forma da equipe curar os ferimentos ocorrido em combate é descansando ou consumindo poções. O problema é que 1) o número de poções é bem limitado e 2) só é possível reabastecer as poções e/ou descansar em acampamentos. E estes acampamentos são bem espaçados. Se você está no meio de uma missão e suas poções acabaram, a única solução é voltar para o acampamento mais próximo.

Voltar para um acampamento é fácil, pois existe "fast travel" para eles - basta abrir o mapa, selecionar o acampamento mais próximo e pronto: você será instantaneamente transportado para lá. Mas retomar a sua aventura de onde parou, isso já não será tão fácil. Só existe fast travel para alguns poucos pontos do mapa (acampamentos inclusos), e, na maior parte das vezes, você terá que se conformar em caminhar tudo de novo. O que é um problema, já que nem sempre isso é algo simples ou rápido de fazer. Há trechos que exigem penosas escaladas, por exemplo. Mas o maior problema é que o intervalo de respawn - o tempo que o jogo leva para repovoar uma área com inimigos - é muito agressivo em diversas regiões das Hinterlands. Há algumas em que o jogador mal acabou de matar o último adversário, novos já são rematerializados. Há vizinhanças onde a demora em matar os adversários torna uma luta praticamente sem fim. Elimine os bandidos, daí virão os ursos. Mate os ursos, daí virão os lobos. Trucide os lobos e daí virão os bandidos novamente, renascidos do maldito inferno para onde você os enviou.


Ou seja, não apenas você terá que repetir todo o caminho até o ponto onde interrompeu sua missão, mas terá que matar novamente a maioria dos mesmos inimigos que já o enlouqueceram antes. E quando conseguir finalmente retornar ao ponto onde parou anteriormente, provavelmente já terá sido obrigado a consumir algumas (ou várias) poções de cura. De novo. Com isso, a sua "autonomia de vôo" é diminuída, e você só poderá avançar um pouquinho mais naquilo que realmente interessa: completar a maldita missão. É frustrante. Faz falta um fast travel de verdade neste jogo, digam os puristas o que quiserem.

É possível, dependendo do local e da "densidade regional" de inimigos, contornar os adversários e evitar o combate. Há ainda a opção de colocar o ladrão da equipe em modo "stealth" - caso ele possua esta habilidade - e passar camuflado pelo trecho perigoso. Com sorte, o resto da sua equipe irá se "materializar" ao lado dele mais para frente, passando desapercebida pelos inimigos. Mas o mais comum é descobrir que eles se engajaram em combate por iniciativa própria (mesmo quando ordenados para ficarem quietos), destruindo o subterfúgio. Maldita proatividade.


Para ser justo, não são todas as regiões das Hinterlands que são penosas assim. Há uma grande variedade na densidade de inimigos e nas taxas de respawn ao longo da área. Até mesmo o nível de poder dos adversários pode variar. Sim, nem todos os inimigos aqui são balanceados de acordo com o nível corrente do jogador. É perfeitamente possível topar acidentalmente com adversários muito mais fortes do que o seu grupo e tomar uma surra federal - ocorreu comigo algumas vezes. O jogo fornece algum feedback explícito sobre isso através da cor do ícone do inimigo. Se o ícone for laranja ou vermelho, acautele-se, pois vem pedreira por aí. Talvez seja melhor recuar e voltar mais tarde, quando estiver mais forte.

Alguns aspectos técnicos

- É preciso ter muita, mas MUITA paciência, na hora em que for viajar para uma nova área. Os tempos de carregamento são épicos. Normalmente eles levam entre um a dois minutos para completarem. Parece pouco, mas não é. Estou pensando seriamente em reinstalar o jogo no meu drive SSD. O consolo é que, uma vez carregada uma área, há muito o que fazer dentro dela. Então algumas boas horas podem se passar antes de ser obrigado a enfrentar outro carregamento monstruoso.


- Bugs ocorrem a rodo. Normalmente são coisas pequenas, sem maior importância. Mas várias vezes tive que reiniciar o jogo, principalmente quando o mouse parava de funcionar em alguns momentos. Alguns desses bugs são hilários. Como ver NPCs despencando do céu para compor alguma cena. Ou Varric cair toda vez que chegava ao topo de uma escada, num ciclo infinito.

- Infelizmente, a maior parte dos diálogos (pelo menos nessas primeiras 20 horas) ocorre "a distância". Ou seja, sem entrar no famoso "modo cinematográfico da Bioware", o que dilui um pouco a dramaticidade e a imersão. Falando nisso, o "modo cinematográfico" parece ter regredido tecnologicamente. De forma geral, Inquisition não tem muita cara de jogo de nova geração, apesar das texturas de maior resolução e dos bons efeitos de partículas.

- DA:I é um jogo pesado. Mesmo na minha HD 7870 ele deu algumas agarradas sérias, embora transitórias. Fico me perguntando o porquê, já o jogo, embora belo, não impressiona muito no quesito visual. Um Skyrim com mods e meshes de alta resolução causaria melhor impressão. E sem causar esses slowdowns. Pelo visto, não investiram grande esforço em otimizar o jogo para rodar no PC. Talvez futuros patches aliviem um pouco o problema. Enquanto isso, procure mexer nos seletores das configurações gráficas até chegar no ideal para o seu micro. A maior parte, de qualquer modo, é pura firula, e pouca diferença fará.


- Há legendas para o português brasileiro, mas elas são horrorosas. Existem ocasiões em que parecem ter sido feitas por um tradutor automático e posteriormente revisadas por algum estagiário. Há momentos em que o texto beira o incompreensível. Enfim, mais um caso de localização feita nas coxas. Melhor ficar com as legendas originais em inglês.

- O Dragon Age Keep - onde o jogador pode customizar as decisões tomadas em DA:O e DA2 e importá-las para DA:I - apresentou muitos problemas comigo. Minha recomendação é não usar o Firefox, pois o site parece particularmente bugado com este navegador. No Chrome, por outro lado, ele não apresentou problemas visíveis. Ainda assim, após eu finalmente conseguir salvar uma configuração e importá-la para Inquisition, o jogo não conseguiu localizar a dita cuja no site. Quando eu estava quase desistindo, o problema se resolveu sozinho, sem qualquer explicação.

- De forma decepcionante, não há ciclo dia/noite, nem clima variável. Em certas áreas, é dia. Em outras, a noite é eterna. Em algumas faz sol. Em outras, chuva. E fica nisso.


Sim, Inquisition está longe de ser perfeito Por hora, digo que apesar dos problemas relatados, sinto-me empolgado em prosseguir. Principalmente agora que abandonei as tediosas Hinterlands e sua irritante filosofia de "Grinding de MMO" e embarquei naquilo que aparenta ser o jogo "de verdade". Será? Bem, o que é certo é que há um longo caminho pela frente. Eu sequer conquistei Skyhold, a fortaleza do herói e sede da Inquisição. Me permito ficar otimista.


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2 comentários

  1. Como é que é, você é a elfa? http://4.bp.blogspot.com/-K4qN_i_br_g/VHzIIlHi0JI/AAAAAAAABwE/nd1LNTHkDC8/s1600/px_dai2_00014.jpg

    :)

    Texto sem spoilers?

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